O cabo de guerra foi a prova mais emocionante da gincana. (Foto: Ivan Bretas)

O que acontece quando estudantes universitários se mobilizam para praticar o bem e ajudar instituições filantrópicas da cidade? O resultado são quase 1200 quilos de alimentos e outros materiais arrecadados e a obtenção de 73 novos doadores de sangue e medula óssea. Esse foi o saldo da 9ª Gincana Solidária do campus da Universidade Federal de Juiz de Fora em Governador Valadares (UFJF-GV), lançada durante o evento de boas-vindas dos calouros, realizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) no último dia 6 deste mês. Já o encerramento da competição aconteceu nas últimas quarta e quinta, 15 e 16, na quadra do Restaurante Universitário do Centro, com quiz, provas de corrida do saco, queimada e cabo de guerra e apresentações musicais.

Com 3.040,38 pontos, a equipe 2 – formada pelos cursos de Administração, Direito, Farmácia, Fisioterapia e Odontologia – venceu a equipe 1 – Ciências Econômicas, Educação Física, Medicina e Nutrição -, que obteve 2.816,80 pontos. Mas a grande vencedora desta nona edição da gincana foi a solidariedade.

Realizada desde setembro de 2014, a atividade é organizada pelo DCE e Diretórios Acadêmicos (DAs) em parceria com o setor de Comunicação, Cultura e Eventos da UFJF-GV.

Solidariedade
Promover o bem é o principal objetivo do evento, como explicou o representante do DCE, João Gonçalves Ferreira Neto. “O pano de fundo é a questão da solidariedade. Essa quadra vai ficar cheia de alimentos para doar às instituições, para o pessoal que realmente precisa.” Ele parecia prever o sucesso da gincana. De fato, o local ficou repleto de gêneros alimentícios, além de produtos de limpeza e de higiene pessoal. A quantidade de material foi 50% maior que a arrecadada na edição do primeiro semestre deste ano. As doações vão ajudar a abastecer três entidades filantrópicas de Governador Valadares que cuidam de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Foram arrecadados cerca de 1200 quilos de alimentos, o dobro das doações do primeiro semestre. (Foto: Sebastião Junior)

A Fundação Casa da Menina é uma das beneficiadas. A assistente social Perpétua Drumond explica que a instituição – que recebe crianças de zero a 17 anos, vítimas de maus-tratos, abandono e abuso sexual – é mantida por meio de colaborações e de convênio firmado com o município. Por isso, segundo ela, os produtos arrecadados pelos estudantes “é fundamental para que a entidade sobreviva, porque é a comunidade que realmente abastece com doação de leite, alimentos e fraldas.” A estimativa de Perpétua é que as arrecadações mantenham a fundação por um período de quatro meses.

A gincana também vai fazer a diferença para a Associação Santa Luzia. Há 50 anos em Governador Valadares cuidando de jovens, adultos e idosos sem condições de subsistência, a instituição é outra que sobrevive graças à generosidade das pessoas. O coordenador João Bosco da Mata afirma que os alimentos doados “ajudam a equilibrar as receitas e despesas durante o mês” e a proporcionar “uma melhor qualidade de vida para os moradores”. A fundação abriga atualmente cem internos, que consomem cerca de 30 quilos de alimentos todos os dias.

Além da Casa das Meninas e da Associação Santa Luzia, a Creche Madre Teresa de Calcutá vai receber parte das doações.

Integração entre os estudantes
A gincana também é uma oportunidade de integração entre os estudantes, seja para quem está ingressando agora na universidade ou para quem está prestes a se formar. É o que faz questão de destacar o representante do DCE.

Cada uma das equipes da gincana apresentou um número musical. (Foto: Ivan Bretas)

“A gente sempre prezou, sempre buscou essa integração maior entre todo o campus. Integrar ao máximo a galera com o servidor, com o professor e com a galera de outros períodos, juntar todo mundo para fazer um festival de solidariedade. E aí fazer com que o calouro entenda que a universidade é muito mais do que a sala de aula. A gente deve sempre buscar esses espaços e fazer com que a galera participe mesmo e saia um pouco da sala de aula para viver o mundo com a galera de fora da universidade”, enfatiza João Gonçalves.

Victor Fugo Ferreira, 18, é calouro do Direito, e afirma que os “estudantes não têm, às vezes, na sala, uma convivência favorável em termos de conhecer uns aos outros, por causa da correria dos estudos.” O discente ainda acrescenta que “a atividade esportiva agrega valores de inclusão” aos alunos dos diversos cursos do campus.

Rolou muita música no encerramento da gincana. (Foto: Sebastião Junior)

Veterana, Stephanie Queiroz, 21, já participou de várias gincanas e acompanhou toda a evolução da competição. “Quando eu entrei não tinha jogos, era só trazer o que conseguia. Agora é muito mais legal. A galera se anima muito mais e junta todos os cursos e conhece todo mundo. Todo mundo se conhece, bate papo e fica amigo aqui”, afirmou a acadêmica do 8º período de Farmácia.

Confira as fotos do encerramento da Gincana neste link.