Estarão em exibição indumentárias, objetos utilizados nas cerimônias, registros fotográficos e outros itens cedidos pela Loja Maçônica Fidelidade Mineira.

Itens da Loja Maçônica Fidelidade Mineira em exibição.
Entre esquadros e compassos, revisitando a história de Juiz de Fora sob o olhar do Grande Arquiteto, o Forum da Cultura da UFJF abre as portas do casarão para receber a visita da Maçonaria. Ao longo do mês de fevereiro, a Galeria de Arte apresenta a mostra ‘Luzes sobre a cidade – A maçonaria e a formação de Juiz de Fora’, uma exposição que adentra o universo dessa irmandade filosófica, filantrópica e progressista, trazendo ao público aspectos de sua história, impacto social e riqueza de elementos visuais. A abertura ocorre na próxima quinta-feira, dia 5, às 18h30, e contará com a participação de Alexandre Nocelli, atual presidente da Loja Maçônica Fidelidade Mineira, e do professor Carlos Magno Adães. O evento é gratuito e aberto ao público em geral.
Estarão em exibição mais de 40 itens cedidos pela Loja Maçônica Fidelidade Mineira, a mais antiga de Minas Gerais em funcionamento ininterrupto, fundada em Juiz de Fora, em 12 de março de 1870. O público poderá conferir de perto, por exemplo, os aventais, peças centrais da indumentária maçônica simbolizando honra, trabalho e tradição; a bolsa de propostas, que é um saco que se recolhe cartas e outras mensagens durante uma sessão; os malhetes, que são espécies de martelos utilizados com o objetivo de organizar as sessões e realizar anúncios; o estandarte, que é o pavilhão ou insígnia oficial de uma loja, funcionando como sua identidade visual e simbólica; além da carta constitutiva, o documento que oficializa a criação da loja, com as datas específicas.
A mostra chega em um momento oportuno, marcando o início de uma série de eventos que serão realizados em celebração aos seus 156 anos de existência. A ideia de produzi-la surgiu a partir do desejo do museólogo Maciel Fonseca, membro da organização, em fazer com que o legado da Loja a qual integra ganhasse mais visibilidade. Neste projeto, Maciel também atuou na curadoria juntamente com a equipe do Forum da Cultura.
“Pensei na possibilidade de uma exposição neste espaço público, justamente pelo motivo da temática da maçonaria suscitar curiosidades, mitos e debates na sociedade”, explica. “Então, nada melhor do que trazer para perto das pessoas uma fração do universo maçom, em um ambiente que tem essa premissa de ser democrático, aberto a todos os públicos e agente de difusão cultural”, acrescenta.
Desde a sua fundação, a Loja Maçônica Fidelidade Mineira teve atuação proeminente em Juiz de Fora, estando presente em momentos importantes em que se fazia necessário impulsionar o desenvolvimento e cuidar da população. A sede da instituição, por exemplo, foi escolhida por Bernardo Mascarenhas para ser a primeira casa a receber a energia elétrica, em agosto de 1889. Além deste fato, também merecem destaque a fundação de um jornal em 1898; a decisão de ceder o espaço da loja para atender pessoas acometidas pela gripe espanhola em 1918; o empréstimo do salão para as reuniões da Sociedade dos Operários em 1932; a fundação de uma escola noturna no local em 1935; o socorro prestado às vítimas da enchente de 1940, entre outros momentos.
Um dos destaques da mostra é a linha do tempo que leva o visitante a perpassar por diferentes momentos da Loja Fidelidade Mineira. Fatos históricos e registros fotográficos poderão ser apreciados por meio de um banner didático, idealizado pelo atual presidente da Loja. Além disso, também estará disponível para o público um álbum de fotografias com importantes marcos da instituição.

Pinturas a óleo com importantes figuras para a Maçonaria juiz-forana.
Dois expoentes nomes ligados à criação da Loja e ao fortalecimento da influência maçônica na região da Zona da Mata mineira estarão representados em pinturas a óleo. Um deles, o fundador, Christovam Rodrigues de Andrade, que também foi prefeito de Juiz de Fora, provedor da Santa Casa de Misericórdia, cafeicultor na região e advogado; e o outro, Saldanha Marinho, um dos líderes da transição do império para a república, grão-mestre na Maçonaria, presidente das então províncias de Minas Gerais e São Paulo, e que esteve em Juiz de Fora em meados de 1872 e 1873, reconhecendo e legitimando a Loja Fidelidade Mineira.
Para Maciel Fonseca, a mostra contribuirá para desmistificar crenças e ideias fantasiosas em torno da maçonaria. “Essa exposição apresentará ao público uma instituição humanizada, integrada à sociedade, assim como outras várias que existem. Demonstrará os trabalhos realizados a fim de desenvolver homens mais aptos à sensibilidade de questões sociais e que, de certa forma, vão reproduzir em seu espaço de trabalho e no ambiente social”, explica. “A Maçonaria é um recorte da sociedade e, por isso mesmo, também é um espaço a mais de se pensar em políticas públicas, pensar em questões sociais, e claro, também executá-las”, conclui.
‘Luzes sobre a cidade – A maçonaria e a formação de Juiz de Fora’ segue em cartaz até o dia 27 de fevereiro, com visitações gratuitas de segunda a sexta, das 10h às 19h.
Mais sobre a Maçonaria
A Maçonaria se autointitula como uma ordem iniciática, filosófica, filantrópica e progressista. Sendo de caráter universal, os seus membros cultivam o aclassismo (ausência de discriminação ou distinção baseada na classe social), a humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade, bem como aperfeiçoamento intelectual e pessoal. Também se nomeiam como uma ordem fraternal, que admite todos os homens livres e de bons costumes, sem distinção de raça, religião, ideologia política ou posição social. As suas principais exigências são que o candidato acredite num princípio criador, respeite as leis e costumes vigentes e tenha um firme propósito de busca da perfeição, vencendo os seus vícios e trabalhando para o constante reforço das suas virtudes.
O termo ‘Maçonaria’ vem do francês maçon, que quer dizer pedreiro. A organização surgiu na Idade Média, época de grandes construções em pedra – como castelos e catedrais –, a partir de uma espécie de embrião dos sindicatos: as chamadas corporações de ofício.
Após o final da Idade Média, a maçonaria passou a admitir outros membros, além de pedreiros. Transformou-se, assim, em uma fraternidade dedicada à liberdade de pensamento e expressão, religiosa ou política, e contra qualquer tipo de absolutismo.
A maçonaria possui um rico conjunto de símbolos e uma estética própria, profundamente enraizada na arquitetura, na geometria e na tradição dos antigos construtores. A estética maçônica não é apenas decorativa, mas simbólica, representando o “aprimoramento interior” ou a construção de um “templo espiritual” dentro de cada indivíduo. Conferindo materialidade a esse vultoso arcabouço visual, a mostra trará alguns dos objetos e vestuários utilizados nas cerimônias maçônicas.
Maçonaria no Brasil
A Maçonaria chegou ao Brasil no final do século XVIII (c. 1797), com a fundação de lojas como a Cavaleiros da Luz na Bahia, e se expandiu rapidamente, sendo fundamental na disseminação de ideias iluministas e no processo de Independência, tendo figuras históricas como José Bonifácio e Dom Pedro I ligados à Ordem, que hoje conta com centenas de milhares de membros e diversas Grandes Lojas, organizadas nacionalmente por entidades como a Confederação Maçônica do Brasil (COMAB) e o Grande Oriente do Brasil (GOB).
Galeria de Arte
O espaço, instalado em um local privilegiado no segundo pavimento do Forum da Cultura, abriga produção eclética, com exposições de artes plásticas, documentais e pedagógicas, que já chegaram a ter mais de mil visitantes por mostra. Criada em 1981, no reitorado do professor Márcio Leite Vaz, a galeria recebe importantes nomes da pintura de Minas Gerais e da cidade, além de jovens artistas e coletivos. Em janeiro de 2024, o espaço passou por reforma, substituindo as antigas placas de madeira por novas, garantindo assim um espaço renovado, com estruturas reforçadas para as mostras a serem expostas. O sistema de iluminação também foi renovado, possibilitando mais destaque para as obras em exibição.
Forum da Cultura
Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para divulgarem seus trabalhos.
Endereço e outras informações
Forum da Cultura
Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora
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E-mail: forumdacultura@ufjf.br
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Telefone: (32) 2102-6306