A primeira reunião ordinária de 2026 do Conselho Superior (Consu) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ocorrida nesta quinta-feira, 12, foi marcada por uma série de informes da reitora Girlene Alves sobre obras, orçamento, políticas institucionais e tratativas com o Governo Federal.

As obras do Hospital Universitário – gerido pela Ebserh – terão início em breve. Após processo licitatório, a empresa vencedora está no local realizando os preparativos para instalação do canteiro de obras. A gestão informou que tem realizado estudos técnicos, especialmente na área de mobilidade, para minimizar impactos no trânsito. Uma das medidas previstas é a utilização do estacionamento do CAEd como apoio logístico durante o período das intervenções.

Em relação à Faculdade de Veterinária, a licitação já foi concluída e a Universidade aguarda parecer do Ministério da Educação (MEC) para autorizar o início da obra.

No campus de Governador Valadares, além das decisões sobre construção e aquisição de imóveis, a reitora destacou a demanda por um hospital próprio. Atualmente, as atividades práticas dos cursos da área da saúde são realizadas em parceria com unidades da rede municipal e filantrópica da cidade. A administração acolheu a demanda e seguirá em diálogo com o MEC sobre o tema.

Reunião da Andifes e políticas de enfrentamento à violência
Durante os informes, Girlene destacou ainda a participação em reunião da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), acompanhada da pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Priscila Pinto.

No encontro, foi assinado um Protocolo de Intenções para Prevenção, Acolhimento e Enfrentamento da Violência contra as Mulheres nas Universidades Federais, articulado entre o Ministério das Mulheres, o MEC e a Andifes. A iniciativa prevê ações permanentes de prevenção, criação de núcleos multidisciplinares de acolhimento, comissões de enfrentamento à violência de gênero, observatórios de igualdade, formações continuadas obrigatórias, ouvidorias femininas autônomas e incentivo à liderança feminina.

Diálogo com o MGI
A reitora também apresentou informes sobre reunião com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Entre os temas debatidos estão: possibilidade de contratação de técnicos administrativos substitutos para cargos de direção; definição de feriados e pontos facultativos – segundo o MGI, as instituições federais não têm autonomia para instituí-los; pagamento de ajuda de custo em casos de redistribuição de servidores; e definição de quantitativo de cargos para concursos públicos.

A reitora informou ainda que a Advocacia-Geral da União (AGU) está elaborando uma cartilha com orientações às procuradorias das universidades sobre providências diante de ataques a gestores.

Mudanças administrativas e economia
A reitora também informou sobre a transferência da Coordenação de Registros Acadêmicos (Cdara) e da Coordenação-Geral de Processos Seletivos (Copese) para o interior do campus. Antes instalados fora da Universidade, agora os setores passam a funcionar em espaço próprio, gerando economia anual estimada em mais de meio milhão de reais.

Restaurante Universitário e reparos emergenciais
Outro ponto abordado foi a situação do Restaurante Universitário do campus-sede. Após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, foi identificada uma infiltração no teto que compromete parte do forro de PVC do salão principal. A Pró-Reitoria de Infraestrutura da UFJF (Proinfra) já iniciou os reparos, mas ainda não há previsão para retomada das atividades no espaço.

De acordo com avaliação técnica preliminar, o custo das intervenções pode chegar a R$2 milhões. A demanda foi formalmente apresentada ao MEC, com solicitação de recursos específicos para garantir a continuidade do serviço aos estudantes.

Bancas de heteroidentificação
Pela primeira vez, as bancas de heteroidentificação passaram a ocorrer de forma totalmente presencial e antes do início das aulas. Segundo a gestão, a mudança busca conferir maior agilidade ao processo e fortalecer os mecanismos de verificação das cotas destinadas a candidatos negros (pretos e pardos), reduzindo riscos de fraudes.  

Editora
Fernando Perlatto apresentou seu parecer acerca da proposta de minuta do Regimento Interno da Editora da UFJF. Fundada em 1986, a Editora da UFJF tem como missão fomentar e impulsionar o avanço do ensino e da pesquisa. Atualmente vinculada à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (Propp), constitui-se como um relevante meio de divulgação científica, dedicando-se à publicação e à distribuição de obras oriundas das atividades de pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito da Universidade. A Editora também amplia seu alcance ao acolher e divulgar trabalhos de pesquisadores externos à instituição.

Após apresentar sugestões de alteração na minuta, o parecer foi favorável, sendo aberto o debate no Consu. Após as discussões, ficou encaminhado que a Propp avalie o relato do professor e apresente um documento com as propostas de alteração, para que os textos sejam discutidos pelos conselheiros em breve.

Doações
A UFJF também receberá, após aprovação dos conselheiros, a doação de alguns bens vinculados ao Projeto “PETROBRAS – GFQSI-GNPB-3 – Remoção de Sulfurados em Fração de Hidrocarbonetos C5”, da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Fadepe).

A doação, com valor equivalente a R$175.980,00, é composta por 12 monitores da marca Samsung e seis gabinetes da marca Aorus.

Indeferimento de matrícula 

Esteve presente na reunião uma estudante que interpôs recurso ao Conselho Superior após o indeferimento de sua matrícula na instituição. Ela foi aprovada pelo sistema de cotas socioeconômicas, mas sua matrícula foi indeferida por falta de documentação. Após defesa presencial durante o colegiado, os conselheiros votaram pela manutenção do indeferimento da matrícula.

A próxima reunião do Conselho acontece no dia 20, de forma extraordinária, para tratar o Programa de Gestão e Desenvolvimento (PGD). A reunião acontece a partir das 14h.