Criado pelo Ministério da Saúde para fortalecer a permanência de estudantes ingressantes por ações afirmativas nos cursos da área da saúde, o Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde (AfirmaSUS) tem proporcionado aos bolsistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) experiências que vão além da formação em sala de aula. Entre atividades de pesquisa, extensão, comunicação e educação em saúde, os estudantes destacam o contato com diferentes realidades sociais e o fortalecimento do compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Júlio César Valverde integra o Grupo 2 – Saúde Oral do AfirmaSUS. Também integram a equipe a estudante de Odontologia Ana Beatriz Borges, do lado esquerdo da foto, e a discente de Medicina Lorena Rodrigues, do lado direito. (Foto: Arquivo pessoal)
Para o estudante de Odontologia Júlio César Valverde, do 8º período, a participação no programa aproxima a Universidade da população e amplia a compreensão sobre o papel dos profissionais de saúde. “Faço parte das ações de promoção e educação em saúde, principalmente voltadas para a saúde bucal, além de colaborar na organização das atividades e na elaboração de materiais educativos. O projeto me mostra, na prática, o valor do trabalho em equipe, da escuta e da promoção da saúde”, afirma.
Segundo Júlio, a experiência também contribui para sua formação profissional. “Além de ampliar meus conhecimentos, ela me ajuda a entender melhor a realidade das pessoas e o papel do cirurgião-dentista dentro do SUS. Acredito que estou me tornando um profissional mais preparado, comprometido e sensível às necessidades da população.”
Na área da comunicação, a estudante de Jornalismo Sophia Bispo, do 7º período, integra a equipe responsável pela divulgação científica do projeto. Entre suas atividades estão a administração das redes sociais, o desenvolvimento do site do AfirmaSUS, a cobertura das ações realizadas e a produção de conteúdos relacionados às pesquisas desenvolvidas.
De acordo com Sophia, a convivência com estudantes e professores da área da saúde ampliou sua visão sobre a atuação do jornalista no SUS. “Antes eu não pensava no jornalismo de saúde e hoje já considero essa possibilidade. É uma área sobre a qual precisamos falar com qualidade, objetividade e de forma acessível para que mais pessoas compreendam seus direitos”, destaca.
Entre as próximas etapas do trabalho, a equipe pretende concluir o primeiro documentário do projeto, lançar o site institucional e iniciar uma nova produção audiovisual.

Integrantes do AfirmaSUS da UFJF. Para Higor Castello Branco (ao centro, de camisa preta), o projeto compreende a saúde de forma ampla e considera fatores sociais que influenciam o cuidado. (Foto: Arquivo pessoal)
O estudante de Fisioterapia Higor Castello Branco, do 6º período, atua em pesquisas e ações de extensão voltadas para saúde mental, comunicação inclusiva e enfrentamento das desigualdades em saúde. Até o momento, já realizou atividades de capacitação para Agentes Comunitários de Saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Grama, produção científica e desenvolvimento de materiais educativos.
“O projeto aproxima o conhecimento científico das necessidades reais da população e fortalece uma prática profissional mais humanizada, ética e comprometida com a equidade e a defesa do direito à saúde”, afirma.

Agentes comunitários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Grama, em Juiz de Fora, em capacitação do AfirmaSUS. (Foto: Arquivo pessoal)
Nos próximos meses, o grupo pretende concluir a capacitação dos profissionais da unidade de saúde, ampliar a produção científica e iniciar um estudo sobre soberania alimentar em Juiz de Fora. Na última semana, os bolsistas também representaram a UFJF no XIV Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), em Brasília, apresentando os resultados desenvolvidos pelo projeto.
Apesar de atuarem em frentes distintas, os estudantes compartilham uma percepção comum: o AfirmaSUS amplia a formação acadêmica ao integrar ensino, pesquisa, extensão e atuação junto às comunidades e os prepara para se tornarem profissionais mais sensíveis às diferentes realidades atendidas pelo SUS.

