Como um personagem é criado? Como são construídos todos os detalhes, poderes, skins e atributos que fazem com que o jogo valha a pena ser jogado? Tudo começa com uma ideia. Com um rascunho. Com um desenho. Após aceitarem o desafio lançado por Letícia Perani, pesquisadora do Instituto de Artes e Design (IAD), alunos do 8º ano da Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes visitaram nesta quinta, 13, no Centro de Ciências, o resultado da reimaginação de personagens desenhados por eles e recriados por estudantes do IAD. A exposição faz parte de iniciativa do projeto de extensão “A ciência que fazemos”.

Letícia Perani com os alunos do IAD responsáveis pelas obras inspiradas nos desenhos dos estudantes da Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes. (Foto: Twin Alvarenga)

(Re)desenhando um sonho 

No corredor do primeiro andar do Centro de Ciências, alunos observam com atenção cada detalhe dos desenhos expostos, as diferenças entre eles e fazem perguntas para os estudantes da UFJF. O aluno Breno, de 13 anos, conta que é apaixonado por videogames e sempre sonhou em trabalhar com jogos e ver o seu desenho ganhar vida na forma de arte para um jogo foi o princípio da realização de um sonho. “Eu quero muito ser desenhista e trabalhar em uma empresa de jogos no futuro. Agora vou me dedicar muito, começando fazendo uns quadrinhos até chegar ao desenvolvimento de jogos.”

Rafael Matiozzi, estudante de Artes Visuais do Instituto de Artes e Design (IAD) foi o responsável por recriar o desenho de Breno. Ele conta que a experiência de se inspirar em um desenho e, com base nele, criar um novo mundo é extremamente enriquecedora. “Eu fui pesquisando referências, pesquisando quem seriam os nomes que ele colocou, daí eu fui descobrir posteriormente que os nomes são de personagens que ele criou. Então, toda aquela bagagem imaginativa dele, eu consegui transformar em outra coisa. Talvez não tão como ele imagina, mas uma possibilidade para dar asa na criatividade dele”, explica.

No corredor do primeiro andar do Centro de Ciências, alunos observam com atenção cada detalhe da exposição resultado do trabalho do projeto A Ciência que Fazemos. (Foto: Twin Alvarenga)

União entre Ensino Básico e Ensino Superior

Esta é a quarta exposição promovida pelo projeto “A ciência que fazemos” e os estudantes que recriaram os desenhos foram coordenados pela pesquisadora do IAD, Letícia Perani. “É sempre muito gratificante, porque conseguimos ter esse intercâmbio de ideias e de criatividade entre os alunos das escolas públicas e os alunos do Instituto de Arte e Design”, conta. De acordo com a pesquisadora, essa troca beneficia todos os envolvidos, porque os alunos das escolas se sentem valorizados e se sentem mais incentivados a estudar. “Da mesma forma, os alunos do IAD também se sentem valorizados dentro do seu trabalho, porque eles são artistas em formação. Então, dar a oportunidade para eles de expor em um lugar como o Centro de Ciências, é também valorizar o trabalho e o estudo que esses alunos tão fazendo no momento aqui na nossa universidade”, aponta.

Letícia Perani (esq.) e Beatriz Jabour (dir.) entregam o resultado dos trabalhos feitos a partir da parceria dos estudantes do IAD com alunos da Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes. (Foto: Twin Alvarenga)

A ciência que fazemos

Desde 2017, o projeto de extensão “A ciência que fazemos” leva pesquisadores da UFJF até escolas da rede pública da região para aproximar a ciência realizada no campus e os estudantes do ensino básico. Cientistas de diferentes áreas vão até às escolas para um bate-papo com os alunos e contam a trajetória que os levou até a UFJF, apresentam o que pesquisam de forma lúdica e mostram que ser cientista é uma possibilidade futura real.

De acordo com a professora Beatriz Jabour da  Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes, parceira do projeto, os alunos se sentem mais motivados após participar de momentos como esse. “Muitas vezes eles se identificam com a área de conhecimento, com o pesquisador e conseguem ter acesso à algo que a escola não tem”, afirma. “Alguns alunos moram longe e nem sabem o que é a UFJF. Então, é uma oportunidade de conhecer e se interessarem na carreira acadêmica”, conclui.

A exposição permanece aberta ao público até 21 de agosto, no primeiro andar do Centro de Ciências da UFJF, com entrada gratuita.