
Graduado e mestre pela UFJF, Edimilson de Almeida Pereira iniciou sua carreira docente como professor substituto na instituição em 1987. Efetivou-se quatro anos depois, em 1991, e ficou até 2023, quando da sua aposentadoria (Foto: Carolina de Paula)
O professor e pesquisador Edimilson de Almeida Pereira, aposentado da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), recebeu na última quinta-feira, 29, em cerimônia solene do Conselho Superior (Consu), o título de professor emérito da instituição. Depois de quase quatro décadas dedicadas ao ensino superior, Pereira está aposentado há cerca de três anos e ainda atua como pesquisador colaborador do Programa de Pós-graduação em Letras da UFJF.
O homenageado da noite, “sempre grandioso e, ao mesmo tempo, contido, gentil, atencioso e humilde”, como caracterizou a vice-diretora da Faculdade de Letras e responsável pela indicação, professora Fernanda Cunha Sousa, falou o que representa receber a honraria para além da “felicidade incontornável de ver seu trabalho reconhecido e sua trajetória compreendida e partilhada”.
“Há um sentido coletivo de tudo isso, que é o que mais me motivou ao longo da vida, que é pensar os espaços públicos de ensino e pesquisa como parte de uma vida social vigorosa. Onde as pessoas podem discutir as diversas ideias, experimentar as diferentes formas de realidade social, debater, criar verdadeiramente o espírito democrático que faz das universidades esse respiradouro da vida cotidiana.”

Título de Professor Emérito, aprovado pelo Conselho Superior, foi entregue ao docente pela reitora da UFJF, Girlene Alves (Foto: Carolina de Paula/UFJF)
Pereira também ressaltou a importância de solenidades como essas em meio a turbulências políticas que ameaçam objetivamente os órgãos públicos de ensino. Para o professor, defender a universidade foi, recentemente, e tem sido, historicamente, uma necessidade dos docentes, dos trabalhadores técnico-administrativos e dos estudantes.
“Quando momentos históricos graves acontecem, cerimônias como essas de agora marcam o espaço de necessidade da universidade na sociedade brasileira. É preciso ritualizar, é preciso reconhecer pessoas que trabalham, é preciso projetar futuro e fazer uma crítica do passado para que as nossas instituições públicas continuem sendo o patrimônio da população brasileira”, defende.
Edimilson é uma referência, um poeta de relevância internacional que não deixa de ser o professor preocupado como o aprendizado de cada um dos seus estudantes – Fernanda Cunha Sousa, ex-aluna de Edimilson e atual vice-diretora da Faculdade de Letras
Relevância internacional
Todos os presentes na cerimônia lembraram que Pereira segue inspirando gerações de alunos, professores e leitores em prol da ciência e da educação e destacaram a atuação extra-acadêmica do colega, que preza pela troca cotidiana com os diferentes níveis de aprendizado.
Para Girlene Alves, reitora da Universidade, a trajetória do professor é inspiradora porque ultrapassa o lugar da sala de aula. “Ele é capaz de, com sua obra, com seu jeito de fazer, com seu exercício de ser mestre, tocar muita gente fora da instituição. É por isso que ele é reconhecido dentro e fora da UFJF”, orgulha-se a reitora.
Já a diretora da Faculdade de Letras, professora Nícea Nogueira, percebe a influência de Pereira na trajetória dos alunos que passam pela unidade. “Ele é uma referência, não só nos livros, mas nos corredores, nas salas de aula, na poesia. Quando a gente lê um texto do Edimilson em sala de aula, os alunos se emocionam”, declara.

Reconhecido internacionalmente por suas obras de poesia, romance, ensaio e literatura infantojuvenil, Pereira é uma das figuras mais proeminentes da literatura brasileira contemporânea (Foto: Carolina de Paula)
Devido a compromissos oficiais de última hora, a prefeita Margarida Salomão fez-se presente na solenidade pelas palavras da professora Nícea, que leu a saudação da também emérita não poupando elogios ao colega de profissão. “Edimilson sempre foi um professor fantástico, admiradíssimo e uma referência perene para as gerações de alunos do curso de Letras. Um intelectual de máxima grandeza”, reconheceu a gestora de Juiz de Fora.
Quanto à atuação como poeta, Margarida sublinhou que é dele, hoje, “uma das vozes mais importantes e vigorosas da literatura brasileira contemporânea, cuja produção se destaca pela originalidade e autenticidade frequentemente consagrada por sucessivos prêmios nacionais e internacionais”.
