| Título da Tese | INTERNACIONALIZAÇÃO NA PRÁTICA: O QUE DIZEM PROFISSIONAIS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS? | ||
| Resumo da Tese | Ancorada nos instrumentos teórico-metodológicos da Linguística, esta tese se insere no campo da Sociolinguística Interacional, assumindo como eixo central a análise das interações discursivas que permeiam os processos de internacionalização no ensino superior brasileiro. O estudo investiga como agentes atuantes nos setores de relações internacionais (SRI) de instituições de ensino superior (IES) constroem, por meio de narrativas de vida, crenças, identidades e sentidos sobre seu fazer profissional em um cenário marcado por desafios institucionais e transformações globais. Com base em entrevistas semiestruturadas realizadas com nove agentes que ocupam diferentes cargos nos SRI de IES brasileiras, a pesquisa adota um viés discursivo para compreender como emergem posicionamentos identitários no ato narrativo, articulando questões de interculturalidade, internacionalização e políticas linguísticas. Nesse percurso analítico, destacam-se referências a programas estruturantes como o Ciência sem Fronteiras e o Idiomas sem Fronteiras, bem como ao ensino-aprendizagem de Português como Língua Estrangeira (PLE), compreendidos como dispositivos estratégicos no processo de internacionalização das universidades. O foco recai, de modo particular, sobre o uso dos pronomes pessoais eu, nós, a gente e você, analisados como pistas linguísticas que revelam modos de atribuição de responsabilidades, construção de pertencimento institucional, diluição ou assunção de protagonismo e estratégias de proteção de face no discurso desses agentes. Os resultados evidenciam que tais usos ultrapassam as prescrições das gramáticas normativas, operando socialmente como recursos discursivos sensíveis às dinâmicas de poder, às tensões institucionais e às condições concretas de trabalho nos SRI. As narrativas analisadas expõem, de um lado, entraves recorrentes à internacionalização — como a insuficiência de recursos financeiros, a fragilidade das políticas públicas, a escassez de pessoal qualificado e situações de desvalorização institucional. De outro, revelam avanços significativos, especialmente no fortalecimento das políticas de ensino de línguas, na ampliação do PLE e na consolidação da internacionalização como ferramenta de enfrentamento de práticas excludentes, ao promover oportunidades mais equitativas de intercâmbio intercultural para a comunidade acadêmica. Ao evidenciar a internacionalização como prática discursiva, institucional e humana, esta tese contribui para a compreensão desse processo como elemento estruturante da integração entre ensino, pesquisa e extensão nas IES. Nesse sentido, a internacionalização configura-se como ponto nodal e força propulsora da transformação universitária, impactando não apenas as dimensões acadêmica, social e tecnológica, mas, sobretudo, a dimensão humana da formação no ensino superior. | ||
| Data da defesa | 30/03/2026 | ||
| Hora | 9 horas | ||
| Formato da defesa | Via webconferência | ||
| COMPOSIÇÃO DA BANCA | |||
| Titulação Prof(a) Dr(a) / Dr(a) | Nome | Na qualidade de: | Vínculo Institucional |
| Prof(a) Dr(a) | Tiago Timponi Torrent | Presidente da Banca | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Prof(a) Dr(a) | Rodrigo Christofoletti | Membro Titular Interno | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Prof(a) Dr(a) | Natália Moreira Tosatti | Membro Titular Externo | Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais |
| Prof(a) Dr(a) | Elisa Mattos de Sá | Membro Titular Externo | Universidade Federal de Viçosa |
| Prof(a) Dr(a) | Waldenor Barros Moraes Filho | Membro Titular Externo | Universidade Federal de Uberlândia |