A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizou, nessa segunda-feira, 21, o Fórum de Internacionalização, promovido pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI). O encontro reuniu representantes da comunidade acadêmica para apresentar um diagnóstico das ações de internacionalização da Universidade, discutir desafios e definir encaminhamentos para a consolidação de políticas institucionais na área.

Entre os principais encaminhamentos está a formação de dois comitês: o Comitê de Internacionalização e o Comitê de Política Linguística. Os grupos de trabalho, compostos por representantes da DRI, unidades acadêmicas e pós-graduação, serão responsáveis por elaborar propostas para as duas políticas. Os documentos, construídos de forma conjunta, serão posteriormente submetidos às instâncias superiores da UFJF.

A iniciativa integra um processo de diagnóstico e reorganização da internacionalização desenvolvido pela DRI desde 2024. Segundo o diretor de Relações Internacionais, Alexandre Cadilhe, o objetivo é avançar de ações isoladas para uma política institucional que envolva transversalmente ensino, pesquisa, extensão, inovação e administração. 

Participaram do Fórum de Internacionalização representantes das unidades acadêmicas e de pós-graduação (Foto: Carolina de Paula/UFJF)

Da elaboração do plano à construção de uma política

Na abertura da apresentação, o diretor contextualizou o trabalho desenvolvido pela DRI desde o início da atual gestão, em abril de 2024. O primeiro movimento foi a realização de um diagnóstico sobre a internacionalização nas universidades federais brasileiras e, posteriormente, um levantamento específico sobre a realidade da UFJF.

O diagnóstico nacional identificou diferentes níveis de internacionalização entre as universidades federais. Enquanto algumas instituições possuem estruturas próprias, como pró-reitorias de internacionalização, outras ainda concentram as ações em assessorias ou secretarias vinculadas à Reitoria. Nesse cenário, a Universidade foi apresentada como uma instituição que já possui, segundo o diretor, “uma internacionalização que se encontra como uma diretoria e está entre os dois caminhos”.

Alexandre Cadilhe, diretor de Relações Internacionais, destacou durante o evento os avanços da internacionalização na Universidade nos últimos anos (Foto: Carolina de Paula/UFJF)

Em 2025, a DRI concentrou esforços na elaboração de um diagnóstico da UFJF e, em 2026, iniciou uma agenda itinerante junto às unidades acadêmicas. O trabalho consiste em apresentar a cada unidade informações sobre estudantes internacionais, mobilidade de estudantes brasileiros, professores visitantes, projetos, convênios e oferta de disciplinas e cursos em línguas estrangeiras.

A partir desse levantamento, a diretoria passou a defender a necessidade de uma política institucional de internacionalização, que deverão estabelecer princípios e diretrizes institucionais. “Uma coisa é estabelecermos a política de internacionalização com um conjunto de princípios que vão, de alguma forma, orientar ou fundamentar a Universidade, as unidades acadêmicas em relação às suas escolhas e um outro movimento é eu ter um plano”, explicou.

Comitês de Internacionalização e Política Linguística 

A proposta apresentada no Fórum prevê que o Comitê de Internacionalização tenha como atribuição central formular, propor e atualizar a Política Institucional de Internacionalização da UFJF. Entre os objetivos estão a definição de diretrizes transversais, o estabelecimento de metas de mobilidade e a institucionalização dos fluxos de acolhimento de estudantes e das parcerias internacionais.

O segundo encaminhamento apresentado foi a estruturação de estudos para o Comitê de Política Linguística. A proposta é que a instância formule e proponha a Política Linguística Institucional da UFJF, além de contribuir para regulamentar e ampliar ações relacionadas ao ensino de línguas estrangeiras, ao Idiomas sem Fronteiras (IsF) e ao Português para Estrangeiros (PLE/PEC-PLE). 

A discussão parte da compreensão de que as barreiras linguísticas ainda constituem um dos obstáculos à internacionalização, tanto para estudantes quanto para docentes. O diretor também destacou que a ampliação do acesso à universidade pública trouxe para dentro da instituição estudantes e professores que nem sempre tiveram a oportunidade de aprender uma língua estrangeira ou realizar intercâmbio. 

Para ele, essa realidade cria uma responsabilidade institucional de democratizar o acesso às línguas e às experiências internacionais. “A demanda de pensarmos de uma forma coletiva quais são as orientações que a universidade vai assumir, caso ela se proponha a ser entendida como uma instituição plurilíngue, ou multilíngue ou monolíngue”, afirmou. 

A política deverá contribuir para orientar, por exemplo, a oferta de línguas na graduação, na pós-graduação e em cursos de curta duração. A DRI também destacou experiências já existentes, como o Global July, a oferta de disciplinas em língua inglesa e as ações de português para estrangeiros. 

Durante a reunião, foram indicados os docentes que irão compor ambos os comitês, que serão responsáveis por conduzir os estudos e encaminhamentos necessários para implementação das políticas.

Procura por cursos de idiomas cresce

Os dados apresentados no Fórum mostram um crescimento expressivo da procura por formação em línguas estrangeiras. Em 2025, o programa Idiomas sem Fronteiras registrou 1.478 inscritos, contra 355 em 2024, com aumento de 316%.

A oferta de 2025 incluiu cursos de inglês, com 482 inscritos; italiano, com 446; espanhol, com 336; francês, com 217; e português para estrangeiros, com 17.

As atividades incluem cursos voltados a habilidades acadêmicas, leitura de artigos, produção escrita, compreensão oral e preparação para exames de proficiência. A DRI também destacou a oferta de cursos de acolhimento em Português Brasileiro e a preparação para o exame Celpe-Bras.

O crescimento da procura, segundo o diretor, demonstra a existência de uma demanda da comunidade acadêmica por formação linguística. Para ele, a discussão agora envolve também avaliar se a oferta existente é suficiente e de que forma disciplinas ministradas em línguas estrangeiras podem contribuir para a formação dos estudantes. 

Mais estudantes estrangeiros na UFJF

Outro destaque do Fórum foi o crescimento do número de estudantes internacionais matriculados na Universidade. De acordo com os dados apresentados, o total ajustado passou de 170 estudantes em 2022 para 233 em 2025, crescimento de cerca de 37%.

Em 2025, foram registradas 113 matrículas na graduação presencial, 41 no mestrado, 48 no doutorado, 30 em convênios e no PEC-PLE e uma em especialização ou outras modalidades.

Na graduação, Medicina aparece com 24 matrículas de estudantes internacionais, seguida por Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil, com 11 cada, e Farmácia, com nove. Na pós-graduação, foram destacados programas como Física, Modelagem Computacional, Educação, Biodiversidade e Gestão Educacional.

A DRI ressaltou ainda a diversidade geográfica dos estudantes, com presença de países africanos como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Benin e Congo; latino-americanos, como Peru, Colômbia, Venezuela, Argentina, Chile e Haiti; além de estudantes da América do Norte, Ásia e Europa. A comunidade acadêmica internacional da UFJF reúne estudantes de mais de 50 países.

Internacionalização “em casa”

O crescimento da chegada de estudantes estrangeiros também traz novos desafios para a Universidade. Para o diretor, a internacionalização não deve ser medida apenas pelo número de estudantes brasileiros que realizam intercâmbio no exterior. A presença de estudantes internacionais na UFJF também pode proporcionar uma experiência intercultural à comunidade acadêmica.

“Nós temos ciência que, dos cerca de 20 mil estudantes, nós não teremos todos em condição de fazer uma mobilidade. Mas isso não significa que o estudante não viva uma experiência internacionalizada”, explicou. 

Nesse sentido, a DRI trabalha com o conceito de internacionalização em casa, buscando inserir os estudantes internacionais no cotidiano acadêmico, nos currículos, nas disciplinas e em outras atividades da Universidade.

Entre as ações citadas estão a ampliação das vagas pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), a criação do PEC-PLE, o programa Move na América e a adesão a iniciativas voltadas à inclusão de estudantes em situação de refúgio. O Global July também passou a ser utilizado como espaço de participação e apresentação dos estudantes internacionais. 

Mobilidade e novas parcerias

O Fórum também apresentou avanços na mobilidade de estudantes da UFJF. Entre 2024 e 2025, foram ofertadas 207 vagas para intercâmbio na graduação. 

A DRI destacou a ampliação das possibilidades de intercâmbio, especialmente em países da Ásia e da América Latina, além da consolidação de parcerias na Europa. Também houve expansão dos convênios com países africanos: de um acordo existente no início da atual gestão para cerca de oito atualmente. 

Os editais de intercâmbio também incorporam ações afirmativas na seleção para bolsas. A DRI trabalha ainda, em conjunto com a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), na elaboração de uma normativa para tornar mais claro e uniforme o aproveitamento acadêmico das atividades realizadas pelos estudantes durante a mobilidade.

No campo das parcerias internacionais, foram apresentados 41 novos acordos no período de 2024 para 2025, totalizando 93 convênios internacionais ativos, além da participação da UFJF em redes e fóruns internacionais. A Universidade também ampliou sua inserção em iniciativas relacionadas aos Brics, estabeleceu novas parcerias com países como Índia e África do Sul e ampliou o diálogo com instituições africanas e latino-americanas.