As fogueiras já vão ser acesas, nas clareiras, nos terreiros, nas quadras das escolas, nas paróquias… nos corações. É tempo de Festa Junina no Brasil, quando música, dança, decorações, brincadeiras, comidas típicas e religiosidade se encontram em uma das mais importantes celebrações populares do Brasil. O Forum da Cultura da UFJF entra nesse clima trazendo ao público a exposição “Quando a noite virou festa”, em cartaz ao longo do mês de junho no Museu de Cultura Popular.
Guiando os visitantes pela noite de festejos, estão os três santos católicos vinculados a essa tradição popular. Efígies de Santo Antônio, São João e São

Maquete “Quadrilha”.
Pedro, juntamente com mais de 30 outros itens, ajudam a preservar as danças, brincadeiras, trajes, músicas e crenças que marcam o mês de julho em diferentes regiões brasileiras.
Cerâmica, gesso e barro são as principais matérias-primas escolhidas pelos artesãos a fim de criarem peças que contam e eternizam cenas dos populares casamentos na roça e danças de casais e de figuras icônicas em muitas festas juninas, como os noivos a cavalo, o trio nordestino e os tocadores de pandeiro, sanfona e pífaros. Os itens expostos são oriundos de cidades como Caruaru (PE), Guaratinguetá (SP), Taubaté (SP), Juiz de Fora (MG) e Fortaleza (CE).
A fim de relembrar um dos principais momentos das festas juninas, a exposição traz a maquete cenográfica “Quadrilha”, produzida no ano de 2005
pela Equipe de Criação Cenográfica do Projeto de Iniciação Artística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Criada com diferentes materiais, a obra representa a dança coletiva bailada em pares, trajados com roupas coloridas e tipicamente caipiras, com coreografia específica baseada em passos tradicionais. Na maquete, também é possível conferir representações do casamento na roça, das famosas decorações juninas, das barracas de comidas – como maçã do amor, bolo de milho, pipoca – além das conhecidas barraquinhas de pescaria, correio elegante, e, claro, a fogueira, que é um elemento essencial na celebração.
Ainda sobre danças, também chamam atenção as peças que representam as cirandas, grandes rodas onde os participantes caminham juntos no ritmo da música e entoam clássicos infantis ou regionais, adaptados para celebrar a fogueira, o milho e o amor.

Cantinho das simpatias.
Um dos destaques da exposição é o cantinho das simpatias que têm origem em tradições pagãs e religiosas, que se misturaram e foram adaptadas ao longo do tempo. Elas são práticas folclóricas que buscam atrair coisas boas, como amor, dinheiro, sorte, ou afastar o mal. Os visitantes poderão conferir – e até mesmo realizar – a simpatia do feijão (São João), a simpatia de pedidos para Santo Antônio, o santo casamenteiro, e a simpatia de proteção da residência (São Pedro).
Ornamentando todo o espaço, estão os icônicos chapéus de palha. Esses objetos, muitas vezes vistos como simples, carregam a essência de brasilidade, se firmando como o principal símbolo da identidade caipira e da vida no campo nas festas juninas. Ele representa a herança cultural do sertanejo e a relação direta com a terra, homenageando o trabalhador rural e as tradições de colheita.
Para a Conservadora e Restauradora de Bens Culturais do Forum da Cultura, Franciane Lúcia, mais do que preservar a tradição popular, a exposição também reverbera em outros aspectos sociais. “As festas juninas brasileiras são um patrimônio cultural imaterial brasileiro. Elas são celebrações singulares no mundo todo, justamente por unir influências indígenas, africanas e europeias, que por sua vez, também são muito peculiares. Além disso, essas festas e todo o universo lúdico e visual que elas carregam fortalecem os laços comunitários e familiares. Exposições como essa preservam mais do que objetos, preservam um modo de se expressar brasileiro”.
“Quando a noite virou festa” segue em cartaz até o dia 1º de julho, com visitações de segunda a sexta, das 13h às 16h. A entrada é gratuita.
Mais sobre as Festas Juninas

Obra “Ciranda”.
As festividades juninas tiveram origem a partir das celebrações pagãs e religiosas associadas ao solstício de verão no hemisfério norte. Povos como,
por exemplo, os celtas, germânicos e escandinavos comemoravam o período de maior luminosidade do ano e homenageavam os deuses da natureza e da fertilidade com danças e fogueiras. Tais tradições atravessaram o Atlântico a bordo das caravelas portuguesas, se encontraram com elementos da cultura indígena e africana, formando uma grande “quadrilha” que passaria a marcar gerações e toda a cultura do país.
Anos mais tarde, essas celebrações foram incorporadas ao calendário festivo do catolicismo. Naquele tempo, fazia-se a aculturação das festividades, acrescentando elementos cristãos a festas pagãs, com o objetivo de promover a conversão das pessoas ao cristianismo. Vale lembrar que a Igreja Católica possuía forte influência na sociedade europeia.
Atualmente, as festas juninas seguem ocorrendo em muitas escolas, paróquias e bairros do Brasil. Vale destacar ainda outra vertente dessas celebrações que ganhou espaço ao longo dos anos, que são as grandes festas juninas profissionalizadas que, embora mantenham símbolos tradicionais, modernizaram-se em diversos pontos, agregando grande impacto econômico e diversidade musical.
Museu de Cultura Popular – UFJF
Com um rico acervo de mais de 3 mil peças, o Museu de Cultura Popular é um importante espaço de preservação, resgate e valorização da arte oriunda de expressões e tradições populares.
Entre estatuárias, artefatos indígenas, brinquedos antigos, peças de crenças religiosas e outros diversos itens, das mais distintas origens, o visitante tem a oportunidade de realizar uma verdadeira viagem a outros tempos e locais, muitas vezes desconhecidos. O museu abriga objetos da cultura nacional e também de estrangeiras.
As peças, de natureza singular, aguçam a curiosidade e atuam como pontos de contato entre pessoas e culturas diferentes, propiciando, dessa forma, um intercâmbio extremamente importante para a sociedade.
O Museu, criado em 12 de março de 1965 – data que marcou o centenário do folclorista Lindolfo Gomes –, foi transferido para o espaço do Forum da Cultura em 1973, sendo doado à UFJF em 30 de setembro de 1987. Sua origem está no trabalho do Prof. Wilson de Lima Bastos, que criou o então chamado “Museu do Folclore”, mais tarde renomeado como “Museu de Cultura Popular”.
Forum da Cultura
Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para que divulguem seus trabalhos.
Endereço e outras informações:
Forum da Cultura
Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora
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E-mail: forumdacultura@ufjf.br
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