A banca de heteroidentificação é uma etapa complementar à autodeclaração racial (Foto: Carolina de Paula/UFJF)

A Diretoria de Ações Afirmativas (Diaaf) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), divulgou o balanço das bancas de heteroidentificação realizadas no primeiro semestre de 2026 dos candidatos aprovados nas provas do Processo de Ingresso Seletivo Misto (Pism) e no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Ao todo, foram realizadas 889 avaliações presenciais, distribuídas em dez sessões nos campi de Juiz de Fora e Governador Valadares.

Durante o período, 929 candidatos foram convocados para participarem das bancas. Desse total, 760 compareceram às bancas, distribuídas em 10 sessões de avaliação. 

Na análise inicial, realizada pela banca ordinária, 632 tiveram a autodeclaração deferida, enquanto 128 foram inicialmente indeferidos. Também foram registradas nove renúncias após a realização da banca.

Os candidatos que tiveram a autodeclaração indeferida puderam recorrer da decisão. Ao todo, 119 recursos foram analisados pelas bancas recursais compostas por novos avaliadores, diferentes daqueles que participaram da primeira etapa. Destes, 39 foram deferidos e 80 permaneceram indeferidos. 

As bancas recursais garantem que o candidato tenha o direito de contestar o resultado da primeira avaliação, sendo compostas por novos membros, diferentes daqueles que participaram da banca ordinária. A medida reforça a imparcialidade, a transparência e a segurança jurídica do procedimento.

“As bancas contribuem para garantir que as vagas destinadas às pessoas negras sejam efetivamente ocupadas”, afirma Danielle Teles, da Diretoria de Ações Afirmativas (Diaaf).

Equipe capacitada

O processo foi conduzido por uma equipe de 70 heteroidentificadores, entre servidores técnicos-administrativos, docentes e estudantes. Todos passaram por uma capacitação para atuar no processo, com formação voltada aos conteúdos históricos, jurídicos, éticos e técnicos relacionados às políticas de ações afirmativas e aos critérios de avaliação fenotípica.

Para a diretora de Ações Afirmativas, Danielle Teles, o número evidencia a grande dimensão que as políticas de ações afirmativas assumiram dentro da Universidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade institucional envolvida na sua efetivação. Ela também enfatiza que se trata de processo que mobiliza logística, formação continuada, diferentes equipes e segmentos, acolhimento aos candidatos e rigor técnico nas avaliações. 

“Importante destacar que essa mobilização não envolve apenas as pessoas que atuam diretamente nas bancas, mas também profissionais e setores que trabalham nos bastidores, oferecendo suporte administrativo, operacional e institucional para que todo o processo aconteça de forma organizada, segura e responsável.”

Danielle também explicou que a realização das bancas envolve esforço institucional que mobiliza diferentes setores da Universidade, desde equipes diretamente ligadas às avaliações até profissionais responsáveis pelo suporte administrativo, operacional e logístico. “O próprio processo também possui um importante papel pedagógico e social, porque contribui para ampliar o letramento racial dentro da universidade e fortalecer o enfrentamento ao racismo institucional e estrutural.”

Ao avaliar o resultado do processo, a diretora destaca que as ações afirmativas representam um esforço coletivo da Universidade para enfrentar as desigualdades históricas e ampliar oportunidades de acesso ao ensino superior. “Esse balanço demonstra que a universidade pública tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais democrática, diversa e menos desigual.”

Como funcionam as bancas?

A banca de heteroidentificação é uma etapa complementar à autodeclaração racial e é realizada com base exclusivamente no critério fenotípico avaliado pela comissão especialmente treinada. São avaliadas um conjunto de características como cor da pele, textura do cabelo e traços faciais, a fim de verificar se o candidato é socialmente reconhecido como pessoa negra (preta ou parda). 

Para Danielle, a heteroidentificação atua como instrumento de proteção da própria política de cotas. “Ela contribui para garantir que as vagas destinadas às pessoas negras sejam efetivamente ocupadas por quem é sujeito de direito dessa política. Na prática, isso fortalece a credibilidade das ações afirmativas, promove maior justiça no acesso às vagas e ajuda a preservar o objetivo histórico das cotas raciais, que é enfrentar desigualdades estruturais produzidas pelo racismo.”

Outras informações: Diretoria de Ações Afirmativas (Diaff)