
Desenho do Museu do Crédito Real em Juiz de Fora compõe exposição no Forum da Cultura (Foto: Forum da Cultura)
Nesta terça-feira, 5, às 18h30, acontece a abertura da mostra “Juiz de Fora: arquitetando uma vocação cosmopolita”, da artista plástica brasileira Dayse Lamas e do arquiteto iraniano Shahram Asadiazar, no Fórum da Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Na ocasião, além da artista, estarão presentes pessoas de diferentes nacionalidades, que escolheram Juiz de Fora como um novo lar, compartilhando suas experiências na cidade. O evento é gratuito e aberto ao público em geral.
A mostra, que segue em cartaz até o dia 22 de maio, com visitações de segunda a sexta, das 13h às 16h, dá início à temporada de exposições do edital de ocupação da Galeria de Arte de 2026, além de integrar a programação do Forum da Cultura na 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que traz como tema desta edição “Museus: Unindo um Mundo Dividido”.
O evento foca em museus como agentes de diálogo, democracia e preservação da memória em tempos de conflitos, o que se alinha completamente à proposta da mostra.

Masuleh é uma vila no distrito de Sardar-e Jangal, no condado de Fuman, província de Guilão, Irã . (Foto: Forum da Cultura)
Em tempos de xenofobia, fechamento de fronteiras e discursos de ódio em diferentes pontos do globo, e após a recente tragédia causada pelas chuvas de fevereiro de 2026 em Juiz de Fora, a nova mostra chega como um bálsamo sobre feridas ainda abertas. Por meio de mais de 20 desenhos produzidos à mão com canetas nanquim, lápis de cor e eventualmente aquarela, Dayse e Shahram apresentam uma série de construções significativas de cada localidade em que vivem, exaltando suas peculiaridades. Será possível, por exemplo, vislumbrar as linhas curvas e arredondadas da Igreja Melquita de São Jorge e do Planetário da UFJF e sua íntima relação com os traços do Teatro Shahr da capital Teerã, edifício conhecido por sua arquitetura única, que mistura estilos modernos com elementos tradicionais persas.
Para Dayse, os desenhos que compõem a mostra são retratos de uma época, linhas que contam histórias. “Nossos trabalhos têm como fonte de inspiração a arquitetura de onde vivemos. Se comparados os traços, consigo ver semelhanças e diferenças. Nas localidades apresentadas por Shahram convivem o rural e o metropolitano. Juiz de Fora, eclética, representa o mundo. O tradicional, o moderno e o contemporâneo se misturam. No Irã temos a realidade da guerra. Mas e aqui? Inúmeras edificações de importância histórica foram varridas do mapa e apagadas da memória devido à especulação imobiliária”, reflete.

O Teatro da Cidade (Teatr-e Shahr) é o principal complexo de artes cênicas de Teerã, Irã, localizado no Parque Daneshju (Foto: Forum da Cultura)
“Todos nós, como humanidade, amamos do mesmo jeito, sofremos com a mesma intensidade, criamos com o mesmo prazer. No caso em questão, construímos – palavra potente em época de destruição – com o mesmo propósito: o primordial deles, a moradia que nos abriga, os templos para a nossa espiritualidade, as escolas para o nosso desenvolvimento, repartições públicas para a nossa cidadania, hospitais para o cuidado com a vida, espaços culturais e sociais para o nosso deleite, entre outros. A mostra carrega um pouco dessa essência também”, acrescenta Dayse.
Entre os destaques da mostra está a obra “Escola Normal”, de Dayse Lamas, que retrata o prédio do Instituto Estadual de Educação inaugurado em 14 de agosto de 1930, projetado pelo engenheiro Lourenço Baeta Neves, no estilo Art Déco, e executado pela firma Pantaleone Arcuri. De Sharam, chama atenção o desenho “Masouleh, província de Gilan”, que traz uma instigante característica da arquitetura daquele local, onde os telhados das casas são quintais do vizinho.
Outras informações: (32) 2102-6306 – Forum da Cultura
forumdacultura@ufjf.br
Instagram: @forumdaculturaufjf
