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Fim de mandato na Coordenação do PPCIR (2023-2026) – Um balanço e uma reflexão

Coordenadora do PPCIR Profª Andrea Musskopf

Por Andrea Musskopf

No dia 31 de agosto de 2026 encerra o atual mandato da Coordenação do PPCIR/UFJF. Desde o dia 01 de setembro de 2023 estive à frente da Coordenação, até 2025 com o colega Frederico Pieper (que atuou como coordenador no mandato anterior) e, desde 2025, com o colega Arnaldo Huff Jr. na Vice-Coordenação. Agradeço, inicialmente, a esses dois colegas pela parceria na condução do Programa a partir das deliberações do Colegiado e a esse pela confiança na eleição para essa tarefa.

Cada período tem seus desafios específicos e nesse não foi diferente. Embora a Pandemia de COVID-19 já estivesse controlada em 2023, seus impactos na Pós-Graduação se fizeram sentir com mais força nesse período e ainda podem ser percebidos, na medida em que o número de discentes está apenas agora se aproximando ao do período pré-pandêmico. Apesar de o mandato ter se desenvolvido já num novo governo em âmbito federal, os impactos (especialmente em relação a recursos, mas também em relação aos ataques às Universidades Públicas) de governos anteriores também se fizeram sentir. Embora tenha havido um maior reconhecimento das Universidades e da Pós-Graduação, não houve uma recomposição orçamentária completa e apenas lentamente tem havido alguns progressos. Resultado direto disso foram as duas greves de TAE e uma de docentes, com duração significativa e impactos diretos na rotina do PPCIR/UFJF e, principalmente, da Coordenação.

Internamente, os principais desafios foram a implementação do novo Projeto Pedagógico de Curso (PPC), do novo Regulamento Interno e da Resolução de Bolsas, todos aprovados ainda em 2023 np mandato do colega Frederico. As alterações provocadas por esses documentos normativos – embora necessários e demandados – trouxeram desafios importantes que incluíram uma mudança no funcionamento e na própria compreensão do PPCIR. A última Avaliação Quadrienal da CAPES (2021-2024) evidencia os avanços trazidos por essas mudanças, bem como os desafios pendentes. Agora, já praticamente no meio de um novo Quadriênio (2025-2028), várias dessas questões foram enfrentadas e o Programa tem, ainda, dois anos para consolidar as mudanças, aprimorar questões que foram aparecendo e se apresentar solidamente para a próxima avaliação pela CAPES.

Um dos avanços significativos do PPCIR/UFJF se deu no âmbito das Ações Afirmativas. Os novos documentos normativos incluíram políticas já existentes em âmbito Federal e na UFJF e foram incorporados de maneira intencional e que excedem esses documentos. Grupos já reconhecidos pela UFJF como parte da política de Ações Afirmativas (Resolução 67/2021) – negros, povos tradicionais, pessoas trans, refugiados e pessoas com deficiência – receberam tratamento especial no Regulamento, especialmente em relação ao processo seletivo, que não se resume a cotas de ingresso, e à política de Bolsas (Resolução ICH/UFJF Nº 8/2024), reconhecendo situações específicas desses grupos. Em alinhamento com a política da Área, o PPCIR também incluiu mulheres na reserva de vagas e cotas para bolsas (50%). Essas iniciativas já têm revelado impacto na composição do corpo discente, mas ainda é um desafio a autodeclaração no ato da inscrição, que tem implicações na vida acadêmica dentro do Programa. O novo Regulamento criou uma Comissão permanente para acompanhar essas questões.

O principal desafio em relação às assimetrias de gênero e étnico-raciais está na composição do corpo docente. Embora haja reserva de vagas em concursos para pessoas pretas, pardas e com deficiência, essa política ainda não teve efeitos contundentes na composição do corpo docente do PPCIR, particularmente no que diz respeito à contratação de mulheres. Tais desafios também estão sendo discutidos e é necessário criar políticas em âmbitos superiores como o conjunto das Universidades Federais e da CAPES para dar segurança jurídica a esses processos. Recentemente, o PPCIR credenciou 5 (cinco) mulheres – três como permanentes e duas como colaboradoras – que atuam em outros departamentos ou outras instituições, diminuindo o desequilíbrio de gênero, mas sem contratação efetiva.

Hoje praticamente todas/os as/os discentes já ingressaram com os novos documentos normativos em vigor e estão realizando os cursos dentro da nova estrutura curricular que, apesar de refletir a proposta do Programa, necessitará de alguns ajustes a partir do processo de autoavaliação e das recomendações do Relatório de Avaliação 2021-2024. A revisão do Planejamento Estratégico e a autoavaliação realizadas recentemente indicam as diretrizes para seguir aprofundando e delimitando a proposta e a identidade do PPCIR como um programa de excelência na Área.

A preparação da documentação para a avaliação realizada pela CAPES em relação ao Quadriênio 2021-2024, sem dúvida, foi uma das atividades que mais demandou da Coordenação no período. Não apenas pela complexidade do processo e pelo amplo conjunto de informações a serem consideradas e sistematizadas, mas também pela necessidade de articular as mudanças realizadas com o período precedente, tanto em termos de autocompreensão do Programa quanto em relação a sua produção. Ainda assim, o Relatório da Avaliação evidencia que as mudanças tiveram impacto positivo, qualificando os conceitos recebidos nos quesitos da avaliação (especialmente em relação à dimensão “Programa”) e evidenciando a consolidação do conceito 5 com perspectivas de alcançar o conceito 6 nas próximas avaliações.

Algumas ações foram fundamentais para esse resultado. Destaca-se a atenção dada e a qualificação das informações disponibilizadas para a CAPES através da Plataforma Sucupira. Todos os projetos de pesquisa cadastrados na Plataforma forma revisados e atualizados e, embora seja necessário qualificar ainda mais essas informações conforme recomendações do Relatório, essa ação teve um impacto positivo na articulação e apresentação da produção de docentes, discentes e egressas/os. O monitoramento anual das informações sobre produção intelectual e sua discussão no âmbito do Colegiado, também permitiram ações mais diretas em relação a essa questão.

A seleção de estudantes para a realização de Estágio Docência com a Coordenação e a valorização de Atividades Extracurriculares com créditos obrigatórios para conclusão do curso – ambas previstas no novo PPC e no novo Regulamento – tornaram possíveis a atuação de discentes no monitoramento, captação e registro qualificado das informações juntamente com a Coordenação e com a Secretaria, não apenas contribuindo para uma avaliação mais conectada com a realidade do Programa, mas também capacitando discentes para tarefas de gestão da produção do conhecimento no âmbito da Pós-Graduação.

Mais recentemente, como forma de valorização da produção discente do Programa, a partir de iniciativa da Coordenação, também foi criado o Prêmio PPCIR de Dissertações e Teses que, em 2026 premiu a Tese de Felipe Souto, que ministrará a aula inaugural do semestre corrente, e foi inscrita para concorrer ao Prêmio SOTER-Paulinas e ao Prêmio CAPES de Tese. O PPCIR tem tido destaque em premiações desse tipo com diversas teses premiadas nos últimos anos. O Edital para premiar a Melhor Dissertação na Edição 2026 ainda deve ser lançado no segundo semestre.

A preparação do corpo docente e do corpo discente para os processos de Coleta das informações, facilitando o envio de informações complementares e comprovantes via Formulários Google criados e monitorados pela Secretaria, e os regulares incentivos e lembretes para atualização do CV Lattes e dos prazos estipulados para envio também foram ações constantes em relação a essa questão. Com relação ao corpo discente, a criação de um Relatório Anual de Atividades e o envio das informações necessárias para o preenchimento da Plataforma Sucupira como condição para concorrer a bolsa de estudos aumentou significativamente o envolvimento do corpo discente nessa tarefa. As alterações na Plataforma Sucupira, agora incorporada ao sistema Sou.Gov, e sua maior comunicação com outras plataformas e sistemas (incluindo CV Lattes e os sistemas de gestão das Universidades e Programas) exigirá atenção e acompanhamento para que não se perda a qualidade e acuidade das informações enviadas à CAPES.

Dentro dessa mesma perspectiva, a Coordenação realizou reuniões semestrais de modo presencial e remoto com o corpo discente para o repasse de informações, a explicação de processos e a escuta de demandas. Essas reuniões buscaram facilitar uma compreensão mais global e articulada do PPCIR e a convivência da comunidade acadêmica. De modo pontual, foram realizadas reuniões sobre questões relacionadas a bolsas de estudo, ao Censo CAPES 2025 (no qual o PPCIR cumpriu a meta de mais de 90% de respondentes), bem como reuniões de boas-vindas e apresentação do Programa para estudantes ingressantes, buscando facilitar a sua inserção no Programa desde a aprovação no processo seletivo, também acompanhado e facilitado pela Coordenação em conjunto com a Secretaria e com as Comissões Avaliadoras.

O acompanhamento de discentes também se deu através de conversas e entrevistas pessoais, buscando mediar conflitos e resolver situações particulares. A representação discente, sempre atuante e participativa nas diversas instâncias e comissões, atuou como mediadora e facilitadora desses processos, além de desenvolver com competência e de forma dialogada a organização anual do CONACIR (que voltou a ser presencial) e a editoração da Revista Sacrilegens que, juntamente com a Revista Numen, qualificaram sua conceituação junto à CAPES na última avaliação. Da mesma forma, o Selo Editorial Estudos de Religião, vinculado à Editora da UFJF e sob responsabilidade do PPCIR, se consolidou, nesse período, como um espaço de divulgação das pesquisas produzidas no Programa e procurada por autoras/es externas/os para a publicação de seus materiais, publicando títulos regularmente.

A maior dificuldade em relação a essas questões foi a gestão orçamentária. A escassez de recursos, a complexidade dos processos e a limitação dos prazos das agências de da própria UFJF fizeram com que, em alguns casos, fosse difícil, inclusive, a execução dos recursos. Todos os anos a Coordenação realizou um levantamento prévio de demandas e apresentou proposta de orçamento ao Colegiado, bem como um Relatório de Execução Orçamentária ao final de cada período.

Um maior domínio e familiaridade permitiram, por exemplo, que em 2025 o Programa executasse praticamente em sua integralidade os recursos disponibilizados ao Programa. Para o X CONACIR (2026), também foi aprovado de projeto de financiamento junto ao CNPq. Assim, ainda que de forma limitada, foi possível atender demandas de equipamentos solicitados por docentes, concessão de auxílio estudantil para participação em eventos e atividades de pesquisa, apoio à participação de docentes do PPCIR em eventos nacionais e internacionais e o financiamento da vinda de pesquisadoras/es ao PPCIR para o CONACIR e outros eventos e atividades pontuais.

A boa avaliação do Programa e a disponibilidade de recursos por parte das agências e da UFJF também permitiram que docentes pudessem realizar estágios pós-doutorais (a maioria fora do país) com afastamento de 2 docentes ao ano e contratação de docentes substitutas/os para atuação na graduação através do Programa de Estímulo ao Intercâmbio Acadêmico da Pós-Graduação Stricto Sensu e da Pesquisa da UFJF (Peia-PG). Durante o período do mandato, não foram contratadas/os docentes visitantes (através do Peia-PG ou outros editais), uma demanda que precisa ser avaliada pela próxima gestão, especialmente em relação a docentes estrangeiras/os.

Com relação a discentes, anualmente o Programa foi contemplando com bolsas do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), em algumas ocasiões com 2 estudantes contempladas/os simultaneamente pelo Edital e até 3 por ano. Durante o período, a partir da gestão da Coordenação e da Secretaria, o Programa disponibilizou vagas e recebeu estudantes do Programa de Mobilidade Internacional criado pelo Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB-MOB) e do Programa Move la América. Mais recentemente, o Programa se cadastrou para recebimento de estudantes pelo Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena (PDAI). Algumas/ns docentes, ainda, tiveram a oportunidade de realização de períodos de Capacitação prevista no Plano de Carreira do Magistério Superior.

A Coordenação, em conjunto com a Secretaria, procurou manter um fluxo contínuo e transparente de informações, tanto entre o Colegiado e demais docentes e discentes, quanto em relação a instâncias da UFJF e comunidade externa. A comunicação mais rotineira se deu por e-mail e pelo Whatzapp (especialmente grupos para tarefas específicas) e questões de resposta rápida. O site do PPCIR, apesar das limitações tecnológicas, foi reorganizado e atualizado permanentemente com divulgação de notícias, documentos, editais e todos os procedimentos relacionados ao Programa e, em parte, foi traduzido para o inglês. Além disso, foi criada uma aba para a divulgação das Atas de reuniões do Colegiado para garantir o acesso público às discussões e decisões tomadas.

Também foi criado um perfil no Instagram que acumulou, no período, mais de 1.300 seguidoras/es, com significativa repercussão e engajamento. A comunicação e a visibilidade do Programa continuam sendo desafios, especialmente em função da confusão e pouco conhecimento em relação à Área de Ciência da Religião. Essa questão apareceu com muita força na Análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) realizada a partir de consulta à comunidade acadêmica no processo de autoavaliação e revisão do Planejamento Estratégico, que prevê ações nesse sentido. A qualificação da comunicação, especialmente com o público externo, precisa de atenção e maior apoio por parte da própria UFJF.

As tarefas regulamentares da Coordenação também se estendem para além do Programa e incluem sua representação em diversas instâncias dentro e fora da UFJF. Na UFJF, a Coordenação integrou o Conselho de Unidade do Instituto de Ciências Humanas, instância responsável por avaliar diversos processos relacionados ao PPCIR, e do Conselho Setorial de Pós-Graduação e Pesquisa (CSPP), instância colegiada responsável pelas políticas da Pós-Graduação na Universidade juntamente com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPP). No CSPP, a Coordenação do PPCIR também integrou a Câmara de Pós-Graduação, responsável pela emissão de pareceres sobre assuntos acadêmicos submetidos ao Conselho, e da Comissão Especial de Verificação de Pessoas Trans.

Para além dos muros da UFJF, a Coordenação também representou o PPCIR na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião (Anptecre), participando de reuniões com os Conselhos da Associação, de suas assembleias anuais e do Congresso bianual. Na CAPES, a Coordenação participou de reuniões e seminário promovidos pela Coordenação da Área 44 – Ciências da Religião e Teologia de forma presencial e remota para discussão das diretrizes e processos da Área, particularmente relacionados à Avaliação Quadrienal e formulação do Documento de Área e Ficha de Avaliação. Nesse período, o PPCIR também recebeu destaque na Coordenação de Área com a indicação, eleição e aprovação da colega Maria Cecília Simões como Coordenadora Adjunta da Área 44 na CAPES.

Como já mencionado diversas vezes ao longo desse relato, a atividade na qual a Coordenação esteve mais envolvida em 2025, juntamente com a Comissão de Planejamento e Autoavaliação, foi a revisão do Planejamento Estratégico e o processo de autoavaliação, cujos resultados foram aprovados pelo Colegiado em 24/08/26 e devem ser apresentados à comunidade acadêmica em Seminário no dia 08 de setembro. A facilitação desse processo permitiu um aprofundamento ainda maior em relação à história do PPCIR, sua situação atual e as projeções para o futuro. A construção coletiva, o estabelecimento de relações e parcerias internas e externas fortes e a comunicação aberta e transparente se destacam como elementos cruciais para a qualificação e reconhecimento do PPCIR/UFJF.

Em âmbito pessoal, esse período representou grande aprendizado que, sem dúvida, qualifica minha a atuação no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. Atuei em tarefas de gestão desde muito cedo na mihha trajetória, passando pelo setor privado, Organizações Não-Governamentais, gestão pública em âmbito municipal, estadual e federal e no campo da cooperação internacional. Assumi todas essas tarefas como parte do trabalho que me dispus a realizar, desempenhando-as com o máximo de dedicação e competência que me eram possíveis em cada momento, e com uma dose extra de cobrança (própria e externa) por me identificar como uma pessoa queer. Em todas essas ocasiões mantive o meu compromisso com a transformação e a justiça social que caracterizam a minha formação e a minha produção intelectual.

Entendo que a gestão é parte intrínseca da produção de conhecimento que nos permite entender as condições objetivas e subjetivas que marcam o cotidiano do trabalho acadêmico. A participação direta na administração pública exercida de maneira coletiva e colaborativa é um dos pilares das Universidades Públicas no Brasil. Acredito que desempenhei a tarefa de coordenar o PPCIR junto com o Colegiado com dedicação, compromisso e responsabilidade, e que o desempenho dessa tarefa trouxe novos e importante elementos e conhecimentos para a minha vida pessoal e atuação profissional.

Meu agradecimento especial ao corpo Técnico-Administrativo em Educação (TAE), em especial a Amanda Prado – Secretária de Referência do PPCIR, da Secretaria de Pós-Graduação do ICH, da Secretaria do ICH e da PROPP pelo apoio na execução dessa tarefa.