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Professor da UFJF defende profissionalização e dados científicos para enfrentar a emergência climática em Minas Gerais

Análise técnica | Adaptação climática, defesa civil e resiliência urbana

Professor da UFJF defende profissionalização e dados científicos para enfrentar a emergência climática em Minas Gerais

Em seminário promovido pelo Ministério Público Federal, contribuição da UFJF destacou prevenção, planejamento urbano, comunicação de risco e integração entre ciência e gestão pública.

📝 Nota editorial

Este texto é uma síntese jornalística e educacional elaborada a partir de informações públicas do Ministério Público Federal e da transmissão do seminário no canal do MPF no YouTube. Não se trata de nota oficial de nenhum orgão.

📌 Em síntese

Juiz de Fora, MG — O professor Jordan Henrique de Souza, do Departamento de Transportes e Geotecnia da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), participou do seminário “Adaptação Climática em Foco: Minas Gerais”, promovido pelo Ministério Público Federal (MPF), em Belo Horizonte. Em sua intervenção, apresentou um diagnóstico crítico sobre a gestão de riscos no Brasil e defendeu caminhos baseados na resiliência urbana, na profissionalização da defesa civil, no uso de dados científicos e na integração entre universidade e poder público [1] [2].

🌎 O seminário e o contexto climático

O seminário “Adaptação Climática em Foco: Minas Gerais” fez parte de um ciclo nacional organizado pela Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (4CCR/MPF), com o objetivo de discutir estratégias para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de resposta das cidades brasileiras diante da crise climática [1].

A edição mineira teve foco especial nos desafios enfrentados por Juiz de Fora, utilizando a experiência recente da cidade como caso de estudo para discutir ações de mitigação, prevenção e adaptação. Segundo o MPF, o evento reuniu especialistas, gestores públicos e membros do Ministério Público para debater os contextos científico, social e jurídico da adaptação climática [1].

⚠️ O desastre não é “natural”

Um dos pontos centrais da fala do professor foi o questionamento do termo “desastre natural”. Segundo Souza, embora o evento climático — como chuvas extremas — possa ser um fenômeno da natureza, o desastre em si é produzido pela combinação entre ameaça, exposição, vulnerabilidades sociais e falhas de planejamento urbano [2].

“O momento em que a gente evoca o resultado do evento adverso como um desastre natural, a gente, de uma maneira inconsciente, aceita que esses eventos são naturais e, o que é pior, a gente naturaliza o dano.”

— Jordan Henrique de Souza, durante o seminário

Essa leitura desloca o debate da fatalidade para a gestão pública: reduzir desastres exige enfrentar desigualdades, ordenar o território, mapear riscos, planejar infraestruturas e fortalecer a capacidade institucional dos municípios.

🔁 Reatividade x prevenção

Baseando-se em dados públicos e diagnósticos sobre defesa civil, o professor destacou que o Brasil ainda apresenta uma postura majoritariamente reativa diante dos desastres. Em sua exposição, apontou que parcela expressiva dos recursos destinados à área é consumida em ações de resposta, enquanto a prevenção recebe investimentos proporcionalmente menores [2].

🚨 Resposta depois do dano

A lógica reativa tende a concentrar esforços após o desastre: socorro, reconstrução emergencial, assistência humanitária e reparação de danos já consumados.

✅ Prevenção antes da crise

A prevenção exige planejamento contínuo: mapeamento de áreas de risco, obras estruturantes, drenagem, habitação segura, rotas de fuga, capacitação técnica, orçamento e governança.

O professor também apontou gargalos administrativos que dificultam a execução dos recursos disponíveis, especialmente quando municípios precisam gerenciar contratos complexos em momentos de crise. A mensagem central é que a emergência climática exige capacidade técnica antes, durante e depois dos eventos extremos [2].

📍 Juiz de Fora no mapa da resiliência

A participação da UFJF no seminário teve relação direta com o foco dado pelo MPF à experiência de Juiz de Fora. A notícia institucional do MPF destacou que o seminário dedicaria espaço significativo à Zona da Mata, buscando analisar impactos e lições das enchentes e deslizamentos ocorridos na cidade [1].

Em sua fala, Souza lembrou que ferramentas internacionais de autoavaliação da ONU já haviam sido aplicadas em Juiz de Fora, permitindo identificar pontos fortes e fragilidades da cidade em relação à resiliência. Para o professor, resiliência urbana não deve ser tratada como um projeto pontual, com início e fim, mas como um processo permanente, com metas, cronogramas, indicadores, orçamento e continuidade entre gestões [2].

🎓 Inovação e contribuição acadêmica

A UFJF tem desempenhado papel ativo na formação de profissionais, produção de conhecimento aplicado e apoio à gestão pública em temas de defesa civil, geotecnologias, adaptação climática e redução de riscos de desastres.

📚 Capacitação

O professor destacou a produção de centenas de projetos de intervenção desenvolvidos em cursos de pós-graduação, voltados para problemas reais de municípios brasileiros. Esses trabalhos mostram como a formação acadêmica pode gerar produtos práticos para a gestão pública local [2].

🧠 Tecnologia e tradução

Souza também apresentou iniciativa de pesquisa voltada à tradução, adaptação e validação de ferramentas internacionais de resiliência para a realidade brasileira e de países de língua portuguesa, com apoio de tecnologias digitais e inteligência artificial na organização e conferência de evidências municipais
[2].

🛠️ Profissionalização

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de profissionalizar a defesa civil, inclusive com a criação de formações tecnológicas específicas. A gestão de riscos exige integração de múltiplos saberes, como geotecnia, urbanismo, assistência social, saúde coletiva, comunicação, planejamento urbano, engenharia e gestão pública
[2].

📢 Alertas sociais: tecnologia precisa ser compreendida

O professor também provocou uma reflexão sobre a eficácia da comunicação de alertas. Para ele, sistemas tecnológicos — como mensagens por celular, sirenes, mapas e plataformas digitais — só salvam vidas se forem compreendidos pela população e articulados com protocolos comunitários claros [2].

“É preciso que a Dona Maria e o Seu João, na área de risco, entendam o que é um risco geológico.”

— Jordan Henrique de Souza, durante o seminário

A mensagem é direta: tecnologia de ponta precisa vir acompanhada de mobilização social, linguagem simples, rotas de fuga, pontos de encontro, exercícios simulados e confiança nos canais oficiais.

🤝 Ciência, Ministério Público e políticas públicas

O seminário reforçou o papel da UFJF como parceira estratégica de instituições públicas na construção de políticas baseadas em evidências. A notícia do MPF destaca que o evento reuniu sociedade civil, acadêmicos, membros do Ministério Público, juristas e representantes do poder público para debater cenários climáticos, prevenção e adaptação[1].

Nesse contexto, a contribuição acadêmica pode apoiar diagnósticos, metodologias, capacitação, indicadores, mapeamentos e instrumentos de planejamento capazes de transformar conhecimento científico em decisões concretas para proteger vidas.

👤 Sobre o professor

Jordan Henrique de Souza é professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da Faculdade de Engenharia da UFJF. Atua em temas relacionados a geotecnologias, planejamento, defesa civil, mapeamento de riscos, resiliência urbana e apoio técnico-científico à gestão pública.

❓ Pergunta final

A emergência climática impõe uma escolha aos municípios: continuar reagindo a cada tragédia ou construir, de forma contínua, profissional e baseada em dados, cidades capazes de prevenir danos, proteger populações vulneráveis e salvar vidas.