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Filmes que Todo Fã de Videogame (e Quem Não é) Precisa Ver

Autor(es): Emerson Berg Jorge Pereira (ebergp@gmail.com)

Sabe aquela velha história de que “filme de videogame é tudo ruim”? Felizmente, ela ficou no passado. O cinema descobriu a fórmula mágica para adaptar os universos dos games, e o resultado é uma lista enorme de filmes que vão da aventura à comédia nostálgica, passando por terror de dar arrepios.

Seja você um jogador hardcore ou alguém que só liga o console de vez em quando, prepare o sofá e a pipoca. Este guia reúne filmes essenciais que dialogam com o universo dos videogames, seja por serem adaptações diretas, por mergulharem nesse mundo ou por capturarem a essência do que é jogar.

Figura 1: Free Guy – “Don’t have a good day, have a great day!” https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/new-free-guy-trailer-action-packed-surprisingly-tender-4071334/

 

Quando o Cinema Acertou a Mão nas Adaptações

Algumas produções conseguiram o feito raro de agradar fãs e público geral, traduzindo a essência dos jogos para as telonas.

  • Super Mario Bros. – O Filme (2023): Se você duvida que um filme sobre um encanador bigodudo pode ser bom, precisa ver esta animação. A Illumination fez um feito raro: agradou em cheio tanto os fãs que cresceram com o Nintendo 8 bits quanto a criançada. É uma explosão de easter eggs, cores vibrantes e a trilha sonora clássica dos jogos. Não é à toa que arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão .
  • Sonic (2020 – presente): A franquia do ouriço azul da Sega é um caso à parte. Após a polêmica do primeiro trailer, o estúdio ouviu os fãs e refez o personagem inteiro. O resultado? Uma franquia divertidíssima, que acertou em cheio ao escalar Jim Carrey como o excêntrico vilão Dr. Robotnik .
  • Detona Ralph (2012): Este clássico da Disney é uma carta de amor aos arcades. Acompanhamos Ralph, o vilão de um jogo de fliperama, que está cansado de ser o “mau” e parte em uma jornada por outros jogos para provar que pode ser um herói. É uma aventura genial que explora os bastidores do mundo dos games, repleta de referências a personagens clássicos como Sonic e Ryu.
  • Angry Birds: O Filme (2016): Quem diria que um jogo de celular tão simples daria origem a um filme tão divertido? A animação expande o universo dos passarinhos raivosos, mostrando a vida pacífica na ilha até a chegada dos porcos verdes. Com uma ótima dublagem (Josh Gad, Peter Dinklage) e um humor afiado, a prova de que até a premissa mais simples pode render uma boa história.
  • Free Guy (2021): Imagine ser um personagem não jogador (NPC) em um game online e, de repente, adquirir consciência própria. Essa é a premissa de Free Guy, uma comédia inteligente que mostra Guy, um bancário pacato, descobrindo que sua vida é, na verdade, um jogo chamado Free City. Repleto de participações especiais bombásticas, o filme é uma ode à cultura dos games e ao poder da escolha.

Figura 2: Detetive Pikachu – “Pika-pika!” https://canaltech.com.br/cinema/critica-pokemon-detetive-pikachu-138963/

Live-Action: Quando o Mundo Real Encontra os Pixels

Adaptar um jogo com atores de verdade sempre foi o maior desafio. Mas alguns filmes conseguiram criar universos que são um deleite para os olhos.

  • Pokémon: Detetive Pikachu (2019): Já imaginou como seria se os Pokémon existissem no mundo real? Esse filme respondeu a essa pergunta de forma genial. Ver um Pikachu realista (e falante, na voz de Ryan Reynolds) interagindo com humanos foi um espetáculo visual que conquistou fãs de todas as idades.
  • Tomb Raider: A Origem (2018): Alicia Vikander trouxe uma versão mais humana e vulnerável para a arqueóloga Lara Croft. O filme aposta em uma origem mais pé no chão, cheia de armadilhas mortais e mistérios, lembrando muito a vibe dos novos jogos da franquia.
  • Prince of Persia: As Areias do Tempo (2010): Produzido pelo mago Jerry Bruckheimer (Piratas do Caribe), este filme é uma aventura épica digna dos melhores contos das Arábias. Jake Gyllenhaal vive o príncipe Dastan em uma trama cheia de ação, traições e o poder de manipular o tempo. Foi, por um tempo, a adaptação de videogame de maior bilheteria da história.
  • Warcraft (2016): Para os fãs da franquia da Blizzard, este filme é um prato cheio. Apesar de não ter feito um grande sucesso nos EUA, explodiu nas bilheterias do resto do mundo. A recriação do conflito entre humanos e orcs é visualmente deslumbrante, e a tecnologia de captura de performance usada para dar vida aos orcs é simplesmente fantástica.

A Nova Onda do Terror (e da Diversão)

Se a sua praia é um arrepio na espinha (ou uma boa risada), o cinema também buscou inspiração nos games de sucesso.

  • Terror em Silent Hill (2006): Considerado por muitos como uma das melhores adaptações já feitas, este filme é uma obra-prima da atmosfera. Ele recria a sensação opressiva, a névoa constante e o clima de cidade fantasma do game com uma fidelidade assustadora.
  • Five Nights at Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim (2023): Após anos de desenvolvimento, o terror da Pizzaria Freddy Fazbear finalmente ganhou as telas. O filme segue Mike (Josh Hutcherson), um segurança noturno que percebe que os animatrônicos do local têm vida própria. Produzido pela Blumhouse, o filme aposta mais no suspense e na atmosfera do que no gore puro, agradando aos fãs com inúmeros easter eggs.
  • Um Lobo Entre Nós (2021): Esta é uma joia mais escondida, perfeita para quem curte um suspense com uma pitada de comédia. Baseado no jogo Werewolves Within, a trama se passa em uma pequena cidade onde um grupo de moradores descobre que há um lobisomem entre eles.

Figura 3: Tron – “End of Line.” https://www.pluggedin.com/movie-reviews/tronlegacy/

Corrida, Aventura e Ficção Científica

  • Gran Turismo: De Jogador a Corredor (2023): Este filme é especial porque sua história é baseada em fatos reais. Acompanhamos Jann Mardenborough, um adolescente que, graças à sua habilidade no simulador de corrida Gran Turismo, ganha a chance de se tornar um piloto profissional de verdade.
  • Uncharted: Fora do Mapa (2022): Como filme de aventura, ele funciona muito bem. Tom Holland vive um jovem Nathan Drake, mostrando as origens do caçador de tesouros. As cenas de ação capturam a adrenalina e o espírito aventureiro dos jogos.
  • Tron: Uma Odisseia Eletrônica (1982) e Tron: O Legado (2010): A franquia Tron é a avó de todos os filmes sobre mundos digitais. O clássico de 1982 foi pioneiro ao levar um programador para dentro de um computador, com efeitos visuais revolucionários. Tron: O Legado modernizou o conceito com visuais de tirar o fôlego e uma trilha sonora icônica do Daft Punk.
  • Jogador Nº 1 (2018): Sob a direção de Steven Spielberg, este é um verdadeiro parque de diversões para quem ama a cultura pop. Em um futuro distópico, as pessoas passam grande parte de suas vidas em um enorme mundo virtual chamado OASIS. A caça ao tesouro que move a trama é repleta de referências a games, filmes e músicas dos anos 80 e 90.
  • Pixels (2015): Esta comédia com Adam Sandler é uma homenagem nostálgica aos fliperamas dos anos 1980. A trama é absurda (extraterrestres interpretam vídeos de jogos como uma declaração de guerra e atacam a Terra com personagens como Pac-Man e Donkey Kong), mas a diversão é garantida, especialmente para quem cresceu nessa época.
  • Hitman (2007): O agente 47, o assassino mais eficiente do mundo dos games, ganhou as telas em um filme de ação puro sangue. Timothy Olyphant vive o protagonista em uma trama de conspiração e perseguição que, sem ser uma obra-prima, diverte os fãs de filmes de ação descompromissados.
  • Assassin’s Creed (2016): Estrelado por Michael Fassbender, o filme mergulha na rivalidade entre Assassinos e Templários. Apesar de ser visualmente impressionante e levar a mitologia dos jogos a sério, a trama complexa dividiu opiniões, mas é uma experiência interessante para quem quer ver o universo da franquia em live-action.

Figura 4: Tetris – “I played Tetris for five minutes. I still see falling blocks in my dreams.” https://www.justwatch.com/br/filme/tetris

Clássicos e Histórias Fora da Caixinha

  • Indie Game: The Movie (2012): Saindo um pouco da ficção, este documentário é imperdível. Ele acompanha o desenvolvimento dos jogos independentes Super Meat Boy e FEZ, mostrando as dificuldades, a pressão e a paixão de criadores que colocam a alma em seus projetos. É um olhar humano e inspirador sobre a indústria.
  • Resident Evil (2002 – 2016): A franquia estrelada por Milla Jovovich é um caso à parte. Ela criou sua própria mitologia e se distanciou dos jogos, mas foi fundamental para popularizar as adaptações de games no cinema. Se você busca ação desenfreada e um visual estilizado, a saga de Alice contra a Corporação Umbrella é diversão garantida.
  • Tetris (2021): Você sabia que a história por trás da vinda do jogo Tetris para o ocidente é um suspense digno de Guerra Fria? Este filme não é sobre o jogo em si, mas sobre a tensa negociação pelos direitos do game durante o período da Perestroika, na União Soviética. É um thriller eletrizante e super original.

O Novo Patamar: Quando uma Série Supera o Jogo

Algumas produções vão além de uma simples “adaptação decente”. Elas se tornam obras-primas que transcendem o material original e são aclamadas até por quem nunca jogou.

  • Arcane (2021 – 2024): Se você tem tempo para ver apenas um filme desta lista, que seja Arcane. Esta série animada da Netflix, baseada no universo de League of Legends, não é apenas “boa para uma adaptação de videogame” — é simplesmente uma das melhores séries animadas já feitas. A trama acompanha as irmãs órfãs Vi e Powder (que se tornará a icônica Jinx) em meio à tensão entre a rica e utópica cidade de Piltover e o submundo oprimido de Zaun. Com uma animação deslumbrante do estúdio Fortiche, que mistura técnicas 2D e 3D de maneira revolucionária, a série aborda temas como luta de classes, trauma, família e o preço do progresso tecnológico. O melhor de tudo: você não precisa saber nada sobre League of Legends para se emocionar do começo ao fim. Vencedora de múltiplos prêmios Emmy, Arcane estabeleceu um novo padrão para o que adaptações de games podem ser.

Conclusão: Game Over para o Preconceito

O que todos esses filmes têm em comum? Eles entenderam que um bom filme baseado em videogame (ou inspirado neles) não precisa ser uma cópia fiel, mas sim uma tradução respeitosa daquilo que torna o universo dos jogos especial: seja a nostalgia, os personagens carismáticos, a atmosfera única ou a aventura sem limites.

Com opções tão variadas, não há desculpa para não dar uma chance. Da próxima vez que alguém disser que filme de videogame é ruim, convide essa pessoa para o sofá, prepare a lista e mostre que, quando o amor pelos pixels encontra o talento cinematográfico, o resultado pode ser, simplesmente, um grande high score.

Referências