Encontros aproximam os usuários do funcionamento das plataformas Gov.br e Meu INSS (Foto: HU/UFJF-Ebsersh)

O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), vinculado à HU Brasil, presta apoio a pacientes de hemodiálise que têm dificuldades de acesso a plataformas digitais. O trabalho faz parte de uma ação de extensão do HU em parceria com a Faculdade de Serviço Social da UFJF e oferece atividades didáticas em grupo para facilitar a experiência de acesso às políticas de assistência social, previdência e saúde por meio das plataformas digitais do Governo Federal. 

A equipe de Serviço Social do hospital teve a ideia da iniciativa após entrevistas com 116 pacientes e 34 familiares, quando chamou a atenção o nível de exclusão digital. Segundo os dados coletados, foi observada a predominância de pessoas da terceira idade, com ensino fundamental incompleto ou ausência de escolarização formal; dessas, 37,4% relataram deficiências, como baixa visão. Já na área da tecnologia, 64,3% afirmaram não ter conta no Gov.br; 23,5% não possuíam acesso a dispositivos eletrônicos; e 53% também não apresentavam endereço de e-mail.  

Além disso, foram identificadas dificuldades relacionadas à compreensão de termos comuns do ambiente digital, como “app” e “login”, além de recorrentes perdas de senha e compartilhamento indevido de dados pessoais – inclusive de informações da conta Gov.br, o que torna importante a inclusão da segurança digital como eixo central do projeto. 

Diante dessa realidade, foram propostas atividades em grupos de ajuda mútua e aprendizado coletivo. Cada encontro aproxima os usuários do funcionamento das plataformas Gov.br e Meu INSS. O plano de instrução foi desenvolvido a partir da própria vivência dos utilizadores com a tecnologia. Surgiu, então, a metodologia de “alfabetização digital”, dividido em aprendizagem de conceitos básicos, prática e momento tira dúvidas. A equipe também utiliza abordagens em sala de espera e atendimentos individuais, respeitando a dinâmica e a disponibilidade de cada turno da hemodiálise. 

De acordo com Luciene Sales, assistente social da Unidade de Sistema Urinário do HU-UFJF, o trabalho da equipe possibilita mais que o acesso a políticas de assistência social: “não se trata apenas de políticas de assistência, mas de políticas de seguridade social, que envolvem saúde, previdência e assistência. O grande desafio identificado foi a necessidade de orientar e tornar mais acessíveis as atuais formas digitais de acesso aos direitos sociais implementadas pelo governo brasileiro”, afirma.

Acolhimento que gera autonomia
Luciene afirma que os participantes se sentem inseguros e despreparados para acessar informações e utilizar aplicativos, e que por isso “o projeto é um espaço de escuta e acolhimento das demandas desses usuários”.

Franciane Florêncio é acompanhante do marido na terapia renal substitutiva e, antes de conhecer o projeto, sempre tinha dúvida a respeito de algumas ferramentas enquanto utilizava os aplicativos. Foi nesse momento que o projeto de inclusão digital a orientou de forma satisfatória: “eu passei a conhecer alguns serviços do Gov.br através da equipe. Eles foram muito educados e utilizavam palavras claras que ajudavam a entender com muita facilidade”, afirma. 

Espaço de aprendizagem para os graduandos
O projeto também recebe estudantes da UFJF para o suporte aos pacientes e reforça o papel de atividades práticas de extensão. “Foi a primeira oportunidade para que eu acompanhasse o dia a dia da atuação profissional das assistentes sociais”, conta Davi Santos, que participa do programa de extensão desde que encontrou o anúncio do processo seletivo no site da Faculdade de Serviço Social. 

O contato com os pacientes marcou a experiência dele já no primeiro dia com as entrevistas, “vi muitos relatos e percebi que teria um contato muito rico com essas pessoas”, relembra Santos. Para se conectar ainda mais com os participantes, ele buscou estudar a fundo os direitos e benefícios que são possíveis de acessar na internet, em um momento que os serviços públicos são cada vez mais informatizados. 

Segundo o acadêmico, o maior desafio é a heterogeneidade do público. “Precisamos fazer com que o conteúdo apresentado seja claro para pessoas com diferentes níveis de conhecimento, contato e acesso a essas tecnologias. Temos usuários que sabem acessar plataformas como o Gov.br e o Meu INSS, enquanto outros não possuem celular ou internet, por exemplo. Por isso buscamos nos atentar para que, em um projeto sobre inclusão digital, a gente não exclua ninguém de um debate tão importante”, conclui. 

Como solicitar o suporte
Os pacientes que realizam sessões regulares de hemodiálise e têm interesse em participar do Projeto de Inclusão Digital podem entrar em contato com o número (32) 4009-5332 ou com o Serviço Social do Setor de Nefrologia para agendar um atendimento presencial. 

Sobre a HU Brasil
O HU-UFJF faz parte da Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.