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Forum da Cultura tem semana de eventos em comemoração ao seu cinquentenário

Meu olhar II – Paola Sayão – Aquarela e naquim sobre papel canson – Grupo A Ponte

Espetáculo “A Morta”, de Oswald de Andrade, na inauguração do teatro do Forum da Cultura em 1972.

O espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está celebrando seus 50 anos de existência, abrigando e difundindo arte e cultura. A comemoração contará com uma programação que vai de 26 a 29 de julho, reunindo mostra de artes plásticas, espetáculo teatral, show musical e cerimônia oficial de comemoração, com apresentação do Coral da UFJF e entrega de homenagens. Todos os eventos são abertos ao público em geral, com entrada franca, sendo obrigatório o uso de máscara.

A programação tem início no dia 26/07 (terça-feira), às 19h, com a abertura de uma mostra especial na Galeria de Arte do Forum da Cultura, com participação de artistas do Grupo A Ponte, além de uma releitura da mostra exibida em 2019, que comemorou o centenário do casarão que abriga o espaço cultural. Na quarta-feira

(27), o Grupo Divulgação apresenta, no teatro do espaço, o espetáculo A morta insepulta, de José Luiz Ribeiro, uma revisão adaptada para 2022 da peça A morta, de Oswald de Andrade, encenada pelo grupo na cerimônia de inauguração do Forum da Cultura em 1972. O espetáculo tem início às 20h30.

Quinta-feira (28), às 19h30, a programação fica por conta do show musical de Cacaudio, Carlos Fernando e banda Bons Navegantes, contando com músicas autorais, do álbum Bons Navegantes, e sucessos da MPB. A cerimônia oficial encerra a programação do cinquentenário na sexta-feira (29). O evento, com início às 20h, contará com apresentação do Coral da UFJF e da soprano Michelle Flores. No mesmo dia haverá a entrega de homenagens.

Cacaudio e Carlos Fernando Cunha

Coral da UFJF

50 anos do Forum da Cultura

Criado pela resolução 16/72 do Conselho Universitário, em 1972, o Forum foi pensado para incentivar a arte, a ciência e a cultura e abrigar entidades afinadas com esse objetivo. Por ocasião de sua inauguração, funcionavam no casarão o Teatro de Comédia Independente (TECI), a Associação de Cultura Luso-Brasileira, o Instituto Histórico e Geográfico, o Centro de Estudos Sociológicos, o Pró-Música, além do Coral da UFJF e do Centro de Estudos Teatrais (Grupo Divulgação), que ainda hoje funcionam no local.

Nesses primeiros anos, destacam-se personalidades que marcaram a história do local, como o professor Almir de Oliveira, presidente do Instituto Histórico e Geográfico e primeiro responsável pelo Forum; Wilson de Lima Bastos, presidente do Centro de Estudos Sociológicos de Juiz de Fora; Cleonice Rainho, presidente da Associação de Cultura Luso- brasileira; Victor Giron Vassalo, Regente do Coral da UFJF; José Luiz Ribeiro, diretor do Grupo Divulgação; e a jornalista Delma Rocha, que durante muitos anos foi responsável pelo Forum, deixando marcas indeléveis com as suas realizações e promoções. Mais tarde, também deram grande contribuição ao Forum as professoras Leila Barbosa e Marisa Timponi, os professores José Alberto Pinho Neves, Henrique Weitzel, Edimilson de Almeida Pereira, Márcia Falabella, Solange Starling Brandão, entre outros.

Sobretudo em meados dos anos 1970, os cursos e eventos promovidos pelo Forum, nesse período sob a responsabilidade da jornalista Delma Rocha, alcançam proporções tão grandes que muitas vezes tiveram que ser realizados em outros espaços, além de inúmeras parcerias com grupos e instituições como a UFMG, a UFOP e a UFV. Em 1976, por exemplo, um ciclo de palestras sobre o meio-ambiente, tendo a ecologia como palavra de ordem, atraiu centenas de pessoas de todas as áreas.

No teatro, além do Grupo Divulgação, brilhavam os grupos do Colégio Stella Matutina, Grupo Sensorial, Grupo Gruta, Grupo do Colégio Mater-Dei, Grupo de Teatro Universitário e outros. Em 1974, um espetáculo com o Balé da Fundação Palácio das Artes de Belo Horizonte, organizado pelo Forum, teve que ser realizado no Cine-Theatro Central, tal a proporção adquirida pelo evento. O Forum consolidava-se também como um promotor da cultura fora de seus espaços e com diálogo nacional. Não faltaram cursos sobre música, pintura, história e literatura, muitos em parceria com as entidades nele sediadas, além de inúmeros ciclos de palestras.

Em abril de 1976, o artista plástico João Guimarães Vieira, o Guima, deu um curso sobre cores no qual 248 pessoas foram certificadas. No mesmo ano, em outubro, o Forum realizou a I Semana de Estudos Afro-brasileiros, que contou, inclusive, com representantes do MEC.

Desde que foi inaugurado, em 30 de julho de 1972, pelo reitor Gilson Salomão, o espaço permite à comunidade juiz-forana, e a quem passa pela cidade, contato com mostras de artes plásticas e visuais, seja em sua Galeria de Arte ou no Museu de Cultura Popular, com diversificado e amplo acervo, além de espetáculos teatrais, eventos relacionados à música, cursos e outras expressões de difusão da arte e da cultura.

Abrigado em um casarão centenário tombado como bem do patrimônio municipal em 1995, o centro cultural cumpre, há cinco décadas, a função universitária de, através da cultura, unir ensino, pesquisa e extensão. Além de possibilitar o contato e acesso da população a obras e manifestações artísticas e culturais, o Forum da Cultura também permite que artistas, tanto iniciantes como consagrados, tenham espaço para expor suas obras. Tudo o que o espaço oferece é de acesso público e gratuito.

O casarão centenário, que por si só é um marco arquitetônico que possibilita às novas gerações um mergulho na identidade de Juiz de Fora, também resguarda a memória da Universidade, por ter abrigado a primeira sala de reitor da UFJF.

 

O Museu de Cultura Popular

Instalado no Forum da Cultura, o Museu de Cultura Popular da UFJF é uma das riquezas culturais que compõem o espaço. Criado em 12 de março de 1965 (data que marcou o centenário do folclorista Lindolfo Gomes), teve sua origem no trabalho do professor Wilson de Lima Bastos, presidente do Centro de Estudos Sociológicos de Juiz de Fora, que fundou o então chamado “Museu do Folclore”. Em 1975, três anos após a inauguração do Forum da Cultura, o Museu passou a funcionar no local, sendo doado à UFJF em 30 de setembro de 1987.

O professor Antônio Henrique Weitzel, que fazia parte do Centro de Estudos Sociológicos de Juiz de Fora, foi o primeiro nomeado como responsável pelo Museu após sua transferência para a UFJF, assumindo o legado em 1988 e iniciando o registro de tombamento das peças. Mais tarde, o Museu do Folclore foi renomeado como Museu de Cultura Popular, por sugestão do professor Edmilson de Almeida Pereira, a fim de ampliar seu público e raio de ação.

Hoje, o acervo do Museu de Cultura Popular da UFJF possui mais de três mil peças, entre elas, esculturas, peças de crenças religiosas, coleções de brinquedos populares, cerâmicas, trançados, tecidos e presépios. Só estes últimos somam, atualmente, mais de 50. O Museu abriga obras de diversas regiões do país, além de peças estrangeiras. A diversidade dos materiais das obras de seu acervo ressalta e representa a cultura de um povo e a criatividade do universo popular.

As mostras, sempre temáticas, são realizadas mensalmente, exibindo peças pertencentes ao acervo do Museu em sua maioria. Ao longo do tempo, algumas das exposições temáticas foram se tornando tradicionais, e assim ganham edições anuais, como é o caso das exposições de Nossa Senhora, de Festejos Juninos, das mostras de brinquedos e de presépios.

 

A Galeria de Arte

           

O espaço, localizado no segundo pavimento do casarão, abrange todos os segmentos de artes plásticas e funciona, na maior parte do ano, com ocupações de artistas selecionados em um edital realizado anualmente pelo Forum da Cultura. Muitos artistas locais tiveram na Galeria de Arte a primeira oportunidade de expor seus trabalhos, assim como muitos artistas já consagrados também veem no local espaço propício para expor suas obras.

Nos meses em que não há ocupação, são produzidas pelo próprio espaço mostras que, em sua maioria, resgatam a memória da cidade, informam, valorizam artistas da região ou outros convidados, ou são de cunho didático.

Criada em 1981, no reitorado do professor Márcio Leite Vaz, a Galeria de Arte foi muito utilizada pelas promoções do circuito cultural das IFES mineiras. Importantes nomes da pintura mineira e juiz-forana tiveram suas obras expostas no local.

A diversidade permitida e manifestada na Galeria de Arte do Forum da Cultura, através das diferentes mostras que ocorrem ao longo do ano, com duração média de 15 dias cada uma delas, permite à população juiz-forana e a quem visita o local contato com as mais variadas manifestações artísticas, além de abrir espaço para que diversos artistas exponham suas obras.

 

A Pinacoteca

Além do contato com a arte que o Museu de Cultura Popular e a Galeria de Arte proporcionam, quem percorre o casarão pode conferir, por todo o espaço, desde a entrada e em cada uma das salas, obras de arte de artistas mineiros, sobretudo juiz-foranos, em uma infinidade de expressões artísticas em pinturas, gravuras, serigrafias, esculturas e maquetes, em exposição permanente, que pode ser visitada durante todo o ano.

A Pinacoteca do Forum da Cultura foi iniciada nos anos 1990 através de uma campanha capitaneada pela jornalista Delma Rocha, então programadora cultural da UFJF, e de Solange Starling Brandão, supervisora do Forum da Cultura, que conseguiram doações de artistas. Mais tarde, foram incorporadas ao acervo obras cedidas por diversos setores da UFJF. Uma das salas do casarão abriga a memória da UFJF, onde é possível conferir telas que possuem como tema os antigos prédios da Universidade, entre os quais se destaca o Forum, em diferentes perspectivas e olhares de cada artista.

 

Teatro

No terceiro andar, fica o teatro do Forum da Cultura. O Centro de Estudos Teatrais – Grupo Divulgação funciona como núcleo de ensino, pesquisa e extensão em artes cênicas. As atividades do Divulgação tiveram início em 1966, quando era um grupo de teatro universitário na antiga Faculdade de Filosofia e Letras. Na inauguração do Forum da Cultura, em 1972, o grupo apresentou o espetáculo “A Morta”, de Oswald de Andrade.

Atuando desde então junto à UFJF e funcionando no Forum da Cultura, possui três núcleos básicos de cursos que resultam na produção de espetáculos: o de universitários (para pessoas a partir de 18 anos), o de adolescentes e o da terceira idade. Tanto os cursos oferecidos como os espetáculos são gratuitos e abertos a toda a população. Desde 2019, o Grupo Divulgação é, também, patrimônio imaterial de Juiz de Fora.

 

O Coral da UFJF

Também está sediado no espaço do Forum da Cultura o Coral da Universidade. É nesse ambiente que o grupo realiza ensaios, preparações vocais e seleções. Além de ter um repertório eclético, que abrange músicas de diversos gêneros, desde peças sacras e profanas de compositores eruditos do passado e contemporâneos a canções do folclore nacional e internacional e músicas do cancioneiro popular brasileiro e juiz-forano em particular, outra característica marcante do grupo é seu caráter cênico, por utilizar, em suas apresentações, recursos visuais, figurinos específicos, cenários e iluminação.

Ao longo de sua existência, marca presença em palcos brasileiros e estrangeiros, realizando performances em shows, concertos, concursos, formaturas e festivais, sendo, também, muito premiado ao longo de sua trajetória. A história do Coral da UFJF tem início em 1966. Na ocasião, era um grupo de cantores liderados pelo maestro Victor Giron Vassalo,  funcionário da universidade. Quando o grupo foi integrado extraoficialmente à instituição, passou a ser conhecido como Coral Universitário – ou CORUNI. Já nessa época o coral era composto por estudantes, ex-alunos, professores e funcionários da UFJF, além de membros da comunidade não acadêmica. Essa configuração é mantida até hoje, embora o número de integrantes, no decorrer dos anos de existência, tenha variado bastante.

As seleções para o Coral da UFJF não exigem nenhum tipo de formação prévia, sendo necessário apenas preencher os requisitos exigidos pelo coral para a posição musical buscada pelo grupo, como voz adequada e memória musical. No Forum, além dos coralistas se reunirem para juntar as vozes, trabalhar timbre, afinação e interpretação do repertório proposto, o grupo também tem sua memória preservada através de documentos e fotos em seus arquivos e paredes.

 

Endereço e outras informações:

Forum da Cultura

Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora

www.ufjf.edu.br/forumdacultura

E-mails: forumdacultura@ufjf.br

forumdacultura@gmail.com

Instagram: @forumdaculturaufjf

Facebook: /forumdaculturaufjf

Telefone: (32) 3215-3850