| Título da Tese: | Língua de Herança: a preservação e mobilização de traços fonético-fonológicos da língua portuguesa adquirida na infância |
| Resumo da Tese: | O tema da presente pesquisa é o português como língua de herança (LH). A LH pode ser definida como uma língua adquirida naturalmente na primeira infância em contexto de migração, cujo uso se restringe ao domínio familiar, enquanto a criança também adquire a língua majoritária. O objetivo do trabalho foi verificar em que medida falantes de herança adultos preservam e mobilizam traços fonético-fonológicos da língua a que foram expostos na primeira infância. A investigação foi conduzida sob a abordagem teórica da Sociolinguística Interacional (Ribeiro; Garcez, 2002) e fundamentada em pressupostos básicos da fonética articulatória (Cristófaro Silva, 2003, 2005), processos fonológicos (Callou; Leite, 1990) e variação dialetal a nível fonético e fonológico do português brasileiro (PB) (Câmara Jr, 1999). Via abordagem experimental e análise qualitativa dos dados (Denzin; Lincoln, 2006), analisamos a produção oral de falantes de herança do português brasileiro e de um dos seus pais, em uma expansão do trabalho anterior de Weiss, Fonseca e Candian (2018) e Weiss e Candian (2019). Inicialmente, para conhecer o background linguístico dos falantes de herança e dos pais, utilizamos formulários online; em seguida, foi aplicado o estudo experimental, que consistiu na realização de tarefas de elicitação oral. Os dados foram submetidos a análise oitiva e julgamento perceptivo. Os resultados indicaram que os falantes de herança preservam e mobilizam traços fonéticos e fonológicos da língua de herança adquirida na infância, uma vez que demonstraram tanto características comuns a todos os dialetos do PB quanto aspectos específicos da variedade dialetal herdada, inclusive aqueles não presentes no inventário fonético da sua língua materna. Principalmente porque o armazenamento e a evocação desse tipo de informação acontecem de forma inconsciente e automática, a partir de estímulos e treinos de repetição, relacionamos essa capacidade articulatória de produzir os sons da língua à memória procedural, também chamada de implícita ou não-declarativa (Izquierdo, 2006; Ullman; 2004; Baddeley, Anderson; Eysenck, 2011), a qual chamamos de memória fonético-fonológica. Além da competência fonológica, evidenciada pelos aspectos fonético-fonológicos identificados, outras características do fenômeno foram verificadas na produção dos participantes, como a fluência natural da fala conectada e a competência discursiva, pragmática e interacional. Observou-se que os benefícios de se manter uma língua de herança são significativos e duradouros, não só pelas motivações identitárias e culturais, mas também pelos benefícios de se ter um recurso linguístico, disponível para ser usado quando necessário, principalmente se o projeto migratório for marcado pelo retorno (voluntário ou não) ao país de origem da família. As conclusões e as contribuições deste trabalho, ademais, mostram-se aplicáveis a outras LHs, ainda que nosso foco tenha sido o PB. |
| Data e horário | Dia 15 de janeiro de 2026, às 14:00 horas, via Webconferência. |
COMPOSIÇÃO DA BANCA:
| Nome | Vínculo Institucional | Título e Instituição | Função na Banca |
| Denise Barros Weiss | UFJF | Doutora – UFF | Orientador(a) e Presidente da Banca |
| Aline Alves Fonseca | UFJF | Doutora – UFMG | Membro titular interno |
| Natália Moreira Tosatti | CEFET-MG | Doutora – UFMG | Membro titular externo |
| Luciana Pilatti Telles | FURG | Doutora – UFRGS | Membro titular externo |
| Milan Puh | UFBA | Doutor – USP | Membro titular externo |