A transmidialidade (ou narrativa transmídia) é um conceito que descreve a expansão de uma narrativa ou universo ficcional através de diferentes meios de comunicação. Ao invés de repetir a mesma história em várias mídias, cada plataforma contribui com novos elementos narrativos, complementando e/ou ampliando o universo da obra. Assim, livros, filmes, séries, quadrinhos, jogos e redes digitais podem participar de uma mesma narrativa global, oferecendo ao público múltiplas formas de experiência e compreensão daquele mundo ficcional.
A transmidialidade está diretamente ligada à chamada cultura da convergência, fenômeno esse caracterizado pela interação entre diferentes mídias e pela participação ativa do público. Nesse contexto, as histórias deixam de existir em um único suporte e passam a circular entre diversas plataformas tecnológicas e culturais.
Esse conceito ganhou força, sobretudo, a partir dos estudos do pesquisador Henry Jenkins, que descreveu a narrativa transmídia como uma forma de contar histórias na qual cada mídia acrescenta uma parte única da narrativa, permitindo que o público explore o universo ficcional por diferentes caminhos. Em um sistema transmidiático, as diferentes plataformas não são redundantes; cada uma oferece conteúdos específicos que enriquecem a experiência do consumidor.
O universo transmidiático de Pokémon
Um dos exemplos mais conhecidos de transmidialidade é a franquia Pokémon. Criada originalmente como um jogo eletrônico pela empresa Nintendo, a série rapidamente se expandiu para diversas mídias, tornando-se um dos maiores universos transmidiáticos da cultura popular.
O primeiro jogo da franquia, Pokémon Red and Blue, introduziu o mundo fictício em que treinadores capturam e treinam criaturas chamadas Pokémons.

Pokémon Red and Blue – Gameboy – 1996
A partir desse núcleo narrativo, a franquia se expandiu para outras plataformas, incluindo:
–> a série animada Pokémon:

Pokémon Clássico – Série de TV – 1997
–> o jogo de cartas colecionáveis Pokémon Trading Card Game:

–> diversos filmes e mangás
–> aplicativos e jogos mobile como Pokémon GO
Cada mídia contribui para ampliar o universo narrativo. A série animada, por exemplo, acompanha as aventuras de Ash Ketchum, explorando regiões e personagens que nem sempre aparecem diretamente nos jogos. Já o jogo de cartas cria novas formas de interação com os elementos do universo Pokémon.
Esse modelo demonstra como a transmidialidade pode combinar expansão narrativa e estratégia de mercado. A franquia se mantém relevante porque constantemente apresenta novos conteúdos em diferentes mídias, permitindo que públicos distintos tenham contato com o universo Pokémon.
Participação do público e cultura dos fãs
A transmidialidade também incentiva a participação ativa das comunidades de fãs. Em franquias transmidiáticas, o público costuma:
–> criar teorias sobre a história
–> produzir conteúdos derivados (fanarts, vídeos, fanfictions)
–> discutir elementos narrativos em comunidades online
–> explorar detalhes ocultos nos jogos ou filmes
Nos jogos digitais, esse fenômeno é ainda mais intenso, pois os jogadores frequentemente descobrem narrativas escondidas no ambiente do jogo, conhecidas como lore (ou história). Esse tipo de exploração narrativa fortalece a relação entre público e universo ficcional.
Dessa forma, os jogos também podem assumir diferentes funções dentro de um projeto transmidiático:
- A expansão de eventos paralelos: Jogos podem apresentar histórias que acontecem simultaneamente aos eventos principais.
- A exploração do ambiente narrativo: Jogadores podem explorar lugares, culturas e personagens que não aparecem em outras mídias.
- A experiência imersiva: Enquanto filmes e livros apresentam uma narrativa linear, os jogos permitem que o público vivencie diretamente o universo ficcional.
Conclusão
A transmidialidade representa uma transformação significativa na maneira como histórias são produzidas e consumidas. Em vez de narrativas isoladas em um único meio, surgem universos ficcionais complexos que se desenvolvem simultaneamente em diversas plataformas.
Nesse cenário, os jogos digitais desempenham um papel fundamental. Sua capacidade de interatividade e imersão permite que os usuários participem diretamente da narrativa, explorando o universo ficcional de forma ativa. Exemplos como Pokémon e Matrix demonstram como a transmidialidade pode criar experiências narrativas amplas, nas quais diferentes mídias contribuem para a construção de um mundo ficcional rico e multifacetado.
A transmidialidade não apenas amplia o alcance das narrativas, mas também redefine a relação entre público, mídia e história, ao mesmo tempo em que transforma o consumo cultural em uma experiência participativa e distribuída entre múltiplas plataformas.
Referências:
https://medium.com/@glicia/transm%C3%ADdia-a-sinergia-de-matrix-c38b513bbcea
https://medium.com/@lucaspliessnigstoekly/a-transm%C3%ADdia-nos-jogos-87d042009f44
https://www.storytellers.com.br/2026/03/o-que-e-transmidia-e-como-aplicar-na.html?m=1
https://lume.ufrgs.br/handle/10183/253700?show=full