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Engenheira da Proinfra usa filosofia da indústria automobilística para propor melhorias na manutenção de instalações prediais de água

por Jaime Ulisses

Lia Salermo, engenheira civil da Proinfra. (Foto: Jaime Ulisses)

Um estudo da engenheira civil da Proinfra Lia Soares Salermo evidenciou a possibilidade de melhorar a manutenção em um sistema predial de água, conjunto formado pelas tubulações, reservatórios, equipamentos e dispositivos que permitem o abastecimento de água e o uso em cada um dos pontos de utilização, como torneiras, chuveiros e vasos sanitários.

O estudo foi realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas e faz parte da dissertação de mestrado apresentada, em 2005, à comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da mesma instituição, como parte dos requisitos para obtenção do título de mestre em engenharia civil.

A falta de manutenção do sistema predial pode acarretar problemas como contaminação da água, falhas no abastecimento e perda de grandes volumes devido a vazamentos.

Em edificações mais complexas, como é o caso de hospitais, a operação e manutenção dos sistemas prediais assume grande importância, pois, geralmente, as instalações são de grande porte, com vários pontos de consumo de água e com serviços que não podem ser interrompidos para a realização de manutenção.

Em um dos levantamentos, Lia observou que cerca de 25% dos pontos de consumo de água do hospital estudado possuíam algum tipo de problema. “Considerando-se apenas aqueles que apresentavam vazamentos, estima-se que, aproximadamente, 9.452 litros de água por dia, ou seja, 283.582 por mês, estavam sendo perdidos”, quantifica a engenheira.

Para propor melhorias no sistema de manutenção predial de água do hospital, Lia utilizou uma filosofia do Sistema Toyota de Produção (STP) chamada de Mentalidade Enxuta, que tem como objetivo o alcance da melhor qualidade com custo e tempo menores. “Experiências adquiridas em diferentes áreas têm sido transpostas com sucesso para a indústria da construção civil, apesar das suas particularidades”, explica a pesquisadora.

Entre as inúmeras proposições baseadas na filosofia da Mentalidade Enxuta, a engenheira desenvolveu um mapa de atividades de manutenção do sistema predial de água que pode ser aplicado em diversas edificações.

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Proposta de mapa das atividades de manutenção dos sistemas prediais de água do HC/UNICAMP. (Fonte: dissertação de mestrado)

No mapa desenvolvido, os funcionários da limpeza, após receberem treinamento, localizam e caracterizam os aparelhos com vazamentos em um cartão denominado kanban, que é entregue ao oficial do setor responsável por abrir a ordem de serviço manualmente ou através de sistema eletrônico e comunicar ao técnico.

O tempo máximo para detecção de um vazamento pelas equipes de limpeza foi estipulado em seis horas. Já o tempo médio para a realização da atividade de reparo foi estimado em 55 minutos.

Para cada célula de trabalho foi previsto um “supermercado” com um pequeno estoque de peças que são trocadas com maior recorrência. A retirada pelo técnico também seria realizada a partir dos cartões kanban para um maior controle da necessidade de reposição.

Caso a peça estivesse em falta no supermercado, a mesma seria solicitada ao almoxarifado através da intranet. Inicialmente, o abastecimento da célula por parte do almoxarifado foi programado com uma periodicidade de uma ou duas vezes ao dia.

No mapa proposto por Lia, três vezes ao dia um supervisor acompanha a execução dos serviços. De acordo com a engenheira, a interação dele com as atividades realizadas no interior das células, como análise da utilização dos supermercados, as condições dos serviços finalizados e a satisfação dos usuários finais, é imprescindível para o bom funcionamento do sistema. O recolhimento e o arquivamento das ordens de serviço também são realizados pelo supervisor.

Em caso de atividades mais complexas, outras células seriam acionadas pelo Departamento de Manutenção.

A engenheira afirma que a manutenção predial é parte integrante do ciclo de vida das edificações. “É importante evitar a falta de gestão, a alta incidência de improvisação, o despreparo técnico, a aquisição de materiais e ferramentas de baixa qualidade, a falta de infraestrutura adequada ao atendimento das necessidades e as filosofias inadequadas de trabalho impostas ou adquiridas pelos responsáveis pela manutenção”, complementa Lia.

 

Para ler a dissertação de mestrado, clique aqui.