ARTIGO DE ANÁLISE | ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA E GESTÃO MUNICIPAL
Mais do que destacar soluções pontuais, a experiência de Kiel evidencia o esforço de transformar a adaptação climática em diretriz permanente de planejamento, coordenação intersetorial e decisão pública no âmbito municipal.
📌 Em síntese
A experiência de Kiel não deve ser interpretada como a adoção de uma tecnologia isolada ou de uma obra emblemática, mas como a construção de uma política municipal transversal de adaptação climática. A cidade reúne ações já existentes, projetos em execução e possibilidades ainda conceituais sob um Plano-Quadro aprovado politicamente, orientado por riscos costeiros, chuvas intensas, calor, seca e pressão sobre infraestruturas urbanas. O principal ensinamento está na governança: incorporar o risco às decisões rotineiras sobre urbanismo, drenagem, saúde, arborização, mobilidade e proteção da população, evitando que a adaptação permaneça restrita à resposta emergencial ou a iniciativas setoriais desconectadas.
🌊 Uma cidade costeira diante de riscos já materializados
Uma reportagem recente da Deutsche Welle apresentou Kiel, cidade portuária situada às margens do Mar Báltico, como referência na adaptação a um futuro de extremos climáticos. A matéria menciona arborização, fachadas verdes, proteção contra inundações, retenção de águas pluviais e até a possibilidade de utilizar campos de futebol como áreas temporárias de armazenamento de água. A leitura é instigante, mas exige uma pergunta essencial para quem atua com planejamento municipal, engenharia, adaptação climática e proteção e defesa civil: o que Kiel está realmente fazendo, em termos concretos?
A distinção entre ações concluídas, projetos em andamento, estudos estruturantes e ideias ainda conceituais não é secundária. Ela permite compreender o estágio real da experiência e avaliar o que pode, ou não, ser aproveitado em outros contextos. Kiel não encontrou uma solução única para os eventos extremos nem implantou uma tecnologia milagrosa. O que a cidade fez foi aprovar um Plano-Quadro de Adaptação Climática, destinado a incorporar a análise dos riscos climáticos ao planejamento urbano e às diferentes áreas da administração municipal.
Kiel é a capital do estado alemão de Schleswig-Holstein e mantém relação direta com o Mar Báltico. Em outubro de 2023, a região foi atingida pela pior ressaca registrada em mais de 150 anos. Diques foram danificados, falésias sofreram erosão, marinas foram destruídas e aproximadamente 2,68 metros da encosta costeira de Kiel foram removidos em um único evento. Segundo a reportagem, essa perda foi mais de quatro vezes superior à média anual observada nas duas décadas anteriores.
Esse episódio não inaugurou o debate sobre adaptação climática no município, mas conferiu materialidade a um risco que já não podia mais ser tratado apenas como projeção futura. A elevação do nível do mar, as ressacas, as chuvas intensas, os períodos de calor e os efeitos da seca sobre a vegetação urbana passaram a demandar respostas institucionais mais estruturadas.
⚠️ O risco deixou de ser abstrato
A ressaca de outubro de 2023 funcionou como marco de evidência física para um processo já em curso: erosão costeira, danos a diques e destruição de estruturas portuárias demonstraram que a adaptação climática não pode permanecer restrita ao campo das projeções ou da retórica institucional.
🏛️ O que o município aprovou, de fato
Em 2019, Kiel já havia declarado emergência climática. Em janeiro de 2025, criou uma estrutura administrativa específica para tratar da adaptação. Em 19 de fevereiro de 2026, o Conselho Municipal aprovou o Rahmenkonzept Klimaanpassung, expressão que pode ser traduzida como Plano-Quadro ou Conceito Estruturante de Adaptação Climática.
O documento é apresentado oficialmente pelo município como um roteiro estratégico que reúne objetivos, necessidades, medidas e prioridades. Também funciona como estrutura orientadora para planos mais específicos, como o plano de ação para o calor, o planejamento da infraestrutura verde, a prevenção contra chuvas intensas e a proteção contra inundações. Portanto, afirmar que Kiel está se adaptando não significa descrever uma única intervenção física, mas reconhecer a tentativa de consolidar uma política municipal transversal.
Essa transversalidade é um dos elementos mais relevantes do caso. Ao organizar a adaptação como diretriz administrativa, o município sinaliza que o risco climático deve influenciar decisões ordinárias de governo, e não apenas respostas excepcionais diante de emergências.
“O principal aprendizado de Kiel não está em uma obra isolada, mas na tentativa de fazer do risco climático um critério permanente de planejamento e gestão municipal.”
📊 Três níveis de leitura da experiência de Kiel
A experiência de Kiel pode ser lida em três níveis. O primeiro reúne ações que já existem ou vêm sendo desenvolvidas há alguns anos. Entre elas estão os mapas de perigo associados às chuvas intensas, o monitoramento de espécies arbóreas, o emprego de misturas asfálticas mais claras, medidas de proteção em infraestruturas estratégicas e a consideração dos riscos de inundação em novos empreendimentos.
Um exemplo particularmente relevante é o estudo sobre a resistência das árvores às condições climáticas futuras. A cidade plantou exemplares de 20 espécies diferentes para observar sua resposta ao calor, à seca, aos solos urbanos e à maresia. O objetivo não é identificar uma suposta “árvore ideal” para toda a cidade, mas compreender quais espécies funcionam melhor em cada condição ambiental. A implicação é clara: adaptação climática não deve ser tratada como reprodução automática de uma solução padronizada.
O segundo nível corresponde a projetos em execução ou preparação. Um exemplo destacado pelo próprio município é a requalificação do Schützenpark. O projeto prevê melhorar o manejo das águas pluviais, ampliar o papel da área verde como corredor de ventilação, reorganizar caminhos e recuperar a capacidade de retenção de um lago existente. Trata-se de uma aplicação da chamada infraestrutura verde e azul, em que o parque deixa de cumprir apenas função paisagística ou recreativa e passa a desempenhar funções hidráulicas, ambientais e climáticas.
O terceiro nível reúne possibilidades ainda conceituais. É o caso do campo de futebol construído abaixo do nível das áreas vizinhas, que poderia receber temporariamente água de chuvas intensas para posterior infiltração ou evaporação. A proposta é coerente com os princípios do desenho urbano multifuncional e das cidades sensíveis à água, mas a própria reportagem a apresenta como possibilidade, e não como obra já implantada em Kiel.
⚠️ Diferenciar estágios é decisivo
Uma boa ideia, um projeto aprovado e uma intervenção concluída não representam o mesmo grau de adaptação. Avaliar experiências internacionais exige separar o que já foi executado daquilo que ainda depende de detalhamento técnico, orçamento, licenciamento, pactuação política e capacidade institucional.
🏞️ Espaços urbanos multifuncionais e infraestrutura integrada
A proposta do campo de futebol ajuda a compreender a lógica central do plano de Kiel. Em cidades densamente ocupadas, frequentemente não há espaço nem recursos para construir uma infraestrutura exclusiva para cada problema urbano. A resposta passa, então, pelo uso multifuncional do território. Uma praça pode ser, ao mesmo tempo, espaço de convivência, área de infiltração, reservatório temporário e zona de redução do calor. Um parque pode receber atividades recreativas e atuar como corredor de ventilação. Um telhado pode proteger uma edificação, armazenar parte da chuva e reduzir a temperatura interna.
Da mesma forma, uma árvore pode oferecer sombra, contribuir para a qualidade do ar, interceptar a precipitação e melhorar o conforto térmico. Esse conjunto de soluções é associado a diferentes conceitos, como infraestrutura verde e azul, cidade-esponja, desenho urbano multifuncional, drenagem urbana sustentável e cidade sensível à água. Os termos variam, mas a lógica permanece semelhante: em vez de tentar retirar a água da cidade o mais rapidamente possível, busca-se criar espaços para que ela seja temporariamente armazenada, infiltrada, utilizada ou liberada de forma controlada.
Isso, evidentemente, não elimina a necessidade de redes de drenagem, reservatórios, diques, obras costeiras e outras estruturas convencionais. A infraestrutura baseada na natureza não deve ser usada como argumento para abandonar a engenharia. O que se propõe é a integração entre soluções convencionais, ambientais, sociais e territoriais, formando um sistema mais diversificado de enfrentamento dos riscos.
💡 Multifuncionalidade como estratégia
A lógica do plano não está em produzir uma peça urbana para cada ameaça, mas em atribuir múltiplas funções a espaços e infraestruturas já presentes na cidade, combinando drenagem, conforto térmico, uso social, infiltração e qualificação ambiental.
🛡️ Adaptação climática não se confunde com defesa civil
A experiência de Kiel também ajuda a esclarecer uma confusão recorrente. Um plano de adaptação climática não é simplesmente um plano de contingência ampliado. O plano de contingência organiza a preparação e a resposta diante de determinados cenários, definindo responsabilidades, fluxos de comunicação, recursos, abrigos, rotas, procedimentos e formas de atuação durante uma emergência.
A adaptação climática opera em outro horizonte. Ela procura modificar progressivamente a cidade, seus edifícios, seus serviços e suas infraestruturas para reduzir impactos atuais e futuros das mudanças do clima. Isso inclui a proteção e defesa civil, mas não se limita a ela. O plano de Kiel abrange 15 campos de atuação, entre os quais saúde e bem-estar, proteção da população, gestão de desastres, proteção contra inundações, recursos hídricos, solo, biodiversidade, infraestrutura verde, florestas, planejamento urbano, edificações, turismo, mobilidade, energia, indústria e atividades econômicas.
A Defesa Civil participa desse processo especialmente no conhecimento dos riscos, na elaboração de cenários, nos sistemas de alerta, na preparação e no gerenciamento de crises. Entretanto, ela não substitui os órgãos responsáveis pelo urbanismo, pela habitação, pela drenagem, pela saúde, pelo meio ambiente, pelo transporte ou pelas obras públicas. Uma cidade não se torna resiliente apenas porque sua Defesa Civil trabalha bem; torna-se mais resiliente quando as decisões ordinárias da administração deixam de produzir continuamente novas vulnerabilidades.
📍 Conhecer melhor
Mapas de perigo, diagnósticos costeiros, monitoramento arbóreo e leitura territorial qualificada são condições para compreender como os riscos se distribuem no espaço urbano.
🗂️ Planejar melhor
Um plano efetivo precisa articular riscos, territórios, responsabilidades, prioridades, prazos, fontes de recursos e indicadores de acompanhamento.
🚧 Implementar melhor
A execução depende de detalhamento técnico, orçamento, licenciamento, pactuação política, manutenção e capacidade institucional para transformar estratégia em intervenção concreta.
🏗️ A principal lição está na governança
É tentador reduzir a experiência de Kiel a uma imagem de fácil circulação, como a ideia de transformar campos de futebol em reservatórios temporários. A formulação produz impacto comunicacional, mas não expressa o principal aprendizado. A maior inovação não parece estar em uma obra específica, e sim na governança.
Kiel criou uma unidade administrativa dedicada ao tema, reuniu diferentes áreas municipais, identificou riscos, estruturou campos de atuação, organizou medidas conforme distintos horizontes temporais e submeteu o plano à aprovação política. Com isso, a adaptação deixa de depender exclusivamente da iniciativa pessoal de um servidor, de um projeto temporário ou da repercussão momentânea de um evento extremo. Ela começa a ser incorporada à estrutura administrativa.
Isso não garante, por si só, a execução. Um plano aprovado pode permanecer no papel. A própria prefeitura reconhece limitações orçamentárias e a necessidade de financiamento. O documento funciona como base para projetos, decisões e captação de recursos, mas cada medida ainda dependerá de detalhamento técnico, orçamento, licenciamento, participação social, pactuação política e capacidade institucional. Kiel, portanto, não é uma cidade plenamente adaptada; está construindo um caminho de adaptação.
🇧🇷 O que essa experiência sinaliza aos municípios brasileiros
No Brasil, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, instituída pela Lei nº 12.608/2012 e posteriormente aperfeiçoada, determina uma atuação articulada entre prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. A legislação também atribui aos municípios responsabilidades relacionadas ao ordenamento territorial, à fiscalização de áreas de risco, ao planejamento urbano e à redução da exposição da população.
Mais recentemente, a Lei nº 14.904/2024 estabeleceu diretrizes para a elaboração de planos de adaptação à mudança do clima. A norma busca reduzir a vulnerabilidade e a exposição dos sistemas ambientais, sociais, econômicos e de infraestrutura e prevê a elaboração de planos estaduais, distrital e municipais. Existem, portanto, fundamentos legais suficientes para superar a visão segundo a qual adaptação climática seria apenas mais uma atribuição da Defesa Civil.
O desafio está em transformar essas diretrizes em planejamento territorial e investimento público. Em muitos municípios brasileiros, a Defesa Civil conhece os pontos de alagamento, os taludes instáveis, as moradias vulneráveis, as vias interrompidas e as comunidades mais expostas. Entretanto, esse conhecimento nem sempre chega ao plano diretor, ao orçamento municipal, aos projetos de drenagem, à política habitacional ou à aprovação de novos parcelamentos.
O resultado é uma contradição recorrente: a Defesa Civil atende repetidamente ocorrências geradas ou agravadas por decisões que outras partes da própria administração continuam tomando. A experiência de Kiel aponta justamente para a necessidade de romper esse ciclo. O risco deve ser incorporado à decisão antes da emergência, e não apenas consultado depois que os danos ocorreram.
💡 Uma agenda possível para o contexto municipal
Planos locais de resiliência podem aproximar diagnósticos de risco, instrumentos urbanísticos, critérios de licenciamento, políticas habitacionais, manutenção preventiva, comunicação comunitária e investimentos públicos, evitando que o tema permaneça disperso em iniciativas setoriais.
🎯 Conhecer, planejar e implementar
A iniciativa Construindo Cidades Resilientes 2030, coordenada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, organiza a trajetória municipal em três movimentos: conhecer melhor, planejar melhor e implementar melhor. Kiel parece estar realizando essa passagem. A cidade já possui diagnósticos e experiências anteriores, aprovou uma estrutura estratégica e agora procura transformar planejamento em projetos concretos.
Esse percurso é compatível com a elaboração de Planos Locais de Resiliência. Um plano dessa natureza não deve ser uma coleção de boas intenções nem um catálogo genérico de ameaças. Ele precisa relacionar riscos, territórios, responsabilidades, prioridades, prazos, fontes de recursos e indicadores de acompanhamento. Também deve reconhecer que nem todas as medidas serão grandes obras. Algumas dependerão da revisão de procedimentos administrativos, de mapas de risco, de critérios de licenciamento, de manutenção preventiva, de comunicação comunitária ou de pequenas intervenções distribuídas pelo território.
Ao mesmo tempo, não se pode utilizar o discurso da resiliência para transferir responsabilidades públicas às comunidades. A participação social é fundamental para compreender o território, identificar vulnerabilidades, reconhecer capacidades e construir soluções adequadas. Mas ela não substitui políticas habitacionais, obras de drenagem, estabilização de encostas, saneamento, fiscalização e investimentos públicos.
🧭 Quando a adaptação realmente começa
Depois de examinar a experiência de Kiel, a resposta à pergunta inicial torna-se relativamente simples: a cidade está implantando um plano municipal integrado de adaptação climática. O município procura fazer com que o risco climático deixe de ser um assunto restrito aos momentos de emergência e passe a orientar decisões permanentes sobre saúde, urbanismo, drenagem, arborização, infraestrutura, edificações, mobilidade e proteção da população.
Algumas ações já existem. Outras estão em execução. Muitas ainda precisarão ser detalhadas, financiadas e construídas. O exemplo não deve ser idealizado, mas merece atenção porque mostra algo que ainda precisa ser fortalecido em diversos contextos: a capacidade de pensar a cidade para além do próximo período chuvoso e do próximo mandato administrativo.
A questão central, portanto, talvez não seja se os municípios conseguem copiar campos de futebol rebaixados, fachadas verdes ou espécies arbóreas testadas em Kiel. O ponto decisivo é saber se o conhecimento sobre os riscos consegue influenciar, de forma permanente, as decisões que constroem diariamente as cidades. Enquanto a adaptação climática permanecer restrita a documentos setoriais, projetos isolados ou respostas posteriores aos eventos, continuaremos administrando consequências. A construção da resiliência começa quando o risco passa a ser considerado antes da obra, antes da ocupação, antes da aprovação do orçamento e antes da emergência.
❓ Pergunta final
Se os diagnósticos de risco já existem em tantos municípios, por que eles ainda influenciam tão pouco as decisões sobre uso do solo, obras públicas, orçamento e expansão urbana antes que novas vulnerabilidades sejam produzidas?
👤 Sobre o autor
Prof. Dr. Jordan Henrique de Souza
Coordenador da Pós-Graduação em Gestão Pública em Proteção e Defesa Civil da UFJF
Prof. Dr. Jordan Henrique de Souza é Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Gestão Pública em Proteção e Defesa Civil da UFJF e Professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Juiz de Fora. É engenheiro civil pela UFJF, mestre e doutor em Engenharia Civil pela UFF, com especializações em Engenharia de Segurança do Trabalho e Gestão Pública Municipal. Sua atuação acadêmica e aplicada concentra-se em geotecnologias, mapeamento de suscetibilidade e redução de riscos de desastres, com interesse especial na articulação entre planejamento territorial, gestão pública e construção de resiliência urbana.
🔗 Fontes de referência
- BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil — PNPDEC. – Brasil.
- BRASIL. Lei nº 14.750, de 12 de dezembro de 2023. Aperfeiçoa os instrumentos de prevenção, monitoramento, alerta e gestão de riscos e desastres. – Brasil.
- BRASIL. Lei nº 14.904, de 27 de junho de 2024. Estabelece diretrizes para a elaboração de planos de adaptação à mudança do clima. – Brasil.
- DEUTSCHE WELLE. A cidade alemã que está se adaptando a um futuro de extremos climáticos. 11 ago. 2026. – Deutsche Welle.
- IPCC. Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report. – IPCC.
- KIEL. Landeshauptstadt Kiel. Klima-Anpassung: Das Kieler Konzept. – Landeshauptstadt Kiel.
- UNDRR. Making Cities Resilient 2030: Resilience Roadmap. – United Nations Office for Disaster Risk Reduction.