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Convite – Defesa de Tese – Karina Carolina Vieira de Matos – 13 de março de 2026, às 09 horas.

 

Título da Tese Os mecanismos formais de categorização: revisitando a natureza dos particípios no Português Brasileiro
Resumo da Tese Este trabalho investiga a estrutura interna dos particípios, levando em conta os núcleos funcionais que fazem parte da sua formação, bem como a natureza categorial desses elementos. Em termos gerais, os particípios têm sido apontados na literatura como um fenômeno interessante para a análise linguística, especialmente por não se caracterizarem como uma classe homogênea, sendo empregados em estruturas sintáticas de naturezas diversas (Villava, 2009). Como escopo empírico, abordamos os particípios que compõem as sentenças passivas verbais, os tempos compostos e as passivas adjetivais – resultativas e estativas – no português brasileiro (PB), buscando investigar se os particípios nessas formações apresentam o mesmo estatuto categorial ou se eles são expoentes fonológicos idênticos de diferentes núcleos na estrutura sintática. Inserindo-se neste debate, esta pesquisa se desenvolve a partir de um viés sintático da formação de palavras, a Morfologia Distribuída (Halle e Marantz, 1993; Marantz, 1997), doravante MD, que, desfazendo as fronteiras entre a formação de palavras e sentenças, licencia interações entre a estrutura interna do particípio e a sequência de núcleos funcionais que participam da estrutura. O ponto de partida da nossa proposta é a hipótese de que o particípio é formado a partir da concatenação de núcleos funcionais de natureza verbal e adjetival que se organizam no interior da mesma estrutura sintática. Propomos, então, que o comportamento categorial do particípio é resultado da interação entre projeções funcionais compostas por traços verbais e adjetivais organizadas hierarquicamente pela sintaxe. Mais especificamente, propomos que a marca -d- dos particípios regulares em passivas verbais, em passivas adjetivais resultativas e nos tempos compostos é o expoente fonológico de um núcleo funcional na estrutura sintática (Part), que carrega, ao mesmo tempo, traços verbais e adjetivais, de forma semelhante à proposta de um núcleo Switch (Panagiotidis e Grohmann, 2009; Panagiotidis, 2015). Dessa forma, o particípio é caracterizado como uma projeção mista, responsável por interromper a projeção estendida do verbo, licenciando a entrada de traços adjetivais na estrutura acima dele. Essa mesma marca morfológica -d-, por sua vez, é expoente de um núcleo categorizador adjetival (a) nas passivas adjetivais estativas. Para as discussões a respeito da identidade formal do particípio nos baseamos em Wegner (2019), que sistematiza as análises presentes na literatura a partir das seguintes linhas: (i) não-identidade, em que há apenas uma coincidência fonológica entre a forma do particípio nas passivas e nos tempos compostos; (ii) identidade fraca, em que um mesmo morfema tem sua natureza passiva ou aspectual definida a partir de diferentes contextos estruturais em que é licenciado; (iii) identidade enviesada, em que um mesmo morfema apresenta ou natureza aspectual ou natureza passiva e (iv) identidade neutra, em que o particípio não apresenta especificações sintático-semânticas nem de aspecto, nem de passiva. Considerando a proposta acima delineada, a nossa análise rejeita a ideia de coincidência fonológica e se coloca na linha de uma identidade neutra, em que o particípio apresenta uma identidade formal que não se caracteriza nem como aspecto, nem como marca de passivização. Em vez disso, o morfema participial é visto como um mecanismo formal de categorização, configurando-se como um elemento que licencia a entrada de traços adjetivais na estrutura, como os de gênero e número, por exemplo.
Data da defesa 13/03/2026
Hora 9 horas
Formato da defesa Híbrida

 

COMPOSIÇÃO DA BANCA
Titulação Prof(a) Dr(a) / Dr(a) Nome Na qualidade de: Vínculo Institucional
Doutora pela Universidade de São Paulo (USP) Paula Roberta Gabbai Armelin Orientador(a) Presidente da Banca Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Doutora pela Universidade de São Paulo (USP) Aline Garcia Rodero Takahira Membro Titular Interno Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Doutora pela Universidade de Campinas (UNICAMP) Ana Paula Scher Membro Titular Interno Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Doutora pela Universidade de São Paulo (USP) Iindaiá de Santana Bassani Membro Titular Externo Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Doutor pela Universidade de São Paulo (USP) Marcus Vinicius Lunguinho Membro Titular Externo Universidade de Brasília (UNB)