| Título da Tese | A terceira margem da Extensão Universitária: produção coletiva de conhecimento na formação continuada de professores em uma perspectiva decolonial |
| Resumo da Tese | Esta tese investiga a produção coletiva de conhecimento em contextos de Extensão Universitária, propondo a terceira margem como categoria epistemológica para compreender as relações estabelecidas entre universidade, escola e sociedade em processos de formação continuada de professores. Fundamentada na metáfora da terceira margem do rio, de Guimarães Rosa (2001), a pesquisa desloca a compreensão da extensão como espaço de transferência de conhecimentos para concebê-la como um entre-lugar dialógico, no qual diferentes sujeitos, experiências e saberes produzem conhecimento de forma compartilhada. Nesse movimento, discute criticamente as heranças da colonialidade presentes na constituição histórica da universidade brasileira e defende uma concepção de extensão comprometida com a justiça cognitiva, com a valorização dos saberes produzidos no Sul Global e com a democratização da produção científica. A investigação insere-se no campo da Linguística Aplicada Suleada (Junior; Matos, 2019; Matos; Junior, 2024), articulando contribuições do pensamento decolonial latino-americano (Quijano, 2005, 2010; Mignolo, 2002, 2017; Segato, 2019, 2021), da pedagogia dialógica de Paulo Freire (1980, 2005, 2021), da filosofia da linguagem de Volóchinov (2021) e da concepção de professores como intelectuais sentipensantes (Fals Borda, 2015; Giroux, 1997). Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa interpretativista, de inspiração etnográfica e antropológica por demanda (Erickson, 2004; Segato, 2021), desenvolvida a partir das narrativas produzidas por participantes de um curso de extensão promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. As análises evidenciam que a produção de conhecimento, em contextos extensionistas orientados pelo diálogo, constitui-se por meio da negociação de sentidos, da circulação de diferentes vozes, da ressignificação das práticas docentes e da construção compartilhada de identidades e posicionamentos entre formadores e professores. Os resultados demonstram que a extensão universitária ultrapassa sua função tradicional de difusão do conhecimento quando passa a operar como espaço de encontro entre saberes, produzindo deslocamentos epistemológicos tanto para a universidade quanto para a escola. A principal contribuição desta tese consiste na proposição da terceira margem da Extensão Universitária como categoria epistemológica capaz de explicar processos de produção coletiva de conhecimento em experiências formativas dialógicas. Ao situar a linguagem, o diálogo e a escuta como fundamentos da produção científica, a pesquisa reafirma a extensão universitária como dimensão constitutiva da universidade pública e como espaço privilegiado para a construção compartilhada de saberes socialmente comprometidos. |
| Data da defesa | 21/09/2026 |
| Hora | 9 horas |
| Formato da defesa | Híbrida (Sala de Webconferência – Setor de Pós-Graduação) |
| Titulação | Nome | Na qualidade de | Vínculo |
|---|---|---|---|
| Doutor pela UFF | Alexandre José Pinto Cadilhe de Assis Jácome | Orientador(a) Presidente da Banca | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Doutora pela UFRJ | Andreia Rezende Garcia Reis | Membro Titular Interno | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Doutora pela UFJF | Fernanda Cunha Sousa | Membro Titular Interno | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Doutor pela UFPR | Henrique Rodrigues Leroy | Membro Titular Externo | Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) |
| Doutor pela UFRJ | Otávio Rios Portela | Membro Titular Externo | Universidade do Estado do Amazonas (UFAM) |