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Nova exposição no Forum da Cultura apresenta 90 brinquedos clássicos que marcaram gerações

Há um espaço onde o tempo foi encapsulado; onde os olhos podem descansar da profusão de estímulos visuais e luzes emitidos por múltiplos écrans; onde o lúdico traz de volta o exercício das mãos e da imaginação no ato de brincar. Esse lugar é o Museu de Cultura Popular, instalado no Forum da Cultura, que, ao longo do mês de outubro, apresenta a exposição “Brinquedos”. A exposição sazonal, que celebra o mês das crianças, resgata uma série de itens recreativos que marcaram gerações ao longo dos anos. Ela segue em cartaz até o dia 31 de outubro, com visitações de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. A entrada é gratuita.

Bonecas de pano, exposição ‘Brinquedos’.

Ao todo, estão em exibição 90 brinquedos criados com diferentes materiais, como, por exemplo, madeira, lata, tecido, plástico, palha, ferro, lã, entre outros. As peças integram o acervo com mais de 3 mil itens do Museu de Cultura Popular da UFJF.

Os visitantes poderão, por exemplo, relembrar as historinhas criadas com as icônicas bonecas de pano e, até mesmo, soltar a linha das memórias, revisitando as tardes de ventos fortes quando as crianças da rua se reuniam para empinar pipas com suas bailantes rabiolas. Cada item carrega o cuidado e o zelo de artesãs e artesãos que contribuíram para tornar a infância um momento repleto de encantos, alegrias e emoção. Também será possível conferir de perto brinquedos memoráveis, como mini bicicletas, bilboquês, palhaços, patinete, piões e miniatura de sombrinha de Parque de Diversão.

Trenzinho de madeira, exposição ‘Brinquedos’.

A origem das peças que compõem a exposição também merece destaque. Elas vêm de diferentes cidades do país, como, por exemplo, Chácara (MG), Pará de Minas (MG), Juiz de Fora (MG), Comercinho (MG), Recife (PE), Ponta Grossa (PR) e São Paulo (SP); uma demonstração de como o ato de brincar encontra-se presente no cerne de todas as crianças. Essa multiplicidade de origem também nos relembra da pluralidade nos modos de fazer, dos conhecimentos ancestrais e da utilização de matérias-primas no processo de dar vida ao lúdico.

Para a conservadora e restauradora de bens culturais do Forum da Cultura, Franciane Lúcia, a exposição é essencialmente marcante e importante, devido à singularidade de sua temática. “Trata-se de uma oportunidade especial para que as gerações atuais conheçam um pouco da história da infância. Alguns se lembrarão, inclusive, que se divertiram com muitas das peças exibidas. Outros terão a chance de conhecer tais itens pela primeira vez. Essa é uma experiência que somente um museu pode proporcionar”, destaca.

E para aqueles que, ao visitarem o espaço, não resistirem à vontade de brincar, a exposição disponibilizará um estande para interação com brinquedos. Os visitantes poderão manusear, por exemplo, o totó, em que os jogadores têm que puxar, empurrar e girar os bonequinhos que estão presos em barras, nas posições de um time de futebol de campo, com o objetivo de acertar uma bolinha no gol. Também será possível se divertir e explorar coordenação visomotora, noção espacial e discriminação das cores com a brincadeira das argolas, em que o objetivo é acertar o pino central.

A exposição ‘Brinquedos” preserva uma parte importante da história de uma geração e, mais do que isso, ainda reforça a importância de brinquedos e brincadeiras que estimulem o desenvolvimento cognitivo, motor e social das crianças. Em um mundo cada vez mais mergulhado em dispositivos eletrônicos, é indispensável reviver a essência do brincar.

 

Brincando pelas eras

 

O ato de brincar acompanha a humanidade ao longo dos milênios. Arqueólogos e historiadores já identificaram em seus estudos e pesquisas diferentes objetos criados para entreter e permitir que crianças realizassem atividades lúdicas.

Não há uma unanimidade em relação a qual seria o brinquedo mais antigo da história, entretanto, alguns artefatos merecem destaque, como, por exemplo, chocalhos de argila fabricados na Síria há cerca de 4,5 mil anos, projetados para divertir e acalmar bebês; uma carruagem de 5 mil anos da Turquia; e uma cabeça de pedra de 4 mil anos, possivelmente de uma boneca, encontrada em uma ilha italiana.

Também chamam a atenção uma bola de látex, de cerca de 3 mil anos, que era utilizada em uma espécie de jogo comum na América Central antiga; um tabuleiro de jogo da época suméria, datando de aproximadamente 2,5 mil a.C., descoberto nos túmulos reais de Ur; e as bonecas ‘shabtis’ do Antigo Egito, encontradas em túmulos de crianças, do período situado entre 3 mil e 2 mil a.C., que eram feitas de madeira e banhadas em argila, com cabelos de verdade.

Ao longo do tempo, alguns brinquedos se extinguiram, outros sofreram adaptações e aderiram às novidades, mas ainda hoje permanecem como a melhor opção de descontração, divertimento e desenvolvimento do lado cognitivo da criança, como atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

 

Museu de Cultura Popular – UFJF

 

Com um rico acervo de mais de 3 mil peças, o Museu de Cultura Popular é um importante espaço de preservação, resgate e valorização da arte oriunda de expressões e tradições populares.

Entre estatuárias, artefatos indígenas, brinquedos antigos, peças de crenças religiosas e outros diversos itens, das mais distintas origens, o visitante tem a oportunidade de realizar uma verdadeira viagem a outros tempos e locais, muitas vezes desconhecidos. O museu abriga objetos da cultura nacional e também de estrangeiras.

As peças, de natureza singular, aguçam a curiosidade e atuam como pontos de contato entre pessoas e culturas diferentes, propiciando, dessa forma, um intercâmbio extremamente importante para a sociedade.

O Museu, criado em 12 de março de 1965 – data que marcou o centenário do folclorista Lindolfo Gomes –, foi transferido para o espaço do Forum da Cultura em 1973, sendo doado à UFJF em 30 de setembro de 1987. Sua origem está no trabalho do Prof. Wilson de Lima Bastos, que criou o então chamado “Museu do Folclore”, mais tarde renomeado como “Museu de Cultura Popular”.

 

Forum da Cultura

 

Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para que divulguem seus trabalhos.

 

Endereço e outras informações:

 

Forum da Cultura
Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora
www.ufjf.edu.br/forumdacultura
E-mail: forumdacultura@ufjf.br
Instagram: @forumdaculturaufjf
Telefone: (32) 2102-6306