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Facom vence o Prêmio Fernando Pacheco Jordão 2026 na região sudeste

Uma pauta proposta por estudantes da Faculdade de Comunicação (Facom) foi selecionada entre as cinco melhores da edição 2026 do Prêmio Fernando Pacheco Jordão para Jovens Jornalistas (PJJ), uma das principais iniciativas do jornalismo universitário no país. 

Intitulada como “A chuva e a cor: quem paga o preço do descaso habitacional?” a pauta foi elaborada pelos alunos do oitavo período de jornalismo, Alice Ferreira Lannes, Alice Vitória de Oliveira Diogo e Marcos Vinícius da Silva, sob orientação da professora Iluska Coutinho e foi a vencedora da categoria na região sudeste, concorrendo com outras cinquenta propostas. 

“O nosso grupo sempre teve um alinhamento muito forte em relação às percepções de mudança social dentro da nossa realidade como graduandos em Jornalismo e isso se reflete até mesmo em trabalhos que fizemos para disciplinas da faculdade”, ressalta Alice Lannes

Ao enviarem o trabalho para o prêmio este ano, a pauta era só uma: a tragédia com as chuvas em Juiz de Fora, uma temática que impactou todos de forma pessoal e também a partir de um olhar jornalístico. “Testemunhar um desastre dessa magnitude tão de perto revelou para nós um problema estrutural e histórico da cidade, que, por sua vez, está cheio de ramificações que não foram abordadas pela mídia hegemônica”, finaliza. 

Entenda o trabalho

A partir da tragédia com as chuvas na cidade de Juiz de Fora, que aconteceu em fevereiro de 2026, a matéria propõe investigar a respeito dos problemas estruturais históricos que a cidade enfrenta, além de questionar sobre o planejamento urbano da cidade após a tragédia. 

Alice Oliveira, uma das responsáveis pelo projeto, destaca que a produção é uma forma de dar voz aos atingidos e evidenciar como as tragédias ambientais não afetam todos da mesma maneira. “Pretendemos que este projeto leve à população o entendimento, baseado em fatos muito recentes e marcantes, de que o racismo ambiental está diretamente ligado às desigualdades sociais do país. O objetivo final é mostrar que a vulnerabilidade diante da chuva não é um destino geográfico, mas uma construção política que precisa ser urgentemente combatida.”

A premiação 

A edição de 2026 do prêmio tem como tema “O Brasil e a Agenda 2030 da ONU: desafios do desenvolvimento sustentável”, incentivando produções que abordam questões relacionadas aos direitos humanos, desigualdades sociais, sustentabilidade e políticas públicas.

De acordo com comunicado oficial da organização, as equipes selecionadas receberão apoio financeiro no valor de R$ 6 mil, além de mentoria especializada com jornalistas experientes para o desenvolvimento de reportagens em vídeo. As produções terão como foco temas de relevância social, com ênfase em justiça social e democracia.

Além do apoio do prêmio, a aplicação do ensino na Facom também foi vital ao longo do processo, como observa o estudante Marcus Vinícius. “A nossa formação em si dentro da Faculdade de Comunicação proporcionou com que conseguíssemos elaborar uma pauta que cativasse e fosse bastante relevante. Então, toda a construção pedagógica e prática foi de suma importância para que chegássemos aqui.”

A orientadora do trabalho, professora Iluska Coutinho, entende que o diferencial deste prêmio está na valorização do processo jornalístico, e não apenas do produto final. “Enquanto muitas premiações avaliam apenas o resultado da reportagem, o PJJ privilegia toda a construção da pauta, desde o compromisso com os Direitos Humanos até o desenvolvimento do trabalho com apoio de jornalistas experientes e professores orientadores”, destaca.

Iluska também ressalta a importância das trocas promovidas pela iniciativa entre estudantes, profissionais e universidades, especialmente durante o seminário final realizado em São Paulo, em que as equipes apresentam os trabalhos e debatem os desafios da produção. “Esses diálogos transformam não só os estudantes, mas também o ensino e o próprio jornalismo do futuro. Quem mais ganha é a sociedade, que passa a contar com profissionais mais sensíveis ao papel cidadão do Jornalismo e ao seu compromisso como direito humano fundamental”, afirma.

Sobre o prêmio

O Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão (PJJ) é promovido pelo Instituto Vladimir Herzog desde 2009 e é uma iniciativa para estudantes de Jornalismo de todo o Brasil desenvolverem pautas voltadas aos Direitos Humanos. A proposta busca proporcionar uma experiência prática completa, desde a concepção da ideia até a produção final da reportagem, estimulando o trabalho em equipe e a reflexão sobre o fazer jornalístico.

As pautas inscritas são avaliadas por um júri formado por professores, jornalistas e especialistas, com base em critérios como relevância, criatividade, diversidade de fontes e viabilidade. Os projetos também devem ser publicados em veículos laboratoriais das universidades.

A iniciativa homenageia o jornalista Fernando Pacheco Jordão, reconhecido por sua atuação na imprensa brasileira e por seu compromisso com a formação de novos profissionais. Em 2026, o PJJ conta com apoio de organizações como Oboré Projetos Especiais, Abraji, Intercom, Periferia em Movimento e o Memorial da Resistência de São Paulo, além de patrocínio da Petrobras, Caixa e Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

Outras informações:

Faculdade de Comunicação da UFJF 

@facomufjf