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Teses – Ano: 2025

Ana Maria Ferreira Michelle Neves Capuchinho

Título: “Questão agrária em Minas Gerais; análise do desenvolvimento capitalista no campo a partir das principais cadeias produtivas do agronegócio 2002- 2020

Orientador:  Profa. Dra. Sabrina Pereira Paiva

Professores Examinadores: Prof(a). Dr(a). Mônica Aparecida Grossi Rodrigueso, Prof(a). Dr(a). Elizete Maria Menegat, Prof(a). Dr(a). Renata Couto Moreira e Prof(a). Dr(a). Ana Terra Reis

Data da defesa: 21/02/2025

Resumo:

O presente trabalho tem como objeto central a questão agrária mineira, com foco no papel do padrão de reprodução do capital, delimitando como referência para a análise cinco das principais cadeias produtivas do agronegócio: o setor sucroalcooleiro, o café, os grãos, a mineração e o gado. O objetivo central foi compreender os mecanismos de apropriação da renda da terra em tempos de capital financeiro e como esses mecanismos estão relacionados à concentração fundiária. A investigação situase no contexto da financeirização da economia e da reprimarização das exportações agrícolas brasileiras, evidenciando as contradições do modelo de desenvolvimento capitalista e o papel do Estado na manutenção da propriedade privada da terra. O trabalho delimita o período da década de 1970, marcado por uma crise estrutural do capital, como um momento determinante, pois a implantação da Revolução Verde, com amplo apoio do Estado, criou as condições necessárias para a organização do agronegócio no Brasil. Por meio da análise histórica e teórica, o estudo busca contribuir para uma compreensão mais aprofundada das relações fundiárias e das disputas políticas envolvidas na luta pela terra em Minas Gerais, destacando a presença do agronegócio nas doze mesorregiões caracterizadas, com o intuito de ressaltar as similaridades no processo de exploração do capital, bem como sua distribuição e organização. Ao realizar essa caracterização, por meio de autores que se debruçaram sobre as diversas realidades regionais, foi possível concluir que a relação com a concentração fundiária e os efeitos desse processo de exploração são intensificados pela atual fase de desenvolvimento do capital: a financeirização da economia.

Palavras-chave: Questão Agrária em Minas Gerais; Financeirização da Economia; Cadeias Produtivas do Agronegócio em Minas Gerais
Thaisa Silva Martins

Título: “Erguendo a voz: um ensaio sobre o enfrentamento à violência através das escrevivências de mulheres negras

Orientador:  Profa. Dra. Elizete Maria Menegat

Professores Examinadores: Prof(a). Dr(a). Sabrina Pereira Paiva, Prof(a). Dr(a). Carolina dos Santos Bezerra, Prof(a). Dr(a). Rosana de Jesus dos Santos, Prof. Dr. José Carlos Freire e Prof. Dr. Thiago de Abreu e Lima Florêncio

Data da defesa: 26/02/2025

Resumo:

A presente tese desenvolve um exercício de escrita ensaística por meio da escrevivência, termo criado pela escritora Conceição Evaristo, nos anos 1990. O objetivo é analisar, a partir da escrevivência, o conteúdo sobre violência sofrida por mulheres negras decorrente do capitalismo, e seu processo de exclusão racial, social e de gênero, tendo a seguinte questão: o que este registro ajuda a revelar sobre a violência sofrida por mulheres negras neste sistema? Este trabalho parte da hipótese de que a escrevivência é uma forma de resistência às opressões vivenciadas, em comum, por mulheres negras no capitalismo. Portanto, é uma resistência à violência. Isso levou à análise da obra Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2011) de Conceição Evaristo, uma vez que retrata, fundamentalmente, acerca da violência sofrida por mulheres. Como aparato metodológico para a presente pesquisa, foi realizada uma análise documental do livro Raízes: resistência histórica, escrito por vinte mulheres negras, e publicado em 2018 pela editora Venas Abiertas, de Belo Horizonte-MG. Tal escolha se deu a fim de identificar e analisar quais são os conteúdos denunciados acerca da violência sofrida por mulheres negras na presente obra. Evidenciou-se a diversidade de temas abordados, com destaque para a violência colonial,
escravização, racismo, e pressão de padrões estéticos.

Palavras-chave: Escrevivência; Mulheres Negras; Violência.
Anderson Martins Silva

Título: “Marx, os marxismos e a crise: a lei tendencial da queda da taxa de lucro e as determinações subjacentes da crise do capital na contemporaneidade

Orientador:  Profa. Dra. Ednéia Alves de Oliveira

Coorientador: Profª. Drª. Paula Francisca Vidal Molina

Professores Examinadores: Prof. Dr. Alexandre Aranha Arbia, Prof. Dr. Fernando Gaudereto Lamas, Prof. Dr. Fernando Leitão Rocha Junior e Prof. Dr. Marcelo Dias Carcanholo

Data da defesa: 02/06/2025

Resumo:

A tese analisa as causas das recorrentes crises do processo de produção e reprodução capitalista. Em diálogo com a obra de Marx e seus intérpretes contemporâneos, argumentamos que a crise não pode ser resumida a problemas relacionados à regulação neoliberal ou à financeirização no pós-1970. Em oposição a esse tipo de análise, destacamos a necessidade de considerar os acontecimentos da crise econômica mundial de 2008 em conexão com as determinações subjacentes que constituíram o movimento do capital a partir da década de 1970, em especial, nos EUA, epicentro da crise. Consideramos que a crise de 2008 apresenta como causa fundamental a ampliação da contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas do trabalho social e as relações sociais de produção capitalistas. Tal contradição é evidenciada pela queda da taxa geral de lucro das corporações norte-americanas no período 1973-2008. Nos opomos a análises de cariz ricardiano, como a de Nobuo Okishio, que apontam unilateralmente a elevação dos salários como único elemento capaz de levar a uma queda da taxa de lucro no capitalismo. Em nossa compreensão, a taxa de lucro tende a cair em decorrência do aumento das forças produtivas do trabalho social, do crescimento do mais-valor relativo e, por conseguinte, da ampliação da produtividade sob a égide do capital. Ademais, evidenciamos que a resposta do governo norte-americano às crises a partir dos anos 1970 por meio da combinação entre a expansão do sistema de crédito, do capital fictício e da liberalização das finanças não foi capaz de recuperar as elevadas taxas de crescimento e acumulação do pós-Segunda Guerra Mundial, apenas deslocou o problema para adiante por meio do endividamento generalizado e da conformação de bolhas e booms especulativos de curta duração. Deste modo, em diálogo com Kliman, consideramos que o neoliberalismo e a financeirização não podem ser apontados de modo unilateral como causa da crise de 2008, mas somente como uma política em resposta à estagnação relativa da economia dos EUA a partir da crise dos anos 1970. A ausência de destruição significativa de capital entre 1973 e 2008 impediu que se desenvolvessem as bases para a recuperação do crescimento da economia, do investimento e do emprego. Por fim, concluímos que as crises são inerentes ao movimento do capital e, nesse sentido, inevitáveis enquanto ele se mantém de pé. As diferentes políticas econômicas postas em prática pelos estados são capazes apenas de adiar os problemas, elevar a instabilidade e gerar condições para crises mais graves. Nesse sentido, a análise da crise de 2008 contribui para evidenciar, por um lado, os limites inerentes ao próprio capital como relação social de produção do mais-valor e, por outro, a necessidade histórica de sua substituição por formas superiores de organização do trabalho social.

Palavras-chave: Marx; crise do capital; lei tendencial da queda da taxa de lucro; neoliberalismo; financeirização.

Tese (formato PDF tamanho 4,22 MB) 

Nicole Cristina Oliveira Silva

Título: “A CONTRIBUIÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA DO MARXISMO PARA A APREENSÃO DA QUESTÃO ÉTNICO-RACIAL NO BRASIL: reflexões para o Serviço Social”

Orientador:  Profa. Dra. Luciana Gonçalves Pereira de Paula

Professores Examinadores: Prof(a). Dr(a). Ana Maria Ferreira, Prof(a). Dr(a). Joseane Barbosa de Lima, Prof(a). Dr(a). Paula Martins Sirelli e Prof(a). Dr(a). Rodrigo José Teixeira

Data da defesa: 31/07/2025

Resumo:

A tese tem como objeto a relação entre marxismo e questão étnico-racial e como objetivo demonstrar, a partir de uma análise bibliográfica e reflexiva, a contribuição teórico-metodológica do marxismo para a apreensão da questão étnico-racial no Brasil. Parte da hipótese de que, no que toca à questão étnico-racial, o recurso ao marxismo sem a intrínseca articulação entre apropriação teórica e mobilização metodológica pode incorrer em abordagens ecléticas que limitam a apreensão do objeto sob perspectiva de totalidade. O argumento central, ou seja, a tese defendida é a de que a perspectiva teórico-metodológica marxista, compreendida enquanto unidade articulada entre teoria e método, oferece contribuições indispensáveis para a
análise e apreensão crítica da questão étnico-racial no Brasil, permitindo sua compreensão como constitutiva e indissociável do capitalismo. Para tal, exige a mobilização das categorias constitutivas do método de Marx: totalidade, contradição e mediação. Para concretização do objetivo, a metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica com base em referenciais teóricos do campo marxista. A organização da tese contempla: sua introdução, na qual são discorridas o objeto, os objetivos e as justificativas; a hipótese e a tese de pesquisa; a exposição do método e da metodologia de investigação; a discussão sobre a perspectiva teórico-metodológica marxista, com ênfase na abordagem das categorias constitutivas de seu método; o
debate sobre as relações entre marxismo e questão étnico-racial, no qual se pretende evidenciar a argumentação central (tese); e, por fim, a síntese final. Nela, são retomadas as principais reflexões desenvolvidas no curso da pesquisa, apontando as contribuições da perspectiva marxista para a apreensão da questão étnico-racial no Brasil e levantando algumas ponderações para o Serviço Social. A tese presente não encerra o debate que coloca, pois seu próprio objeto de análise está em movimento constante na realidade. Nessa direção, tal pesquisa aponta contribuições, reconhece limites e abre possibilidades para novos caminhos investigativos.

Palavras-chave: Marxismo. Questão étnico-racial. Teoria. Método. Serviço Social.

Jhony Oliveira Zigato

Título: “A reconstrução histórico-crítica do Serviço Social no Vale do Mucuri (MG): institucionalização, consolidação e expansão da profissão”

Orientador:  Profa. Dra. Carina Berta Moljo

Professores Examinadores: Prof(a). Dr(a). Alexandra Aparecida Leite Toffanetto Seabra Eiras, Prof(a). Dr(a). Ana Luiza Avelar de Oliveira, Prof(a). Dr(a). Maria Angelina Baía de Almeida Camargo e Prof(a). Dr(a).  Mônica Paulino de Lanes

Data da defesa: 14/08/2025

Resumo:

A presente tese tem como objetivo reconstruir historicamente a profissão de Serviço Social no Vale do Mucuri (MG) desde os anos 1980 até dias atuais. Apreender a formação sóciohistórica brasileira articulada à formação regional bem como conhecer o perfil profissional e os elementos que culminam com a inserção, desenvolvimento e expansão da profissão no Vale do Mucuri tem sua inédita importância na medida em que não há estudos que realizam este movimento de reconstrução histórica na região. A história é categoria e elemento central deste processo, pois é apreendida e compreendida como movimento, como vir a ser, recusando linearidades e uma “estrutura acabada”, permitindo, assim, desvendar a cultura política
brasileira e a cultura profissional em sua essência fenomênica à medida que reconstruir historicamente a dinâmica de uma profissão com as particularidades da região ultrapassa o discurso de uma “história oficial”, ou seja, captar o seu movimento pelo avesso, dando voz aos sujeitos sociais oriundos das classes trabalhadoras, quais sejam: as e os Assistentes Sociais. O percurso metodológico sustentou-se na Teoria Social de Marx, que parte da realidade concreta em sua aparência fenomênica e permite ao pesquisador compreender os elementos contraditórios do real sob o crivo da Reprodução das Relações Sociais, relações estas que têm por base as relações de produção na sociabilidade capitalista, determinando os aspectos da
reprodução espiritual, ou seja, os elementos ideológicos, filosóficos, artísticos e religiosos que objetivam “sustentar” a sociabilidade vigente, mas, na mesma dinâmica, revela seus limites e contradições. A pesquisa se subsidiou em seu caráter bibliográfico e documental, contemplando aspectos da realidade sócio-histórica brasileira e regional, bem como a vasta produção da literatura profissional do Serviço Social no campo dos seus fundamentos. A História Oral, enquanto modalidade de pesquisa, foi fundamental, pois, ao valorizar a subjetividade dos sujeitos sociais sem incorrer em subjetivismos a-históricos, busca captar as determinações objetivas da realidade social, que se constroem e reconstroem na trama da reprodução das relações sociais. Para a coleta de dados, foram realizadas 16 entrevistas com Assistentes Sociais da região, objetivando captar em seus relatos a realidade da profissão de Serviço Social em diálogo com a formação sócio-histórica regional. Ressalta-se que as e os profissionais entrevistados localizam-se temporalmente na região a partir dos anos 1980 e permanecem até os dias atuais, o que possibilitou uma Reconstrução Histórica do Serviço Social no Vale do Mucuri.

Palavras-chave: formação sócio-histórica brasileira e regional; cultura política; cultura profissional; Serviço Social e Assistentes Sociais no Vale do Mucuri (MG).

Thaíse Seixas Peixoto de Carvalho

Título:  “CULTURA POLÍTICA E A ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DOS ASSISTENTES SOCIAIS NA VIRADA DO SERVIÇO SOCIAL CRÍTICO: O caso de Minas Gerais”

Orientador:  Profa. Dra. Carina Berta Moljo

Professores Examinadores: Profa. Dra. Alexandra Aparecida Leite Toffanetto Seabra Eiras, Prof. Dr. Alexandre Aranha Arbia, Profa. Dra. Ana Luiza Avelar de Oliveira, Prof. Dr. Claudio Henrique Miranda Horst e Profa. Dra. Susana Maria Maia

Data da defesa: 24/09/2025

Resumo:

A presente tese tem como objetivo a análise da cultura e organização política da categoria profissional dos assistentes sociais no processo de virada crítica da profissão ocorrido entre os anos de 1960 a 1990. Nosso objetivo está em analisar o contexto sociopolítico em que ocorre este processo, especialmente no estado de Minas Gerais e como ele impactou a construção da cultura política profissional do Serviço Social mineiro. Para tanto, nossa escolha foi pela análise das duas principais instâncias de organização política da categoria sendo elas: a organização sindical e o conjunto CFESS/CRESS, por considerarmos que estas instâncias tiveram papel decisivo no processo de virada, construção e disseminação da cultura política
profissional. Nos detivemos, mais especificamente, no caso de Minas Gerais, ou seja, no processo de virada crítica ocorrido nas terras mineiras e como os eventos aqui ocorridos contribuíram para a virada crítica da profissão em nível nacional. Para a pesquisa foi realizada ampla pesquisa documental e bibliográfica, além de entrevista aberta com duas profissionais que estiveram diretamente envolvidas no processo, a fim de conhecermos as entranhas deste movimento tanto por dentro, quanto por fora da profissão. Em razão dos limites da pesquisa, esta tese concentrou-se nos desdobramentos ocorridos, especialmente, na região metropolitana de Belo Horizonte. Verificamos que o Serviço Social mineiro protagonizou vários momentos da virada crítica em âmbito nacional e consolidou uma forte cultura política crítica na profissão.

Palavras-chave: Serviço Social; Cultura política profissional; Organização política; Virada crítica profissional; CFESS/CRESS

Tese (formato .pdf, tamanho 3,6 MB)

Erika Alves Martins

Título:  “PROJETO ÉTICO-POLÍTICO COMO IDEOLOGIA A PARTIR DA CONCEPÇÃO DE LUKÁCS: teleologia, causalidade e processo de trabalho no serviço social”

Orientador:  Profa. Dra. Alexandra Aparecida Leite Toffanetto Seabras Eiras

Professores Examinadores: Prof. Dr. Ronaldo Vielmi Fortes , Profa. Dra. Luciana Gonçalves Pereira de Paula, Profa. Dra. Maria Carmelita Yazbek e Profa. Dra. Maria Rosângela Batistoni

Data da defesa: 29/09/2025

Resumo:

A tese investiga o projeto ético-político do Serviço Social como ideologia na acepção lukacsiana. Parte da hipótese de que esse projeto – forjado na ruptura com o tradicionalismo — é um pôr teleológico secundário orientado à condução de comportamentos, situado na superestrutura como forma ideológica histórica. O Capítulo 1, dedica-se ao par conceitual ideal/ideologia e o trabalho como pôr teleológico. Discute teleologia primária/secundária e formas específicas de ideologia, preparando a tríade trabalho, questão social e dimensão ideo-política como base histórico-ontológica da profissão. O Capítulo 2 recompõe a trajetória brasileira: gênese conservadora, erosão sob a ditadura e deslocamentos que abrem a virada crítica (laicização, pluralismo, Reconceituação, experiência de Belo Horizonte) até os marcos dos anos 1990 (Código/1993, Lei 8.662/1993, Diretrizes/1996). O Capítulo 3 sistematiza o projeto como ideologia crítica que condensa valores emancipatórios e orienta a ação profissional nas dimensões teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política. Articulam-se projetos societários/profissionais e, em três recortes (produção dos anos 1980; CBAS nos anos 1990; análise da experiência profissional na assistência estudantil), demonstra como o projeto organiza fins, reprograma causalidades institucionais e enfrenta disputas na precarização do trabalho. Essa leitura ilumina sua função teleológica na disputa de sentidos, qualificando a ação profissional como via de acesso a direitos. Ao articular a tríade como base histórico-ontológica da profissão, o projeto surge como condensação valorativa (liberdade, direitos humanos, justiça social, democracia substantiva, equidade, laicidade, pluralismo) que medeia determinações materiais e respostas profissionais. Supera-se a abordagem meramente normativas: o projeto aparece como mediação que reconfigura causalidades. A originalidade está em mostrar efeitos concretos: organiza fins, estabiliza critérios e institui práticas – horizonte que orienta o trabalho, esclarece condições de objetivação, e oferece roteiro operativo que politiza e desloca o foco da tensão para procedimentos com responsabilidades compartilhadas. Em síntese, ao situar o projeto ético-político como ideologia no sentido lukacsiano ilumina sua função teleológica na formação de consciências, explicita sua historicidade contraditória e mostra sua capacidade de orientar condutas e disputar sentidos na divisão sociotécnica do
trabalho, convertendo valores em regra de decisão e regra de decisão em garantia.

Palavras-chave: Serviço Social; projeto ético-político; ideologia; ontologia do ser social; teleologia do trabalho.

Patricia da Silva Coutinho

Título:  “AS POLÍTICAS DE EMPREGO NOS GOVERNOS TEMER E BOLSONARO (2016-2022): uma análise a partir da superpopulação relativa da classe trabalhadora e da superexploração da força de trabalho”

Orientador:  Prof. Dr.  Alexandre Aranha Arbia

Professores Examinadores: Prof. Dr. Rodrigo de Souza Filho (coorientador), Profa. Dra. Ednéia Alves de Oliveira, Prof. Dr. Elcemir Paço Cunha, Prof. Dr. Cláudio Roberto Marques Gurgel e Profa. Dra. Heloísa Teles

Data da defesa: 29/09/2025

Resumo:

Este estudo buscou analisar as políticas de emprego no Brasil nos anos de 2016 a 2022, considerando as duas fases do Governo Federal nesse período, comandadas por Michel Temer (31 de agosto de 2016 até 31 de dezembro de 2020) e Jair Bolsonaro (1º de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2022). Para tal análise, sob a luz da Teoria Marxista da Dependência, foram considerados importantes marcadores – índices de desemprego, empregabilidade e pobreza; transformações no mercado de trabalho – para o ordenamento político das ações da política de emprego implementada nesse período, uma vez que, por décadas, as políticas de emprego e de assistência social têm sido utilizadas como esteio para a superexploração da força de trabalho. Afirmamos que, neste estudo, não ressaltamos as alternativas específicas para enfrentar a conjuntura de desemprego durante o período da Pandemia de COVID-19, atendo-nos às questões estruturais desenvolvidas pelos governos Temer e Bolsonaro quanto às políticas de emprego, detalhando o Programa SeguroDesemprego e o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

Palavras-chave: Política de Emprego; superexploração; Michel Temer; Jair Bolsonaro.

Tese (formato .pdf, tamanho 2,8 MB)

Aline de Jesus Oliveira

Título:  “A política de reforma agrária em Minas Gerais: debates e contradições acerca da realidade dos assentamentos no Vale do Mucuri – MG”

Orientador:  Profa. Dra.  Cristina Simões Bezerra

Professores Examinadores: Prof. Dr. Ronaldo Vielmi Fortes, Profa. Dra. Mônica Aparecida Grossi Rodrigues, Prof. Dr. Bruno Bruguessi Bueno, Profa. Dra. Michele Neves Capuchinho e Prof. Dr. Leonardo Nogueira Alves

Data da defesa: 30/09/2025

Resumo:

O objetivo deste estudo é compreender como as políticas públicas para áreas de reforma agrária se configuram nos acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Vale do Mucuri, Minas Gerais. Partese de uma perspectiva crítica, fundamentada na tradição marxista, que compreende a questão agrária como o núcleo das contradições do desenvolvimento desigual e combinado do capital no Brasil. O percurso teórico-metodológico constrói as mediações necessárias entre os processos histórico-estruturais do capitalismo dependente e a singularidade desta luta no Mucuri. Para tanto, é preciso uma investigação na região que revela uma contradição central: as políticas implementadas operam primariamente como Políticas sociais (focalizadas, descontínuas e de gestão da pobreza), e não como uma Política agrária efetiva, capaz de promover a transformação estrutural. A questão agrária é compreendida como o núcleo das contradições do desenvolvimento desigual e combinado do capital. Assim, construímos um caminho utilizando como principal ferramenta metodológica a pesquisa de campo, realizada a partir de entrevistas com as lideranças de cada assentamento. Este percurso teórico e metodológico que, ao explicitar as particularidades da dinâmica do desenvolvimento do capitalismo no Brasil, manifesta- se a partir da condição da dependência, busca explicitar as contradições dessa dinâmica e construir as mediações necessárias para compreender como a política agrária se configura nos acampamentos e assentamentos do Vale do Mucuri. A metodologia baseia-se em pesquisa de campo, composta por entrevistas com dez lideranças de cinco territórios emblemáticos da luta na região (o acampamento Mãe Esperança e os assentamentos Aruega, Nova Vida, Esperança do Vale e Santa Rosa). O percurso teóricometodológico constrói as mediações necessárias entre os processos históricoestruturais do capitalismo dependente e a singularidade desta luta no Mucuri, na busca pela explicitação dos processos histórico-estruturais, inerentes à particularidade do capitalismo no Brasil, que definem a singularidade da questão agrária no Vale do Mucuri. A tese demonstra, por fim, que os desafios cotidianos e a precarização enfrentados pelas famílias são produto de uma sociedade excludente. São, na verdade, a expressão funcional dos limites do Estado capitalista dependente, que gerencia a “questão agrária” sem, contudo, alterar a estrutura de concentração fundiária que a reproduz. Por fim, realizar o levantamento das políticas sociais existentes nos assentamentos de reforma agrária no Vale do Mucuri se fez necessário para compreensão da não existência das políticas agrárias na região. Podemos apreender que a constituição dos assentamentos rurais estudados possui muitas contradições que impusionam desafios ao cotidiano dos assentados e assentados na atualidade.

Palavras-chave:  Questão agrária; reforma e política agrária; lutas no campo; assentamentos

Fábio da Silva Calleia

Título:  “Mal-estar na civilização do capitalismo tardio: Os supérfluos como insígnia da obsolescência programada humana do mundo do trabalho”

Orientador:  Profa. Dra. Alexandra Aparecida Leite Toffanetto Seabra Eiras

Professores Examinadores: Prof. Dr. Marco José de Oliveira Duarte, Profa. Dra. Viviane Souza Pereira, Profa. Dra. Berta Pereira Granja e Prof. Dr.  Marildo Menegat

Data da defesa: 06/10/2025

Resumo:

A Tese a seguir tem por objetivo analisar a expansão dos supérfluos na contemporaneidade como consequência da Lei geral da acumulação capitalista
advinda da relação entre capital e trabalho. Entendem-se por supérfluos aqueles que não mais interessam à dinâmica do capital. Partindo do arcabouço teórico marxiano esta tese analisa e demonstra que a relação entre capital e trabalho, contraditória e complementar, impõe à sociedade o seu percurso ininterrupto de valorização do valor. Para isso, o capital, em seu permanente estado de revolucionar sua capacidade produtiva, ao elevar a sua composição orgânica, encontra em si sua desmedida, levando assim a sua parte variável à sua obsolescência. Essa tendência teórica e análise materializam-se com a crítica sobre indicadores globais, outros fatos e dados da contemporaneidade que nos permitem a visualização da totalidade. Na crise estrutural instituída e no cenário globalizado da barbárie da supérfluotização da humanidade o trabalho tem sido propalado como um caminho de saída, que já não existe mais. O feitiço do mundo do trabalho adverte: a humanidade está em decomposição e os supérfluos são a insígnia da obsolescência programada humana.

Palavras-chave: Capitalismo; trabalho; supérfluos; barbárie; Serviço Social

Taciane Couto Gonçalves

Título:  “Serviço Social, movimentos sociais e o fortalecimento do projeto profissional crítico”.

Orientador:  Profa. Dra. Luciana Gonçalves Pereira de Paula

Professores Examinadores: Profa. Dra. Mônica Aparecida Grossi Rodrigues, Dra. Nicole Cristina Oliveira Silva , Prof. Dr. Leonardo Nogueira Alves e Profa. Dra.  Michelly Ferreira Monteiro Elias

Data da defesa: 06/10/2025

Resumo:

A presente tese busca analisar a ação profissional de assistentes sociais junto às lutas e movimentos sociais populares como uma estratégia para o fortalecimento do Projeto ético político hegemônico no Serviço Social. Para tal, apresenta-se uma contextualização das lutas sociais no Brasil, com ênfase nos marcadores terra, raça e trabalho dadas a proeminência dos mesmos na questão social brasileira; uma contextualização da constituição do projeto profissional crítico do Serviço Social a partir de sua aproximação com as lutas e movimentos sociais, especialmente após a década de 1970 e; analisa os dados obtidos em entrevistas com assistentes sociais que atuam junto aos movimentos sociais. A pesquisa adota um caráter teórico-empírico e é orientada pelo materialismo histórico-dialético. A pesquisa empírica coletou dados junto a sete assistentes sociais por meio de entrevistas semiestruturadas com questões abertas. Utilizou-se uma amostragem não probabilística, com a técnica de “bola de neve”. Os principais achados da pesquisa indicam que o diálogo entre assistentes sociais e movimentos sociais é permeado por possibilidades e desafios. As entrevistas mostram que as demandas mais comuns dos movimentos sociais incluem formação política, apoio à organização e mobilização, e interlocução com políticas públicas para acesso a direitos. Já os desafios apontados envolvem dificuldades de articulação e divergências políticas, insegurança no desempenho profissional e limitações burocráticas das políticas públicas. Os trabalhos realizados demonstraram compatibilidade entre os objetivos profissionais, os objetivos dos movimentos sociais e o objetivo estratégico do projeto ético-político atual do Serviço Social. Conclui-se que o acirramento da luta de classes e a ascensão das lutas sociais foram cruciais para a emergência do projeto ético-político crítico do Serviço Social na segunda metade do século XX, e que a classe trabalhadora organizada inspirou a profissão a refletir criticamente sobre a sociedade capitalista e sobre seu significado social na divisão social do trabalho. A tese defende a possibilidade e a importância da contribuição profissional para a mobilização e organização da classe trabalhadora, fortalecendo o projeto ético-político hegemônico ao mesmo tempo que busca fortalecer projetos societários emancipatórios.

Palavras-chave: Serviço Social. Lutas sociais. Movimentos Sociais. Projeto Ético-Político. Assistente Social

Juliano Zancanelo Rezende

Título:  “Serviço Social e Movimentos Sociais: contribuições analíticas para uma história nova da profissão em Juiz de Fora-MG”

Orientador:  Profa. Dra. Maria Lúcia Duriguetto

Professores Examinadores: Profa. Dra. Alexandra Aparecida Leite Toffanetto Seabra Eiras, Profa. Dra. Luciana Gonçalves Pereira de Paula, Profa. Dra. Maria Carmelita Yazbek e Profa. Dra. Maria Rosângela Batistoni

Data da defesa: 08/10/2025

Resumo:

Este trabalho busca colaborar na construção coletiva para uma história nova do Serviço Social, estendendo, revisando e aprofundando a investigação da profissão na história. Neste caso, com angulação investigativa e analítica sobre os aspectos ideopolíticos que envolvem e transpassam o significado social e os fundamentos históricos da profissão, situando sua relação com as expressões sociopolíticas da luta de classes, que tornam públicas e políticas as refrações da “questão social”. Elenca-se como objetivo geral da pesquisa: elucidar a relação histórica do Serviço Social com as lutas e movimentos sociais em Juiz de Fora, a partir das experiências profissionais, de estágio e extensão em processos de organização e mobilização popular desenvolvidos entre 1960 e 1990, na explicitação da dimensão ideopolítica da profissão e dos vínculos locais com a renovação crítica do Serviço Social no Brasil. Amparado no marxismo como matriz de pensamento, esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória para a elucidação do objeto de investigação proposto, estabelecendo os seguintes recursos metodológicos: revisão bibliográfica de materiais transversais ao objeto de pesquisa; análise documental de monografias de graduação e de relatórios de estágio; e realização de entrevistas semiestruturadas com profissionais atuantes no marco temporal abordado. Nas considerações finais, o trabalho reafirma que as relações do Serviço Social com as lutas e movimentos sociais são, duplamente e de forma simultânea, constitutivas dos fundamentos sócio-históricos da profissão e determinadas em sua dimensão ideopolítica. Trata-se de elementos que possuem materialidade no cenário mais amplo da realidade nacional e de suas interlocuções internacionais e, em uma espécie de diagrama do processo profissional na história, se expressam na particularidade de Juiz de Fora. Isto é, as relações com as lutas e movimentos sociais que se efetivam no plano mais abrangente e complexo também se manifestam na complexidade local, como parte articulada de um arranjo que representa o processo do Serviço Social na história.

Palavras-chave: Serviço Social; Movimentos Sociais; Lutas Socias; Juiz de Fora