
Museu de Cultura Popular abriga exposição “Quando a noite virou festa” durante o mês de junho. (Foto Franciane Lúcia).
É tempo de Festa Junina no Brasil, quando música, comidas típicas e religiosidade se encontram em uma das mais importantes celebrações populares. O Forum da Cultura da UFJF entra nesse clima trazendo ao público a exposição “Quando a noite virou festa”, em cartaz ao longo do mês de junho no Museu de Cultura Popular.
Guiando os visitantes pela noite de festejos, estão os três santos católicos vinculados a essa tradição popular. Efígies de Santo Antônio, São João e São Pedro, juntamente com mais de 30 outros itens, ajudam a preservar as danças, brincadeiras, trajes, músicas e crenças que marcam o mês de julho em diferentes regiões brasileiras.
Cerâmica, gesso e barro são as principais matérias-primas escolhidas pelos artesãos a fim de criarem peças que contam e eternizam cenas dos populares casamentos na roça e danças de casais e de figuras icônicas em muitas festas juninas, como os noivos a cavalo, o trio nordestino e os tocadores de pandeiro, sanfona e pífaros. Os itens expostos são oriundos de cidades como Caruaru (PE), Guaratinguetá (SP), Taubaté (SP), Juiz de Fora (MG) e Fortaleza (CE).

Mais de 30 itens pertencentes ao acervo do Forum da Cultura compõem a exposição. (Foto: Franciane Lúcia)
A fim de relembrar um dos principais momentos das festas juninas, a exposição traz a maquete cenográfica “Quadrilha”, produzida no ano de 2005 pela Equipe de Criação Cenográfica do Projeto de Iniciação Artística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Criada com diferentes materiais, a obra representa a dança coletiva bailada em pares, trajados com roupas coloridas e tipicamente caipiras, com coreografia específica baseada em passos tradicionais. Na maquete, também é possível conferir representações do casamento na roça, das famosas decorações juninas, das barracas de comidas – como maçã do amor, bolo de milho, pipoca – além das conhecidas barraquinhas de pescaria, correio elegante, e, claro, a fogueira, que é um elemento essencial na celebração.
Ainda sobre danças, também chamam atenção as peças que representam as cirandas, grandes rodas onde os participantes caminham juntos no ritmo da música e entoam clássicos infantis ou regionais, adaptados para celebrar a fogueira, o milho e o amor.
Um dos destaques da exposição é o cantinho das simpatias que têm origem em tradições pagãs e religiosas, que se misturaram e foram adaptadas ao longo do tempo. Elas são práticas folclóricas que buscam atrair coisas boas, como amor, dinheiro, sorte, ou afastar o mal. Os visitantes poderão conferir – e até mesmo realizar – a simpatia do feijão (São João), a simpatia de pedidos para Santo Antônio, o santo casamenteiro, e a simpatia de proteção da residência (São Pedro).
Ornamentando todo o espaço, estão os icônicos chapéus de palha. Esses objetos, muitas vezes vistos como simples, carregam a essência de brasilidade, se firmando como o principal símbolo da identidade caipira e da vida no campo nas festas juninas. Ele representa a herança cultural do sertanejo e a relação direta com a terra, homenageando o trabalhador rural e as tradições de colheita.
Para a Conservadora e Restauradora de Bens Culturais do Forum da Cultura, Franciane Lúcia, mais do que preservar a tradição popular, a exposição também reverbera em outros aspectos sociais. “As festas juninas brasileiras são um patrimônio cultural imaterial brasileiro. Elas são celebrações singulares no mundo todo, justamente por unir influências indígenas, africanas e europeias, que por sua vez, também são muito peculiares. Além disso, essas festas e todo o universo lúdico e visual que elas carregam fortalecem os laços comunitários e familiares. Exposições como essa preservam mais do que objetos, preservam um modo de se expressar brasileiro”.
