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Mostra “Motriz” transforma arte, natureza e psicanálise em convite à reflexão no Forum da Cultura

Exposição reúne 12 pinturas e intervenções em land art que exploram temas como força interior, resiliência e os desafios emocionais da vida contemporânea.

 

Motriz é a força capaz de colocar um corpo em movimento, vencendo as resistências que se opõem a ele. O conceito, originário da física, inspira o título da nova exposição da artista visual Natane Castro, em cartaz na Galeria de Arte do Forum da Cultura. Estabelecendo um diálogo entre física, mente humana e natureza, a mostra convida o público a uma experiência estética que atravessa temas como resiliência, memória e reconstrução.

O vernissage, gratuito e aberto ao público, será realizado na próxima terça-feira, dia 28, às 18h30. Além de apresentar a exposição, Natane Castro realizará uma pintura ao vivo durante a abertura. A programação também contará com a presença da comunicadora Junice Souza e da psicóloga Andréia Stenner, que participarão, ao lado da artista, de uma conversa sobre arte, psicanálise e saúde mental.

A exposição reúne 12 trabalhos, entre pinturas e intervenções em land art, que exploram as forças internas capazes de impulsionar o ser humano diante da adversidade emocional. Corpo, paisagem, memória e experiência psíquica se entrelaçam em uma série que propõe uma reflexão sensível sobre os mecanismos de resistência e sobrevivência emocional em meio aos desafios da vida contemporânea.

“A exposição nasceu a partir de um processo de busca do meu próprio inconsciente. Conciliando esses momentos da minha vida com as pesquisas que

Obra “Iceberg emocional”

realizo para criar minhas obras, comecei a perceber que algo estava sendo externalizado. Aproveitei a associação entre a natureza e a psique para retratar cenas que, mesmo duras, não levassem a exposição para um lugar de desesperança”, explica Natane Castro.

A artista conta que encontrou na física a inspiração para o título da mostra. “Motriz é aquela energia que impulsiona e coloca tudo em movimento. Quando passamos por momentos difíceis, a única forma de seguir é encontrar nossas forças vitais e olhar para o futuro. Essa exposição foi o que me fez seguir em frente; minha arte foi terapêutica.”

Embora tenha origem em experiências pessoais, a exposição ultrapassa o caráter autobiográfico para dialogar com vivências universais. As obras criam um espaço de identificação, convidando o visitante a refletir sobre seus próprios processos de enfrentamento, fragilidade e permanência. Nesse percurso, a arte surge como mediadora entre subjetividade e mundo, oferecendo novas possibilidades de elaborar emoções frequentemente silenciadas no cotidiano.

Angústia, culpa e medo estão entre os sentimentos retratados nos trabalhos. Para traduzir essas emoções, Natane encontrou na natureza sua principal fonte de inspiração, lembrando que, assim como os ciclos naturais, a vida também é marcada por transformações.

“Ao observar o mundo orgânico, encontro ressonância para muitos sentimentos e consigo compreender melhor a própria existência humana. Levei para as obras aspectos destrutivos da natureza — como a água que afoga, a terra seca e o fogo que consome — para representar períodos difíceis da vida. Mas também acredito que, se nos abrirmos a esses processos, entenderemos que tudo é passageiro e que, depois do caos, a tranquilidade volta a surgir”, reflete.

Fotografia da série “Incinerar-te”

As obras foram produzidas com pintura acrílica sobre tecido de algodão e intervenções em paisagens naturais, posteriormente registradas pelo fotógrafo Eduardo Realino e incorporadas à exposição. O uso desses suportes reforça a relação entre matéria, corpo, território e memória, evidenciando o caráter processual da pesquisa artística. Elementos como fogo, madeira e folhagens também integram a composição dos trabalhos.

As telas transitam entre o abstracionismo poético e a expressão simbólica, explorando formas orgânicas, gestos pictóricos e relações cromáticas que evocam estados emocionais e experiências de resistência. Entre os destaques está “Gritos Silenciosos”, em que diferentes tonalidades de azul revelam a figura de uma pessoa afundando no mar enquanto uma face emerge em um grito. Já “Aridez da Culpa” apresenta galhos secos que formam a silhueta de uma pessoa arrastando-se sobre um solo rachado em direção ao sol.

Para Natane Castro, a mostra amplia o debate sobre arte contemporânea, subjetividade, processos criativos e a relação entre ser humano e natureza. “Acredito que Motriz pode contribuir para discussões sobre cultura, educação, saúde mental e bem-estar. Em uma sociedade marcada pelo desgaste emocional e pela automatização da vida, espero que meus trabalhos sejam um convite à pausa e à reflexão sobre as marcas da alma.”

Natane Castro foi uma das artistas selecionadas pelo Edital de Ocupação da Galeria de Arte do Forum da Cultura 2026.

A exposição “Motriz” permanece em cartaz até o dia 14 de agosto, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h.

 

Uma imersão na land art

Natane Castro realizando uma de suas obras.

Surgida no fim da década de 1960, principalmente nos Estados Unidos, a land art utiliza a própria natureza como suporte e matéria-prima para a

criação artística. Em vez de produzir obras destinadas a galerias e museus, seus artistas intervêm diretamente na paisagem, empregando elementos como terra, pedras, água, areia, plantas e o próprio relevo.

Na construção de “Motriz”, Natane levou essa proposta ao extremo. Com o apoio de equipes especializadas em esportes de aventura, realizou rapel em cachoeiras e outras intervenções em ambientes naturais para produzir parte das obras. A experiência fazia parte da pesquisa artística e buscava vivenciar, na prática, processos de enfrentamento do medo e de superação.

 

Mais sobre a artista

 

Natane Castro é artista visual e pesquisa as relações entre emoções, inconsciente e natureza. Sua produção explora texturas, formas e movimentos por

Natane Castro

meio de pinceladas livres, entendendo a arte como uma linguagem capaz de traduzir experiências humanas e promover identificação e acolhimento.

Residente em Juiz de Fora (MG), é bacharela em Artes e Design e em Artes Visuais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Natural do interior de Minas Gerais, encontra em sua cidade de origem uma importante fonte de inspiração, estabelecendo um diálogo constante entre suas memórias, as paisagens naturais e o processo criativo.

Ao longo da carreira, participou de exposições individuais e coletivas no Brasil, em Portugal e na Espanha. Entre os destaques estão as mostras individuais Além de Você (2019) e Atma (2024), além de participações em exposições promovidas pela UFJF, pela Associação de Belas Artes Antônio Parreiras (ABAAP) e pela Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais.

Sua atuação também abrange intervenções em land art, projetos de restauração, pintura mural e arte aplicada em espaços arquitetônicos. Em 2022, publicou o artigo “A influência da arte no imaginário simbólico e a potencialidade humana de compreender emoções através da linguagem”, ampliando sua pesquisa para o campo acadêmico. No mesmo ano, foi homenageada pelo Projeto Patrimonial de escolas municipais de Pedralva (MG) em reconhecimento à sua contribuição cultural.

 

Galeria de Arte

 

O espaço, instalado em um local privilegiado no segundo pavimento do Forum da Cultura, abriga produção eclética, com exposições de artes plásticas, documentais e pedagógicas, que já chegaram a ter mais de mil visitantes por mostra. Criada em 1981, no reitorado do professor Márcio Leite Vaz, a galeria recebe importantes nomes da pintura de Minas Gerais e da cidade, além de jovens artistas e coletivos. Em janeiro de 2024, o espaço passou por reforma, substituindo as antigas placas de madeira por novas, garantindo assim um espaço renovado, com estruturas reforçadas para as mostras a serem expostas. O sistema de iluminação também foi renovado, possibilitando mais destaque para as obras em exibição.

 

Forum da Cultura

 

Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para divulgarem seus trabalhos.

 

Endereço e outras informações

 

Forum da Cultura

Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora

www.ufjf.edu.br/forumdacultura

E-mail: forumdacultura@ufjf.br

Instagram: @forumdaculturaufjf

Telefone: (32) 2102-6306