O Grupo de Tradução do Sânscrito do NERFI constitui uma das atividades permanentes de formação e pesquisa do Núcleo. Seu objetivo é promover o estudo sistemático de textos fundamentais das tradições religiosas e filosóficas da Índia a partir de seus originais em sânscrito, articulando o aprendizado da língua, a análise textual e a investigação filosófica.
Os encontros são organizados em torno da leitura e tradução coletiva de textos, com atenção à gramática, à morfologia, à sintaxe, à formação das palavras, aos compostos (samāsa), às regras de sandhi e, sobretudo, aos problemas de interpretação envolvidos na passagem do sânscrito para o português.
A tradução é compreendida pelo NERFI não como uma simples substituição de palavras entre duas línguas, mas como uma prática hermenêutica. Muitos conceitos fundamentais das tradições indianas — como ātman, brahman, dharma, karman, mokṣa, jñāna, bhakti, yoga e śūnyatā — possuem campos semânticos próprios e adquirem sentidos específicos de acordo com o texto, a escola filosófica e a tradição comentarial em que estão inseridos.
Por essa razão, o trabalho de tradução envolve também a consulta às tradições exegéticas indianas, a comparação entre diferentes traduções e o estudo do contexto filosófico e religioso das obras.
O Grupo busca, assim, formar pesquisadores capazes de estabelecer um contato progressivamente mais direto com as fontes primárias e contribuir para um dos objetivos centrais do NERFI: a tradução, o estudo e a publicação em língua portuguesa de textos fundamentais das tradições filosóficas e religiosas da Índia.
Entre os textos trabalhados encontram-se obras pertencentes à literatura védica e pós-védica, aos Upaniṣads, à Bhagavadgītā, às tradições do Vedānta, do Yoga e do Budismo, entre outras.
A participação no Grupo de Tradução complementa o estudo formal da língua sânscrita e constitui também um espaço de formação coletiva, no qual pesquisadores em diferentes estágios podem desenvolver competências filológicas, filosóficas e hermenêuticas.