Cerimônia de instalação contou com a presença de autoridades do contexto de combate à violência. (Foto: Dionatam Fonseca)

O combate à violência contra a mulher alcançou mais um espaço no campus Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-GV): foi instalado, na Unidade São Pedro, o Banco Vermelho, iniciativa nacional que tem como principal objetivo a luta pelo fim do feminicídio. A solenidade foi realizada na última terça (18), e reuniu docentes, técnico-administrativos da Universidade, estudantes e autoridades de diferentes instituições também envolvidas no contexto da campanha.

Durante o descerramento do Banco, o vice-diretor da UFJF-GV, prof. Alex Moura, destacou como a importância do tema ultrapassa a instalação do objeto. “A Universidade é um espaço de formação: formamos profissionais, produzimos conhecimento, desenvolvemos ensino, pesquisa e extensão, mas também participamos da formação da sociedade. Essa responsabilidade ultrapassa os limites da sala de aula, e quando uma universidade coloca em seu espaço um símbolo como esse, ela está dizendo publicamente que determinados valores são inegociáveis. O respeito à mulher é inegociável, a dignidade humana é inegociável. Queremos que nossas estudantes, servidoras, professoras e todas as mulheres que passam pelos nossos espaços saibam que não devem enfrentar situações de violência ou assédio em silêncio”.

No mesmo tom, a ouvidora especializada em ações afirmativas da UFJF, profa. Eliete do Carmo, reforçou o compromisso da Universidade em repensar práticas e rever políticas na prevenção da violência e na promoção de direitos, visando a um ambiente mais respeitoso e acolhedor. “Que esse Banco Vermelho nos faça parar, olhar, refletir e também nos faça agir, para transformar o respeito, equidade e a defesa incondicional à vida em práticas cotidianas”.

“O respeito à mulher é inegociável, a dignidade humana é inegociável” Alex Moura, vice-diretor da UFJF-GV

Em sua fala, a coordenadora do Núcleo de Integração e Fortalecimento da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica de Governador Valadares (Nifram) destacou a atuação do grupo há mais de dez anos no combate à violência da cidade. “O Banco nos lembra das vítimas, mas também representa a presença das instituições, da Universidade, do Poder Público e da comunidade, pois esse trabalho não se faz sozinho. Temos responsabilidade na transformação da realidade, e nesse sentido atua o Nifram”, relatou a professora Juliana Goulart.

Banco Vermelho é um convite para a reflexão e ação no combate à violência. (Foto: Dionatam Fonseca)

A solenidade de instalação do Banco Vermelho na UFJF-GV contou, também, com a participação da representante da Comissão de Assédio da UFJF-GV, a servidora Luiza Mafra; a coordenadora do Grupo de Articulação da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e de Atendimento (GAR-GV), a promotora Carla Regina Duvanel; a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/GV), Bárbara Peres; a presidente do Conselho Municipal da Mulher, Elidamárcia Lana; a Delegada titular e representante da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Carolina Bomfim Gabler; a coordenadora da Patrulha da Polícia Militar, Sargento Dayana Silva, e a psicóloga do Coletivo Abayomi, Sabrina Bertolini.

Em março deste ano, o Banco Vermelho foi implementada no campus Juiz de Fora, onde a iniciativa irá percorrer diferentes espaços da Universidade.

O Instituto Banco Vermelho

Fundado em novembro de 2023, o Instituto é uma organização sem fins lucrativos e sem vínculos políticos, criada pela determinação de duas mulheres recifenses, Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que perderam amigas para o feminicídio. Elas lideram o Instituto na promoção da prevenção e conscientização por meio de ações, palestras, tecnologia, educação, intervenções urbanas, projetos de lei e outras iniciativas essenciais para proteger e salvar vidas de mulheres.

Entre 196 nações, o Brasil é o 5º país no mundo que mais mata mulheres. Estima-se que a cada seis minutos, uma mulher é estuprada no Brasil; a cada seis horas, uma mulher é vítima de feminicídio no brasil. Nesse contexto, 90% dos assassinos de mulheres e meninas são homens. Se você ou alguém que você conhece está sofrendo violência, use estes números:

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher

Ligue 190: Polícia Militar

Mais informações: institutobancovermelho.org.br/