
O lançamento do programa aconteceu na última terça-feira, 18; foi a primeira vez que todos os integrantes se reuniram presencialmente. (Foto: divulgação)
Estudantes e professores do campus Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-GV) já iniciaram o trabalho de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde pública na região Macro Leste. Foi lançado na última terça-feira, 18, o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que nesta 13ª edição tem o clima como tema.
Além da comunidade acadêmica, esse primeiro ciclo integrador do ‘PET-Saúde Clima: Emergência Climática, Território e Saúde Pública’ reuniu profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), das secretarias estadual e municipais e Superintendência Regional de Saúde. Na programação, palestras com Txawã Pataxó Elizeu da Silva Souza e Maryana Santos Vasconcelos Marques, ambos do DSEI, e do servidor da Secretaria de Saúde de Governador Valadares Vanderson dos Reis Lima. As discussões foram mediadas por Bruno Franco Alves, professor do curso de Direito da UFJF-GV.
Embora os integrantes do programa venham trabalhando desde o dia 3 deste mês, o evento funcionou como uma apresentação oficial, já que foi a primeira vez que toda a equipe se reuniu presencialmente. Também foi uma oportunidade para conhecer melhor as atividades que vão desempenhar e quais as principais questões de clima, ambiente e saúde relacionadas à região.
Outros ciclos integradores devem acontecer durante o PET-Saúde Clima, que tem vigência de 24 meses. O objetivo desses encontros é acompanhar cada fase do programa. Ainda estão previstos dois eventos dedicados à comunidade e aos gestores dos 50 municípios envolvidos na iniciativa.
Como será o trabalho
Divididos em cinco equipes, os 64 membros do programa vão fazer uma imersão nos 50 municípios da chamada Macrorregião Leste. São estudantes de todos os cursos do campus, professores dos dois institutos, profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e do DSEI e um engenheiro ambiental da prefeitura de Governador Valadares, que vão vivenciar como o território lida com situações ligadas ao clima e ao meio ambiente.
“Vamos visitar o Comitê de Operações Especiais da Defesa Civil para entender como lidam em cenários de eventos extremos, como o SUS atende às demandas relacionadas a emergências climáticas e ambientais. Vamos até movimentos sociais, como o dos Atingidos por Barragens (MAB), e à Cáritas. Vamos ter diagnóstico, identificação de problemas, planejamento de intervenções, as intervenções propriamente e ações de monitoramento e avaliação sobre o impacto do que a gente fez”, detalha a coordenadora do PET-Saúde Clima na UFJF-GV, Meirele Rodrigues Gonçalves.
Plano de contingência em 100% dos municípios
Os petianos – como são chamados os integrantes do programa – também irão se debruçar sobre os programas do setor de vigilância em saúde ambiental dedicados a monitorar a qualidade do ar, da água e do solo. Mas o mais ambicioso objetivo do PET-Saúde Clima talvez seja garantir que a integralidade dos municípios tenha planos de contingência que realmente funcionem.

O principal objetivo do programa é “deixar o SUS mais resiliente e menos reativo a eventos climáticos”, afirma Meirele Rodrigues.
“Vamos ver como esses programas estão implantados, quais pontos precisam ser fortalecidos, propor a organização dentro desses municípios, tanto dos comitês que vão trabalhar essas frentes quanto dos planos de contingência, para quando ocorrer uma emergência esse plano já esteja organizado. A pessoa precisa saber para quem ligar, quem procurar, para onde ir e o que fazer. Os municípios que não têm esse plano, vamos ajudar a construir. Os que têm, vamos fortalecer, para que cem por cento do território tenha plano de contingência para enfrentar todas essas questões climáticas e ambientais”, enfatiza Meirele.
Também está no radar do programa o entendimento de que as mudanças climáticas não afetam a todos da mesma forma, como explica a coordenadora. “Vamos mapear quem são os grupos mais vulneráveis, como são impactados, como trabalhar com a justiça climática, priorizar e atender os mais vulneráveis, os mais pobres, os que estão enfrentando mais riscos”. Meirele reforça que tudo o que será desenvolvido ao longo desses dois anos no PET-Saúde Clima tem um objetivo: “Deixar o SUS mais resiliente e menos reativo a eventos climáticos”.
Rebeca Camargos e Thassyla Rodrigues Alves Costa estão entre os 40 estudantes do campus envolvidos no programa. Discente do curso de Administração, Rebeca considera o PET um “projeto incrível”. O que mais a atrai na iniciativa é o fato de se concentrar no atendimento primário das unidades básicas de saúde dos municípios, o que acaba gerando uma “articulação com a comunidade, especialmente, os mais vulneráveis”.
E quem também está com muitas expectativa em relação a sua participação no PET é Thassyla, do curso de Fisioterapia. “Estou muito empolgada. Esse tema não é só atual, ele é super urgente e mexe com a nossa região, que sente na pele, todos os dias, as temperaturas elevadas”. Ela ainda destaca a importância dessa integração entre estudantes das áreas sociais e de sáude. “É muito interessante é muito incrível porque permite olhar as pessoas e os problemas climáticos de forma completa. Espero colocar a mão na massa o mais rápido possível e aprender com o saberes culturais de outras comunidades”.
O PET-Saúde é um programa do Ministério da Saúde dedicado a aproximar estudantes, professores, profissionais da área, gestores e comunidades. Desde sua criação, em 2008, a iniciativa promove a formação em saúde a partir das necessidades reais dos territórios. As instituições interessadas apresentam os projetos, sendo que as propostas selecionadas recebem os recursos para a execução. Em Governador Valadares, a UFJF-GV vem se destacando, já tendo encabeçado várias edições do programa.


