
Projeto trata lesões ou doenças na boca, como feridas que não cicatrizam, manchas, nódulos e outros casos (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)
Perto de completar dez anos de funcionamento, o projeto “Serviço de Estomatologia: diagnóstico e tratamento”, da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realiza atendimento gratuito a pessoas que apresentam lesões ou doenças na boca ou próximas a ela, como feridas que não cicatrizam, manchas e nódulos. O serviço tem papel essencial na prevenção e no diagnóstico precoce de câncer de boca.
A equipe, composta por quatro professores e dez estudantes, faz exames clínicos, biópsias e terapia de fotobiomodulação – técnica não invasiva que utiliza laser ou luz de LED para aliviar dores, reduzir inflamações, entre outras funcionalidades. Visam o tratamento preventivo, curativo e cirúrgico dessas lesões, além de cuidados voltados aos efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia.
São realizados, em média, entre 10 a 15 atendimentos semanais, às segundas-feiras, na Clínica Verde da faculdade, a partir das 17h. “[O projeto] é o único centro de referência público dessa especialidade na Zona da Mata Mineira. Atendemos pessoas com uma variedade de condições que afetam a região orofacial, sejam condições locais ou sistêmicas, as quais podem ser crônicas e dolorosas, que afetam a qualidade de vida e ameaçam a vida dos pacientes”, explica o coordenador do projeto, professor Fabrício Tinôco.
Queixas e condições mais frequentes atendidas:
- doenças ósseas;
- síndrome da boca ardente (sensação frequente de queimação ou formigamento na cavidade oral);
- câncer de cabeça e pescoço;
- complicações bucais de terapias oncológicas;
- sialorreia (acúmulo ou escorrimento excessivo de saliva), xerostomia (“boca seca”) e outras complicações relacionadas às glândulas salivares;
- halitose (alteração do hálito que o torna desagradável, podendo significar ou não uma mudança patológica);
- condições decorrentes de imunossupressão;
- lesões dolorosas, pigmentadas, nodulares, eritematosas (avermelhadas), embranquecidas, ulceradas, vesicobolhosas;
- aumentos de volume da face.
Como ser atendido

Interessados podem procurar setor de Acolhimento da Faculdade ou agendarem consulta via Whatsapp do projeto (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)
Há duas formas de agendar o atendimento. A pessoa interessada que já possui uma guia de encaminhamento pode procurar o setor de Acolhimento da Faculdade de Odontologia, no campus, e entregar o documento, que será avaliado pelo serviço de estomatologia. Outro meio é fazer contato direto com o projeto por meio do Whatsapp (32) 98465-6132. A equipe solicita informações ao paciente, analisa o que foi repassado e decide pela marcação de uma consulta inicial.
O serviço, gratuito, é destinado à população de Juiz de Fora e de todos os outros municípios da Zona da Mata Mineira, bem como de cidades mais próximas do estado do Rio de Janeiro. A Faculdade de Odontologia está localizada no campus da UFJF, no Bairro São Pedro. Saiba como chegar.
Extensão e pesquisas

Equipe do projeto, coordenada pelo professor Fabrício Tinôco (na ponta à esquerda), realiza atendimentos clínicos e desenvolve pesquisas (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)
O projeto também desenvolve pesquisas, com estudos voltados principalmente à epidemiologia e aos mecanismos fisiopatológicos das doenças bucais, fortalecendo a produção científica na área.
O projeto de extensão universitária, que é uma das formas de a Universidade atender demandas da população, atua de forma contínua ao longo do ano e em parceria com a Liga Acadêmica de Prevenção do Câncer de Boca (LapCab).
A estudante Stella dos Santos Rodrigues já atendeu mais de 20 pacientes desde que ingressou no projeto. Considera que a participação no serviço é um momento único na Faculdade para aprender sobre o diagnóstico e o tratamento de lesões. Explica que os pacientes do projeto tendem a passar por acompanhamento contínuo, às vezes todas as semanas, o que permite criar um vínculo com a equipe. Cita como exemplo os cuidados que oferece à paciente Shirley Macedo. “Quando entro de férias fico pensando ‘Como será que ela está?’, ‘Como está a lesão dela?’. Temos uma relação bem legal.”
Shirlei percebe o cuidado, ao considerar que o tratamento recebido, ao longo de dois anos e meio, é de excelência. A lesão que possui na boca, de causa autoimune, é recorrente, mas a equipe constatou que a enfermidade parou de avançar. “Indico agendar uma avaliação e fazer a anamnese (entrevista avaliativa inicial). Minha experiência aqui é ótima”, ressalta a paciente.

Shirlei Macedo é atendida na Faculdade há cerca de dois anos; lesão autoimune parou de avançar (Foto: Raul Mourão/UFJF)
Outras informações:
ufjf.br/odontologia
Projeto Estomatologia: Diagnóstico e Tratamento – (32) 98465-6132
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