A Praça Cívica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) recebe, neste sábado, dia 26, uma ação especial do Setembro Verde, campanha nacional de conscientização e incentivo à doação de órgãos e tecidos. A programação será realizada das 8h às 12h, com entrada gratuita.
Durante a manhã, o público poderá participar de atividades de orientação e conscientização sobre a importância da doação de órgãos, além de receber informações sobre cuidados com a saúde. A iniciativa vai reunir acadêmicos dos cursos de Medicina e Enfermagem integrantes da Liga Acadêmica de Transplante de Tecidos e Órgãos (LATTO), além de médicas neurologistas e enfermeiras.
Serão distribuídos materiais educativos e aplicados questionários sobre o tema. Haverá aferição de pressão arterial e glicemia, além de um momento de troca de experiências com pacientes transplantados de diferentes órgãos. A programação também contará com a equipe de assessoria esportiva, promovendo atividades físicas orientadas, como exercícios funcionais, alongamentos, caminhada e corrida.
A importância de falar sobre a doação em vida
Segundo a neurologista e professora da Faculdade de Medicina da UFJF, Fabiana Bonato, o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Apesar disso, o número de transplantes realizados ainda é inferior à demanda de pacientes que aguardam por um órgão. “Um dos principais obstáculos é a recusa familiar. Em um momento de luto, muitas famílias enfrentam dificuldades para tomar a decisão sobre a doação dos órgãos de um ente querido. Por isso, conversar previamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar o processo”, explica Fabiana.

“Em um momento de luto, muitas famílias enfrentam dificuldades para tomar a decisão sobre a doação dos órgãos de um ente querido. Por isso, conversar previamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar o processo”, diz a professora da Faculdade de Medicina da UFJF, Fabiana Bonato
A doação de órgãos pode beneficiar até oito pessoas. Entre os órgãos que podem ser transplantados estão rins, fígado, coração, pâncreas e pulmões. Também podem ser doados tecidos, como córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas e cartilagens. Em situações específicas, alguns órgãos e tecidos podem ser doados em vida, como um dos rins, parte do fígado e a medula óssea.
Como funciona a doação
No Brasil, a doação de órgãos e tecidos de uma pessoa falecida depende da autorização da família. Por isso, o Setembro Verde reforça a importância de comunicar aos familiares, ainda em vida, o desejo de ser doador.
A doação de órgãos de pessoas falecidas somente pode ocorrer após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica, condição irreversível. O diagnóstico é realizado por meio de protocolos médicos específicos, depois de esgotadas as possibilidades de tratamento para salvar a vida do paciente.
Após a confirmação da morte encefálica e a autorização familiar, os órgãos podem ser destinados a pacientes que aguardam por um transplante. A distribuição segue critérios definidos pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que mantém uma lista única de espera organizada por estado ou região.
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante o acesso aos transplantes à população brasileira e é responsável pelo financiamento da maior parte dos procedimentos realizados no país.
A campanha Setembro Verde busca, portanto, ampliar o conhecimento da população sobre o processo de doação e reforçar uma mensagem fundamental: quem deseja ser doador deve conversar com a família e manifestar essa vontade em vida.
Outras informações: @lattoufjf
