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Mergulho Teatral do Grupo Divulgação homenageia Sueli Costa com “Cancioneiro de Lampião”

Musicista que compôs canções gravadas por nomes como Elis Regina e Maria Bethânia, também criou músicas para espetáculos do GD

 

O Grupo Divulgação (GD) apresenta a peça “Cancioneiro de Lampião”, de Nertan Macêdo, com adaptação de José Luiz Ribeiro, em sessão única nesta sexta-feira, 31, às 20h30, no Teatro do Forum da Cultura. A peça marca o encerramento do Mergulho Teatral, uma imersão no teatro destinada a universitários, como parte do Projeto de Extensão da UFJF “Centro de Estudos Teatrais – Cursos e Oficinas”. A entrada é gratuita, respeitando a disponibilidade do espaço.

A apresentação é uma homenagem à cantora e compositora Sueli Costa (1943-2023), falecida no começo do mês. Antes de ter canções gravadas por nomes como Elis Regina e Maria Bethânia, Sueli passou a juventude em Juiz de Fora e compôs músicas para peças do GD na década de 1960, dentre elas a primeira montagem do Cancioneiro.

“Estava pensando em fazer outro espetáculo, sobre Adoniran Barbosa. Mas com o falecimento de Sueli Costa, a gente quis prestar uma homenagem a essa musicista fabulosa, uma das melhores, e que passou pelo nosso grupo”, afirma o coordenador do Grupo Divulgação, José Luiz Ribeiro.

No total, Sueli Costa é responsável pela música original de três espetáculos apresentados pelo GD: “Bodas de Sangue” (1968), de Federico García Lorca, “Romanceiro da Inconfidência” (1971), de Cecília Meireles – originalmente encenada pelo antigo Teatro Universitário de Juiz de Fora – e a montagem original de “Cancioneiro de Lampião”, de 1967. Sob a direção de José Luiz Ribeiro, Sueli Costa também teve experiência como atriz.

“A Sueli está comigo em muitas produções. Inclusive em ‘O Coronel de Macambira’ (1966), de Joaquim Cardozo, apresentada pelo Teatro Universitário. A música era do Maurício Tapajós e ela fazia a Cantadeira. Na nossa primeira montagem do Cancioneiro, Sueli e suas irmãs Telma e Lisieux, faziam um trio chamado “Trieto”, e ficavam com toda a parte vocal, entoavam as cantorias de Padre Cícero”, recorda o teatrólogo.

 

Montagem original de “Cancioneiro de Lampião”, de 1967.

O espetáculo

“Cancioneiro de Lampião” conta, em forma de cordel, a história de Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938). Nascido em Vila Bela, atual Serra Talhada, cidade localizada em Pernambuco, Lampião virou um bandoleiro ainda jovem. Logo se torna chefe e seu grupo causa terror e morte por onde passa, além de saquear e roubar. Considerado bandido ou mártir dos oprimidos, o chamado Rei do Cangaço segue vivente no imaginário popular.

“O Cancioneiro tem um quê de épico, trabalhando com o cordel. É uma experiência com uma turma jovem, alguns tendo a sua primeira vivência com o teatro”, afirma o diretor.

O texto de Nertan Macêdo é fundamental na história do Divulgação. Esta será a quarta montagem de “Cancioneiro de Lampião” encenada pelo grupo. As anteriores foram realizadas em 1967, 1974 e 1980. A versão de 1974 foi apresentada na Barca da Cultura, projeto de Paschoal Carlos Magno. O diplomata e teatrólogo, figura importante da renovação do teatro brasileiro no século 20, organizou uma viagem com mais de cem artistas, assistentes e jornalistas. A barca partiu de Pirapora (MG) e subiu o Rio São Francisco até Petrolina (PE). Depois os participantes seguiram em terra firme até Belém (PA). Em cada parada eram realizadas apresentações culturais, oficinas de pintura e origami junto às populações ribeirinhas e do interior e distribuição de livros.

“A questão da Barca da Cultura nos traz boas lembranças. Estamos revendo um trabalho ‘raiz’. É o nosso comecinho. E foi uma peça muito premiada, era um trabalho muito bonito”, relembra José Luiz Ribeiro, que neste ano completa 60 anos de dedicação ao teatro.

 

Projeto de Extensão atua na formação de atores

O Mergulho Teatral integra o projeto de Extensão “Centro de Estudos Teatrais – Cursos e Oficinas”, coordenado pela atriz e professora do Departamento de Fundamentos, Teorias e Contextos da Faculdade de Comunicação (Facom), Márcia Falabella. Como aponta a docente, a iniciativa é voltada à formação de atores e dá oportunidade a pessoas com ou sem experiência de poderem se aprofundar na linguagem teatral.

Os alunos passam por oficinas de corpo, voz, improviso, exercitam a memória e a sensibilidade. E conhecem músicas e textos que “muitas vezes passam despercebidos para a maioria das pessoas”, na avaliação da professora.

“Na metodologia que desenvolvemos, damos ao integrante a possibilidade de participar de uma produção teatral, com uma apresentação aberta ao público. Esse frio na barriga, esse desafio de produzir um espetáculo em cerca de quatro semanas faz todos se unirem em torno do projeto. E intensifica o aprendizado”, reflete.

O elenco é composto por Alícia Ruffato, Amanda Maya, Anderson Bretas, Brenda Soares, Bruno Fernandes, Fabrício Carlos, Glauber Machado, Hiago Daniel, Igor Bernardinelli, Isabella Luiz Silva, Jade Miranda, Jonathan Martins, Lúcio Araújo, Matheus Braga, Paloma Coimbra, Samyra Ayoub, Vitor Luiz Almeida e Yasmin Ponté. Os cantadores são Bernardo Pereira, Fabrício Carlos, Letícia Resende, Mateus Omar, Pedro Moysés, Samara Borges e Thiago Ernando.

O figurino é de Malu Ribeiro; a música original é de Sueli Costa; a direção musical é de Pedro Moysés. Cartaz, programa e preparo corporal são de Dowglas Mota; Açucena Arbex realiza o registro videográfico; sonotécnica e slides são de Igor Santos. Adaptação de texto, luminotécnica e direção são de José Luiz Ribeiro.

 

“Cancioneiro de Lampião”

Grupo Divulgação – Mergulhão Teatral de 2023

Entrada gratuita

Sexta-feira, 31, às 20h30 (sessão única)

Teatro do Forum da Cultura – Rua Santo Antônio, 1112, Centro, Juiz de Fora.

 

Outras informações: (32) 2102-6306 – Forum da Cultura

 

 

No total, Sueli Costa é responsável pela música original de três espetáculos apresentados pelo GD: “Bodas de Sangue” (1968), de Federico García Lorca, “Romanceiro da Inconfidência” (1971), de Cecília Meireles – originalmente encenada pelo antigo Teatro Universitário de Juiz de Fora – e a montagem original de “Cancioneiro de Lampião”, de 1967. Sob a direção de José Luiz Ribeiro, Sueli Costa também teve experiência como atriz.

“A Sueli está comigo em muitas produções. Inclusive em ‘O Coronel de Macambira’ (1966), de Joaquim Cardozo, apresentada pelo Teatro Universitário. A música era do Maurício Tapajós e ela fazia a Cantadeira. Na nossa primeira montagem do Cancioneiro, Sueli e suas irmãs Telma e Lisieux, faziam um trio chamado “Trieto”, e ficavam com toda a parte vocal, entoavam as cantorias de Padre Cícero”, recorda o teatrólogo.