Fechar menu lateral

‘GD 60 Memória’: nova mostra no Forum da Cultura celebra as seis décadas do Grupo Divulgação

Estarão em exibição mais de 160 fotografias que revisitam peças marcantes do grupo e dos cursos de formação de atores.

 

Era aos sábados de 1966 que um grupo de estudantes universitários se reunia na antiga Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora para estudar e vivenciar a experiência do teatro. Eles não sabiam – ou quem sabe, lá no fundo sonhavam – mas nascia ali o Grupo Divulgação (GD), um dos mais importantes grupos de teatro do país. A semente plantada há sessenta anos germinou, cresceu, floresceu, se fortaleceu, espalhou outras diversas sementes aos ventos, enfrentou tempestades e segue com suas raízes firmes em um propósito: aproximar as pessoas da arte milenar do teatro.

Celebrando essas seis décadas de trabalho ininterrupto, a Galeria de Arte do Forum da Cultura da UFJF recebe a mostra “GD 60 Memória”, uma viagem através do tempo e da poesia que nasce do atuar. A abertura ocorre nesta sexta-feira, dia 27 de março de 2026, a partir das 19h. O evento contará com uma fala de Yuri Ávila, integrante do GD, a respeito da ética no teatro, além da exibição de um programa especial sobre o Grupo Divulgação, produzido pela Produtora de Multimeios da UFJF e o documentário 12/12, que conta sobre os bastidores do fazer teatro no grupo; também será exibido um vídeo sobre o Mergulho Teatral, curso de formação que está em andamento. Toda a programação é gratuita e aberta ao público geral.

Bodas de Sangue (1968)

Na mostra, os visitantes poderão conferir mais de 160 fotografias que contam parte da história do Grupo Divulgação. Registros que resgatam peças marcantes, cenários surpreendentes, figurinos encantadores e o principal, as diversas pessoas que passaram pelo grupo, dando vida a personagens inesquecíveis. Poderão ser revistos recortes de espetáculos como ‘Bodas de sangue’ (1968), ‘Diário de um louco’ (1969), ‘Guairaká’ (1980), ‘Era sempre 1º de Abril’ (1990), ‘A fábula do destino’ (2004/2005), ‘O doente imaginário’ (2013), ‘Anjos e desarranjos’ (2016) e ‘Os filhos de Prometeu’ (2019) que, abordavam de forma singular, temáticas de interesse da sociedade, nos respectivos anos em que foram apresentados e questões da humanidade, que seguem as mesmas, ontem, hoje e amanhã.

E quando falamos de Grupo Divulgação, impossível não falar de José Luiz Ribeiro, ator, dramaturgo, teatrólogo, professor, coordenador, pedra fundamental do grupo, que desde sua criação buscou vencer as adversidades e manter as cortinas do palco sempre abertas e as luzes sempre acesas.

Diário de um Louco (1969)

“Quando nascemos, o teatro universitário estava acabando, não se podia ter teatro, ele estava sendo perseguido no contexto político da época. Foi então, que criamos um Centro de Estudos Teatrais com o nome fantasia de ‘Grupo Divulgação’, na Faculdade de Filosofia, como uma forma de driblar a censura”, relembra José Luiz. “No período de maior repressão, nós começamos a encenar os grandes clássicos do teatro, que, em seus textos, falavam de tudo o que estávamos vivendo. A peça ‘Elektra’, por exemplo, uma das tragédias mais conhecidas da Grécia Antiga e que tratava sobre justiça, ódio, luto, fizemos quando saiu o AI-5, em 13 de dezembro de 1968. São fotografias desses grandes momentos que estarão na nova mostra”, relata.

Também é destaque os registros dos trabalhos realizados pelos núcleos de formação em teatro para universitários, adolescentes e terceira idade. Como um projeto de extensão vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora, a partir dos anos 90, o Grupo Divulgação passou a oferecer anualmente, cursos de formação de atores que contavam – e seguem contando – com estudos, leituras, preparação corporal e vocal e vivência de palco. Ao longo dos últimos anos, diversas pessoas puderam explorar suas potencialidades teatrais, desenvolvendo-se tanto nas áreas profissionais quanto nas próprias relações humanas, visto que os cursos proporcionam verdadeira trocas entre todos os participantes. As fotografias das peças resultantes do final de cada ciclo e de cada núcleo estarão presentes na mostra, como é o caso de ‘Minha sogra é da polícia’ (1994), ‘Canto por Federico’ (1998), Estórias para boi dormir (2002), Fados e desgarrados (2007), Ciranda de luta (2014) e a mais recente ‘Pensão familiar’ (2025), montagens do núcleo da terceira idade; A Incelença (1996), O auto do rei (2002), A formosa menina que salvou o circo (2005), Deuses e Heróis (2015) e A santa coroa (2025), peças realizadas pelo núcleo adolescentes; e Poemineiros (1999), Amor em pedaços (2004), A era do malandro (2013), Costurando Shakespeare (2014), O circo vem aí (2018) e Retratos de feira (2025), do mergulhão teatral.

Era Sempre 1° de Abril (1990)

Para a atriz, coordenadora dos projetos de extensão do GD e professora da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFJF, Márcia Falabella, a mostra de celebração aos 60 anos do Grupo Divulgação é importante para mostrar que ele segue atuante. “Acredito que um grupo de teatro chegar a 60 anos de trabalho em nosso país é, definitivamente, um símbolo de paixão e de resiliência. E chegar a esse marco de forma ativa, com grupos de formação de atores e temporadas de espetáculos anuais, reforça o quanto o Divulgação não para de produzir”, reflete. “Vencemos e seguindo vencendo muitas adversidades pelo caminho, mas a devoção pelo teatro nos faz seguir, pois é o que realmente amamos. Acreditamos no trabalho que realizamos e a mostra chega para brindar justamente tudo isso”, acrescenta.

A seleção das fotografias para a mostra foi um desafio à parte, afinal de contas, ao longo de toda trajetória do Grupo Divulgação são 295 montagens apresentadas, entre produções antológicas, espetáculos para o público adulto, para o público infanto-juvenil e peças dos cursos de formação. Nesse universo imagético foi preciso selecionar alguns marcos do grupo para, dessa forma, criar uma linha do tempo das peças.

A diretora do Forum da Cultura, ex-integrante do Grupo Divulgação, Marise Mendes, celebra a nova mostra como uma forma de reforçar e valorizar o legado que o grupo carrega. “As histórias do Grupo Divulgação e do Forum da Cultura estão entrelaçadas. Patrimônio imaterial de Juiz de Fora, o Divulgação trouxe para a cidade um exemplo de arte, de cultura, de resistência, de compromisso com o social e com a ética. Formou muitas pessoas para o palco e para a vida. O Forum da Cultura se orgulha muito de fazer parte desta história”.

‘GD 60 Memória’ segue em cartaz até o dia 10 de abril, com visitações gratuitas de segunda a sexta, das 13h às 16h.

O Doente Imaginário (2013)

Galeria de Arte

 

O espaço, instalado em um local privilegiado no segundo pavimento do Forum da Cultura, abriga produção eclética, com exposições de artes plásticas, documentais e pedagógicas, que já chegaram a ter mais de mil visitantes por mostra. Criada em 1981, no reitorado do professor Márcio Leite Vaz, a galeria recebe importantes nomes da pintura de Minas Gerais e da cidade, além de jovens artistas e coletivos. Em janeiro de 2024, o espaço passou por reforma, substituindo as antigas placas de madeira por novas, garantindo assim, um espaço renovado, com estruturas reforçadas para as mostras a serem expostas. O sistema de iluminação também foi renovado, possibilitando mais destaque para as obras em exibição.

 

Forum da Cultura

 

Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para que divulguem seus trabalhos.

 

Endereço e outras informações

 

Forum da Cultura

Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora

www.ufjf.edu.br/forumdacultura

E-mail: forumdacultura@ufjf.br

Instagram: @forumdaculturaufjf

Telefone: (32) 2102-6306