
Dia da Visibilidade Lésbica contará com seminário, cine-debate e sarau, promovidos pelos grupos SER-Diverse e Gedis, coordenados pelo professor da Faculdade de Serviço Social da UFJF, Marco José Duarte (ao centro, de camisa branca).
Nesta quarta-feira, 19, uma programação especial marca o Dia da Visibilidade Lésbica, com seminário, cine-debate e sarau. A iniciativa é uma promoção conjunta do projeto de extensão SER-Diverse – Observatório Latino-Americano da Diversidade Sexual e de Gênero e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Sexualidade, Gênero, Diversidade e Saúde: Políticas e Direitos (Gedis).
As atividades acontecem a partir das 16h30 no Mercado Cultural AICE, localizado no auditório do segundo andar do Mercado Municipal de Juiz de Fora. A programação integra a semana da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, e também marca os sete anos de atuação do SER-Diverse, projeto que anteriormente funcionava como Centro de Referência de Promoção da Cidadania LGBTQI+.
O evento é aberto ao público, e não é necessária inscrição. A proposta busca aproximar a produção da UFJF das organizações e coletivos que atuam na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ em Juiz de Fora. Veja mais detalhes da programação logo abaixo.
Referência nacional
Coordenados pelo professor da Faculdade de Serviço Social da UFJF, Marco José Duarte, o Gedis e o SER-Diverse articulam atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas à diversidade sexual e de gênero. Duarte também coordena, atualmente, uma pesquisa latino-americana financiada pela Chamada Universal do CNPq, que reúne 25 pesquisadores de 12 universidades de sete países, incluindo o Brasil.

“A gente não só produz conhecimento, mas também faz intervenção junto aos movimentos sociais, aos sujeitos, produzindo políticas públicas”, diz Marco Duarte
De acordo com o professor, a trajetória do SER-Diverse é marcada pela articulação entre Universidade, poder público e movimentos sociais, ampliando o alcance das ações desenvolvidas em Juiz de Fora. “A UFJF foi uma referência por ter um Centro de Referência LGBT como um programa de extensão na cidade de Juiz de Fora. Então, isso virou uma referência mesmo, nacional.”
Ainda de acordo com o professor, durante o período em que funcionou como Centro de Referência, o projeto atuou no acolhimento de pessoas vítimas de violações de direitos e diferentes formas de violência, com uma equipe formada por estudantes de graduação e pós-graduação, além de profissionais voluntários de áreas como Direito, Psicologia e Serviço Social.
A atuação também se estendeu para a construção e o fortalecimento de iniciativas da própria comunidade. Durante a pandemia, por exemplo, o projeto desenvolveu a campanha Trans Solidariedade, voltada a população de travestis e transexuais que trabalhavam sexualmente nas ruas, mas precisou interromper as atividades devido às medidas de isolamento.
A partir desse processo, segundo Marco, o projeto também contribuiu para o fortalecimento do protagonismo de pessoas trans na cidade e para a construção de organizações e coletivos. “A gente não só produz conhecimento, mas também faz intervenção junto aos movimentos sociais, aos sujeitos, produzindo políticas públicas.”
Programação
A programação do dia 19 começa às 16h30, com o seminário “SER-Diverse – 7 anos de (r)existência em Juiz de Fora”. A atividade conta com uma mesa de debate composta pelo professor Marco José Duarte, pela pesquisadora Brune Coelho e pela artista Thamy Vantine. Também estarão presentes 15 bolsistas dos grupos, os quais apresentarão os projetos desenvolvidos e financiados.
Na ocasião, serão lançadas três cartilhas, em versões impressas e digitais, folder sobre o SER-Diverse e documentário que registra a trajetória do projeto, desde o início como Centro de Referência, e as pesquisas desenvolvidas pelo Gedis.
A partir das 18h, será realizado o Cine-SER & Roda de Conversa, com a exibição do documentário “Ferro’s Bar”. Após a exibição do longa, a roda de conversa “Visibilidade Lésbica – ainda sobre isso!”, terá a participação de Soraya Menezes (Associação de Lésbicas em MG), Juliana Perucchi (professora do Departamento de Psicologia da UFJF), Natália Souza (UFF) e Paula Corrêa (Caminhada Lésbica de Juiz de Fora).
A atividade tem o objetivo de propor a discussão sobre a permanência das pautas relacionadas aos desafios enfrentados pelas mulheres lésbicas na busca por direitos, reconhecimento e cidadania. Para Marco Duarte, a programação reforça a necessidade de manter o tema presente tanto no ambiente acadêmico quanto nos espaços de participação social. “Ainda é histórica a ausência das mulheres lésbicas no contexto da militância. Então, a gente quer fazer esse debate e tratar dessa invisibilidade dessas mulheres, ainda mais no campo dos direitos.”
Fechando a programação, às 20h, acontece o Sarau Cultural – Mulheres LBTs, com apresentações de Nalu Gonzaga e Bia Dejah.
Entre as organizações e movimentos parceiros da iniciativa estão a Prefeitura de Juiz de Fora, por meio de diferentes secretarias; o Conselho Municipal LGBTQIAPN+; ASTRAJF; Ballroom Kunt JF; Baile do Manifesto; Coletivo Mães pela Liberdade; Coletivo Transtornados; GT Trans Tynna Medsan; CRDH-JF; Coletivo Villain Era; Grupo Força Trans e Miss Brasil Gay.
A articulação entre os diferentes setores da sociedade é parte da proposta do SER-Diverse e do Gedis de produzir conhecimento, e ao mesmo tempo, contribuir para o fortalecimento de políticas e ações voltadas à promoção da cidadania LGBTQIAPN+.
Outras informações:
Perfil do Instagram do SER-Diverse UFJF

