A Feira (Foto Ígor Tibiriçá)

A Galeria Espaço Reitoria, no Campus-sede da UFJF, recebe a mostra “É Dia de Feira!”, de Mariâna Andrade e Rodrigo Diäs, artistas visuais que propõem um registro especial da tradicional “Feira da Pechincha”, que há mais de meio século acontece todos os domingos na Avenida Brasil, ressaltando seu valor como propriedade cultural popular da cidade. A exposição, que tem abertura dia 25, quinta-feira, traz dez painéis de 1,50m X 1m, representando feirantes cujas histórias são contadas não apenas pelas obras de arte, mas também por um documentário disponibilizado por meio de um paratexto com QR-Code que direciona o visitante para um vídeo no YouTube. 

Sandra Helena Vieira, Jessiel de Sousa Oliveira (Carioca), Ana Marçal Alves, Lucian Luiz, Francisco Eugênio (Ceará), Aldair Santana (Paneleiro), Zileia Aparecida da Silva (Zizi do Brasil), Sérvio Alves Lima (Baiano), Jaqueline Bárbara Fonseca e Roseni Luisa de Lima (Tia Rose) são as personalidades retratadas pela dupla de artistas, que conta um pouco da vida de cada um, costurando em sua arte fragmentos da trajetória pessoal e profissional desses feirantes. Trata-se de personagens marcantes, que fazem da feira dos domingos um território vibrante e repleto de histórias.

Exposição inaugura dia 25 de julho. (Foto: Ígor Tibiriçá)

A ideia é mostrar a importância social e econômica da feira livre ao abranger uma vasta diversidade de produtos e expressivo número de frequentadores a partir de seus trabalhadores. “Ressaltamos que, ao longo do tempo, a feira se configurou não só como meio de lazer, encontros e trocas sociais, como também se tornou um retrato da paisagem urbana juiz-forana, ressignificando o ambiente de uma vasta avenida e cerca de outras cinco ruas adjacentes. Através deste viés o projeto se desdobra em duas ações que se complementam, ou seja, as obras de arte e o documentário”, adiantam. 

Eles explicam que, tecnicamente, formaram as faces de dez trabalhadores através de colagens sobre acrílica, sobrepondo os materiais que cada um comercializa, sejam livros, acessórios femininos e masculinos, peças hidráulicas, discos, brinquedos, talheres, ferramentas, eletrônicos ou outros tantos. “À primeira vista, o aspecto exótico, pitoresco, e muitas vezes estranho dos produtos apresentados, nos faz questionar se tais artefatos poderiam ter algum comprador, mas, o que não serve para uns, é exatamente o que outros estão à procura”, analisam os artistas. 

Mariâna Andrade e Rodrigo Diäs ressaltam que transitar por essa feira, além da vantagem do aspecto econômico devido aos baixos preços, tornou-se para muitas pessoas uma espécie de programa de domingo, onde as trocas sociais e simbólicas entre feirantes e transeuntes de todas as partes, constituem experiências de cunho cultural e antropológico não apenas pessoais, mas coletivas também. “Desta maneira, mesmo que por poucas horas, acontece uma ressignificação do cenário urbano em pleno centro da cidade, nas proximidades da Rua Halfeld, às margens do Rio Paraibuna”. 

A proposta, inicialmente apresentada em 2023, pela galeria Ruth de Souza do Teatro Paschoal Carlos Magno, e, em 2025, pela Galeria de Arte Moinho, é agora revisitada pela galeria Espaço Reitoria, onde o público abrange desde estudantes, professores e funcionários até pessoas da comunidade externa, visitantes diários, muitos deles habituais, que utilizam o entorno do prédio central para atividades esportivas e de lazer. Desta vez, a exposição traz curadoria da professora Valéria Faria e expografia de Leo Venuto.