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“Anônimo”: mostra leva a arte das ruas para dentro do Forum da Cultura da UFJF

Primeira exposição do artista Monk reúne 20 obras inéditas e propõe um novo olhar sobre a arte urbana e seus significados.

 

Há sempre beleza nas artes que vêm das ruas. Elas chegam acompanhadas de um certo mistério, um misto entre a curiosidade da autoria, a liberdade provocada e o desejo de compreensão. Podem te dizer muito com poucas cores, traços e formas, podem te convidar ao mais profundo silêncio parecendo algo gritante, podem simplesmente ser a quebra do padrão cinza que passa diante dos olhos ao voltar do trabalho. O que elas definitivamente não podem ser é despercebidas. As esquinas se dobram, os becos se abrem, as ruas se prolongam um pouco mais até adentrarem o Forum da Cultura da UFJF que, na próxima terça-feira, dia 16 de junho, recebe a abertura da mostra “Anônimo”, primeira exposição do artista visual Monk.

Obras “Oieee!!”

Ao todo, estarão em exibição 15 obras inéditas, criadas entre 2023 e 2026, com materiais acessíveis e ressignificados, como papelão reciclado, papel,

MDF, tinta acrílica, tinta spray e giz de cera. Uma escolha que dialoga com a ideia de simplicidade, reaproveitamento e aproximação da arte com o cotidiano. A mostra propõe uma inversão na lógica comum da arte urbana, muitas vezes também conhecida como street art, ao trazer os trabalhos produzidos nas ruas, estampados em muros e postes das cidades, para dentro de um espaço expositivo de arte.

A escolha do título “Anônimo” para a mostra está relacionada à proposta do próprio artista, que prefere não ser identificado e deixar seus trabalhos falarem por si mesmos. “Este projeto nasce do entendimento de que a arte não precisa de um nome para existir. Não me apresento como artista, mas como alguém que ama profundamente a arte e acredita em seu poder de comunicação, transformação e pertencimento”, reflete. “Sempre gostei de fazer arte para as ruas e esse foi o meu foco inicial. Com o tempo, comecei a fazer alguns trabalhos diferentes, com reciclados, em papelão, em MDF, então, surgiu a vontade de levá-los para um espaço circunscrito expositivo”, relembra.

Os trabalhos de Monk nos suscitam impactos diversos. Diante de seus quadros, podemos perguntar quem segura aquele balão vermelho, se foram amigos que beberam as três cervejas, o que teria acontecido nos anos registrados numericamente ou, ainda, questionar se tais elementos carregam algum sentido específico. Trata-se de uma arte que instiga e que possui inspirações múltiplas. “Eu amo a arte, e a arte abstrata, principalmente. Então, tudo me inspira. Uma música que escuto, alguma palavra, um elemento da rua, alguma lembrança, outros artistas como Richard Hambleton e Keith Haring. Para mim, tudo é fonte de inspiração e, se você colocou sua ideia ali no papel, na tela, isso é arte”, explica o artista visual.

A mostra cumpre ainda um papel importante na desconstrução de visões preestabelecidas em torno da arte produzida nas ruas e para as ruas. Embora cada vez mais celebrada como uma manifestação cultural legítima, veículo de mensagens e instrumento de revitalização de espaços urbanos, essa arte ainda é associada à poluição visual e vandalismo por uma grande parcela da população. Diante dessa dualidade na percepção pública, a mostra “Anônimo” chega para aproximar as pessoas dessa expressão visual potente e repleta de significado.

Obra “Many Rats”

Entre os destaques da exposição estão os quadros que trazem a figura de um rato, marca registrada de Monk, e elemento que, inclusive, pode ser encontrado em diferentes pontos de Juiz de Fora. Também chama a atenção a série “Yellow”, que traz quadros onde a cor amarela marca presença, contrastando com outras figuras como, por exemplo, o “Moon man”, personagem criado pelo artista e frequentemente representado em diferentes obras.

Para Monk, a realização de “Anônimo” no Forum da Cultura demonstra o compromisso do espaço com novos criadores e firma-se como um ambiente de conexão entre o público e diferentes formas de criação visual. “Projetos como este são essenciais para dar voz a artistas em desenvolvimento e para reafirmar que a arte não deve ser privilégio, mas direito. Ao abrir mão da autoria explícita dessa mostra, eu busco convidar o público a uma experiência mais livre, onde cada obra possa falar por si, contar sua própria história e estabelecer um diálogo direto com quem a observa”.

Monk foi um dos artistas selecionados pelo Edital de Ocupação da Galeria de Arte do Forum 2026, cujo resultado foi divulgado no dia 16 de março.

A mostra “Anônimo” segue em cartaz até o dia 3 de julho, com visitações gratuitas de segunda a sexta, das 13h às 16h. A entrada é gratuita.

 

Mais sobre o artista

Obra “Pulp”

Natural de Juiz de Fora (MG), desde cedo já se interessava pelo desenho, mas nunca seguiu diretamente pelo caminho da arte. Cursou uma faculdade

de estudos tradicionais, casou-se cedo, tornou-se pai e passou a trabalhar em uma fábrica. Em meados de 2017, voltou a esboçar seus traços e, durante a pandemia de 2020, começou a pintar. Foi então que nasceu Monk, nome que surgiu da tradução de “monge”, apelido que o artista recebeu devido a seu jeito tranquilo de ser. Desde então, mais de 150 trabalhos do artista seguem marcando ruas de Juiz de Fora e de outras cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Madri, Barcelona, Milão e Verona.

Monk se considera um artista visual autodidata, com produção baseada na expressão de sentimentos, vivências pessoais e percepções subjetivas do cotidiano. Atualmente, segue desenvolvendo sua pesquisa artística de forma intuitiva e sensível, explorando a arte como meio de escuta interna, comunicação emocional e reflexão.

 

Galeria de Arte

 

O espaço, instalado em um local privilegiado no segundo pavimento do Forum da Cultura, abriga produção eclética, com exposições de artes plásticas, documentais e pedagógicas, que já chegaram a ter mais de mil visitantes por mostra. Criada em 1981, no reitorado do professor Márcio Leite Vaz, a galeria recebe importantes nomes da pintura de Minas Gerais e da cidade, além de jovens artistas e coletivos. Em janeiro de 2024, o espaço passou por reforma, substituindo as antigas placas de madeira por novas, garantindo assim um espaço renovado, com estruturas reforçadas para as mostras a serem expostas. O sistema de iluminação também foi renovado, possibilitando mais destaque para as obras em exibição.

 

Forum da Cultura

 

Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para divulgarem seus trabalhos.

 

Endereço e outras informações

 

Forum da Cultura

Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora

www.ufjf.edu.br/forumdacultura

E-mail: forumdacultura@ufjf.br

Instagram: @forumdaculturaufjf

Telefone: (32) 2102-6306