Professores Simon Hamborg e Christian Larsen (ao centro) foram recebidos no gabinete da Reitoria (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

Professores da escola Mariagerfjord Gymnasium, da cidade de Hobro, na Dinamarca, visitaram a reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Girlene Alves e o vice-reitor Telmo Ronzani na última sexta-feira, 6. O encontro foi realizado no gabinete da Reitoria. A escola dinamarquesa e o Colégio de Aplicação João XXIII (CAp João XXIII) têm um convênio de intercâmbio desde 2015. A dupla de professores acompanha sete estudantes intercambistas que cursam o ensino médio dinamarquês. 

Por meio da parceria, intitulada Programa de Intercâmbio Internacional, os estudantes e professores dinamarqueses têm uma imersão na cultura e no cotidiano do Brasil e, mais precisamente, de Juiz de Fora. Além de ficarem hospedados nas casas de familiares de estudantes do Colégio de Aplicação, eles também frequentam a escola e participam do cotidiano do CAp João XXIII.

Docentes dinamarqueses: ‘expandir horizonte dos estudantes’

O Mariagerfjord Gymnasium tem uma equipe de 60 professores e aproximadamente 550 estudantes com idades entre 15 e 19 anos. A cidade onde a escola está sediada, Hobro, fica localizada na região administrativa da Jutlândia do Norte e tem cerca de 12.360 habitantes. 

Como conta o professor Simon Hamborg, de Educação Física e Geociência, os estudantes que fazem o intercâmbio estão no último ano do ensino médio dinamarquês e irão se formar em junho. Hamborg acredita que para os seus alunos é “muito interessante” experimentar a vida brasileira. 

“Acho que muitos dos nossos estudantes já foram turistas em diferentes lugares do mundo. Mas isso é muito diferente e você fica hospedado com a família, tem que lidar com a barreira do idioma, prova a comida e experimenta o dia a dia. O que é algo muito único. Não é fácil viver uma experiência como esta quando vão de férias para a Espanha, França ou qualquer outro lugar”, reflete. 

Christian Larsen, professor de História e Estudos Sociais, concorda. Para ele é importante “expandirmos o horizonte dos jovens estudantes”, e acrescenta que a América do Sul não seria um destino provável de viagem para os alunos. 

“Então você desafia a perspectiva que eles têm sobre a América do Sul e sobre o Brasil, e também os tiramos da zona de conforto. Eles vão ficar longe dos pais por muito tempo e, quando voltarem para casa, estarão quase adultos. Eles aprenderam muito sobre si mesmos e sobre uma cultura que não conheciam antes de embarcar em um avião e voarem para a América do Sul”, avalia Larsen, que participa do programa de intercâmbio desde o início, em 2015. 

A receptividade brasileira é outro ponto de destaque na experiência do intercâmbio, de acordo com os professores. Para Hamborg, a hospitalidade no CAp João XXIII foi surpreendente. “Fiquei realmente surpreso com o quanto eles foram acolhedores. Alguns ficaram um pouco tímidos para falar inglês, mas são muito acolhedores, de braços abertos”. 

Para Larsen, os dinamarqueses são mais introvertidos que os brasileiros. As diferenças culturais resultam em situações curiosas, de acordo com o professor. “Quando os brasileiros vão à Dinamarca, eles sabem que vão experimentar algo muito diferente do que é no Brasil. Por exemplo, as lojas fecham por volta das 17h, então não há nada acontecendo na nossa cidade. E você janta por volta das 18h. Você experimenta culturas diferentes e acho que isso é algo importante nessa troca, você vê que é possível viver a vida de maneiras diferentes.”

Ação projeta imagem do CAp João XXIII e da UFJF

Professores e alunos do CAp João XXIII também já tiveram a oportunidade de visitar a escola dinamarquesa e a cidade de Hobro, além de também se hospedarem nas casas de famílias locais. Presente no encontro no gabinete da Reitoria, o diretor geral do Colégio de Aplicação João XXIII, Felipe Bastos (à direita na foto), destaca que a Dinamarca é um país reconhecido pelo seu modelo de bem-estar social e políticas educacionais democráticas. Para ele, a experiência do intercâmbio promove o desenvolvimento de competências linguísticas e comunicativas, além de ser uma oportunidade de aperfeiçoamento à formação dos professores envolvidos. 

“Eu penso que esse projeto promove uma internacionalização da prática pedagógica quando os professores do Colégio de Aplicação estão em contato com professores dinamarqueses. Desde possibilidades de trocas sobre metodologia, sobre avaliação ao uso de tecnologias, que é bastante diferente do nosso país para a Dinamarca”, afirma o professor. 

Para Bastos, o programa de intercâmbio também consolida a imagem do CAp João XXIII e da UFJF no cenário nacional e internacional. “E também reforça o nosso projeto de escola como um espaço de inovação. Nós somos um colégio de aplicação que tem como base a inovação. Um projeto como esse acaba reforçando nosso projeto de escola”, finaliza.

Internacionalização da educação básica

De acordo com diretor de Relações Internacionais da UFJF, Alexandre Cadilhe (à esquerda na foto), com a intensificação do intercâmbio na educação básica, a Diretoria de Relações Internacionais (DRI) atua na construção de uma agenda de internacionalização também no Colégio de Aplicação.

“A partir de algumas possibilidades, nós iniciamos um diálogo mais intenso nessa gestão com o Colégio de Aplicação para o estabelecimento de princípios para a internacionalização da educação básica, tema que hoje é discutido no Ministério da Educação”, relata. 

Ainda segundo Cadilhe, essa é uma parceria “extremamente significativa”. “É uma iniciativa dessa escola dinamarquesa para o estabelecimento de intercâmbio com o Sul Global, especialmente com a América Latina. Uma parceria que tem implicações político-pedagógicas muito significativas para que a gente promova uma internacionalização comprometida com a mudança social”, finaliza.  

A delegação do Mariagerfjord Gymnasium chegou à Juiz de Fora no dia 5 de fevereiro e retorna em 12 de fevereiro.