
Ana Lúcia Pitta ao lado da orientadora Rosane Preciosa e do convidado Potiguara Mendes. A professora Leila Machado participou por videoconferência (foto: Twin Alvarenga/UFJF)
A relação entre o vestuário e determinados grupos de pessoas como forma de manifesto é o tema da dissertação de mestrado da aluna Ana Lúcia Pitta, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A defesa da pesquisa aconteceu na manhã desta sexta-feira, 11,
O estudo tem como título “Por um manifesto que eu possa vestir: notas sobre roupas e novas existências”. O objetivo é despertar a reflexão sobre como certos grupos são capazes de criar novos modos de existência através das próprias roupas. Entre os grupos sobre os quais foram desenvolvidas as discussões da pesquisa, destacam-se os homens e mulheres que performam como drag queens e mulheres gordas que utilizam peças muito justas ou curtas.
A inspiração para o tema vem do interesse de Ana Lúcia pelo visual e pela estética: “Gosto de observar roupas, tecidos, imagens, cenas, fotografias. Da mesma forma, sou muito atraída por tudo aquilo que sinaliza para resistências, invenções, não-conservadorismos. Com o tempo, fui percebendo que haviam ‘militâncias’ em certas roupas e figurinos, certas estéticas, e fui vendo que eu gostaria de pensar essas militâncias.”
O debate da pesquisa repensa os tempos de conservadorismo em que vivemos, segundo a aluna, trazendo para a academia questões relevantes dos dias atuais. “Acredito que a academia não deva ser um espaço deslocado, intocável, mas intricado em seu tempo, buscando compreender e, porque não, lutar contra ideias retrógradas, pesadas. Claro que a discussão que fiz no mestrado não salva o Brasil, mas é um respiro, uma tentativa de leveza, pelo menos para mim, e acho que isso já é um começo”, reflete a acadêmica.
Para a professora orientadora, Rosane Preciosa Sequeira, o trabalho consegue “escutar os barulhos do mundo e como eles nos afetam.” A professora explica, ainda, que “trata-se de uma dissertação que dialoga com a forma ensaística, na medida em que a autora vai a busca não de certezas, mas de enunciações sugestivas. E ela foi capaz de realizar isso, sobretudo pela potência de sua escritura em diálogo afinado com um corpo teórico vivo, selecionado.”
Banca examinadora
Rosane Preciosa Sequeira (orientadora – UFJF)
Potiguara Mendes da Silveira Júnior (UFJF)
Leila Domingues Machado (UFES)
Outras informações: (32)2102-3362 – Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens
