Entre os destaques da exposição estão as obras que trazem a figura de um rato, marca registrada do artista e personagem presente em diferentes pontos de Juiz de Fora (Foto: Fórum da Cultura)

O Forum da Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) recebe a exposição “Anônimo”, primeira mostra individual do artista visual Monk e uma das selecionadas pelo Edital de Ocupação da Galeria de Arte 2026. A exposição reúne 15 obras inéditas produzidas entre 2023 e 2026 e permanece em cartaz até 3 de julho, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h.

As obras foram criadas a partir de materiais acessíveis e ressignificados, como papelão reciclado, papel, MDF, tinta acrílica, tinta spray e giz de cera. A escolha dialoga com conceitos de reaproveitamento, simplicidade e aproximação da arte com o cotidiano. A mostra também propõe uma inversão da lógica tradicional da arte urbana ao transportar para a galeria trabalhos inspirados em intervenções que habitam muros, postes e outros espaços públicos das cidades.

O título “Anônimo” reflete a proposta do próprio artista, que prefere não revelar sua identidade e permitir que as obras se comuniquem diretamente com o público. “Este projeto nasce do entendimento de que a arte não precisa de um nome para existir. Não me apresento como artista, mas como alguém que ama profundamente a arte e acredita em seu poder de comunicação, transformação e pertencimento”, afirma.

Segundo Monk, a exposição representa também um novo momento em sua trajetória. “Sempre gostei de fazer arte para as ruas e esse foi o meu foco inicial. Com o tempo, comecei a produzir trabalhos em papelão e MDF, utilizando materiais reciclados, e surgiu a vontade de levá-los para um espaço expositivo”, relembra.

As obras despertam múltiplas interpretações. Diante dos quadros, o visitante pode questionar o significado de objetos, personagens e datas representadas, construindo suas próprias narrativas. Para o artista, a inspiração está em toda parte. “Eu amo a arte, principalmente a arte abstrata. Uma música, uma palavra, um elemento da rua, uma lembrança ou artistas como Richard Hambleton e Keith Haring podem servir de inspiração. Se você colocou sua ideia no papel ou na tela, isso é arte”, explica.

As obras foram criadas a partir de materiais acessíveis e ressignificados, como papelão reciclado, papel, MDF, tinta acrílica, tinta spray e giz de cera (Foto: Fórum da Cultura)

Além de apresentar a produção de Monk, a mostra contribui para ampliar o olhar sobre a arte urbana. Embora cada vez mais reconhecida como manifestação cultural legítima e instrumento de revitalização dos espaços públicos, ela ainda é frequentemente associada ao vandalismo. Nesse contexto, “Anônimo” busca aproximar o público dessa linguagem artística e estimular novas formas de percepção.

Entre os destaques da exposição estão as obras que trazem a figura de um rato, marca registrada do artista e personagem presente em diferentes pontos de Juiz de Fora. Também chama atenção a série “Yellow”, caracterizada pela predominância da cor amarela, além do “Moon Man”, personagem recorrente em sua produção.

Para Monk, realizar sua primeira exposição individual no Forum da Cultura reforça a importância de espaços que acolham novos artistas e promovam o encontro entre a arte e a comunidade. “Projetos como este são essenciais para dar voz a artistas em desenvolvimento e reafirmar que a arte não deve ser privilégio, mas um direito. Ao abrir mão da autoria explícita, convido o público a uma experiência mais livre, em que cada obra possa contar sua própria história e estabelecer um diálogo direto com quem a observa.”

Mais sobre o artista
Natural de Juiz de Fora (MG), desde cedo já se interessava pelo desenho, mas nunca seguiu diretamente pelo caminho da arte. Cursou uma faculdade de estudos tradicionais, casou-se cedo, tornou-se pai e passou a trabalhar em uma fábrica. Em meados de 2017, voltou a esboçar seus traços e, durante a pandemia de 2020, começou a pintar. Foi então que nasceu Monk, nome que surgiu da tradução de “monge”, apelido que o artista recebeu devido a seu jeito tranquilo de ser. Desde então, mais de 150 trabalhos do artista seguem marcando ruas de Juiz de Fora e de outras cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Madri, Barcelona, Milão e Verona.

Monk se considera um artista visual autodidata, com produção baseada na expressão de sentimentos, vivências pessoais e percepções subjetivas do cotidiano. Atualmente, segue desenvolvendo sua pesquisa artística de forma intuitiva e sensível, explorando a arte como meio de escuta interna, comunicação emocional e reflexão.

Galeria de Arte
O espaço, instalado em um local privilegiado no segundo pavimento do Forum da Cultura, abriga produção eclética, com exposições de artes plásticas, documentais e pedagógicas, que já chegaram a ter mais de mil visitantes por mostra. Criada em 1981, no reitorado do professor Márcio Leite Vaz, a galeria recebe importantes nomes da pintura de Minas Gerais e da cidade, além de jovens artistas e coletivos. Em janeiro de 2024, o espaço passou por reforma, substituindo as antigas placas de madeira por novas, garantindo assim um espaço renovado, com estruturas reforçadas para as mostras a serem expostas. O sistema de iluminação também foi renovado, possibilitando mais destaque para as obras em exibição.

Endereço e outras informações: Forum da Cultura
Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora
E-mail: forumdacultura@ufjf.br
Instagram: @forumdaculturaufjf
Telefone: (32) 2102-6306