Plano de Ensino
Disciplina: DPR104 - DIREITO,VELOCIDADE E TECNOLOGIA
Carga horária: 45
Departamento: DEPTO DE DIREITO PRIVADO /DIR
Ementa
A partir do pós-guerra os dispositivos tecnológicos-virtuais dos sistemas autorreferenciais alteraram a forma e a velocidade da produção dos objetos e, igualmente, os valores simbólicos das transformações. Os principais enunciados do marcos teóricos predominantes nas análises das ciências do poder, do Estado e da economia perderam significativa ancoragem na categoria tradicional do tempo e da temporalidade. O que chamamos de realidade passa a representar uma série de fatos produzidos e reproduzidos de maneira paroxística às simulações desterritorializadas e virtuais. A partir do início dos anos 1960, análises sistematizadas da sociedade de consumo se preocupam, igualmente, com a análise dos sistemas político-jurídicos como produtos degradados do vazio pós-industrial, da revolução tecnológica e da ascensão dos contextos ecopolíticos, situações-limites da hiper-tecnologização, alterações muito rápidas na exigência “desigual” de condições de simultaneidade. Uma autocracia científica-tecnológica se impõe por uma nova lógica da guerra e de vestígios do que, recentemente, alguns pensadores nomeiam – não sem controvérsias -, “Tecnofeudalismo” (VAROUFAKIS, Yanis, 2025).
Destacam-se os efeitos da « aceleração » do tempo (CAILLAT, 2009). Relevou-se uma nova relação tempo/espaço/velocidade na qual o poder político e as novas tecnologias (as big-techs) disputam o monopólio do controle de dados, a modalização do binômio acesso/exclusão e o destino da corrida tecnológica. Neste ínterim, testemunhamos, nos últimos anos, uma correlação discordante entre os globalistas e surpreendentes iniciativas pós-globalistas. A alienação produzida pelo uso globalizado da virtualização das telecomunicações promoveu a inércia global como expressão de um mesmo fenômeno: associação da velocidade à produção nanotecnológica do futuro e da guerra, onde a velocidade é a “(...) violência da violência, a violência suprema. Uma mão que acaricia o rosto de uma criança pode ser a mesma mão que a esbofeteia. É a mesma mão, não é a mesma velocidade” (PAOLI, 2015).
Releva a presente disciplina ênfase na perspectiva de uma epistemologia de estudos da velocidade de uma economia de capitalismo intangível (HASKEL, 2024). Uma síntese: análise da velocidade como um fator central na transformação do capitalismo, das tecnologias e do espaço urbano tomando-o como um lugar crítico, espaço de recepção das velozes transformações no confronto entre o global e o pós-global, na decorrência da destruição e da violência, na alteração substantiva das relações sociais, na decomposição dos vínculos da subjetividade e da percepção do espaço (VIRILIO, 1997).
Destacam-se os efeitos da « aceleração » do tempo (CAILLAT, 2009). Relevou-se uma nova relação tempo/espaço/velocidade na qual o poder político e as novas tecnologias (as big-techs) disputam o monopólio do controle de dados, a modalização do binômio acesso/exclusão e o destino da corrida tecnológica. Neste ínterim, testemunhamos, nos últimos anos, uma correlação discordante entre os globalistas e surpreendentes iniciativas pós-globalistas. A alienação produzida pelo uso globalizado da virtualização das telecomunicações promoveu a inércia global como expressão de um mesmo fenômeno: associação da velocidade à produção nanotecnológica do futuro e da guerra, onde a velocidade é a “(...) violência da violência, a violência suprema. Uma mão que acaricia o rosto de uma criança pode ser a mesma mão que a esbofeteia. É a mesma mão, não é a mesma velocidade” (PAOLI, 2015).
Releva a presente disciplina ênfase na perspectiva de uma epistemologia de estudos da velocidade de uma economia de capitalismo intangível (HASKEL, 2024). Uma síntese: análise da velocidade como um fator central na transformação do capitalismo, das tecnologias e do espaço urbano tomando-o como um lugar crítico, espaço de recepção das velozes transformações no confronto entre o global e o pós-global, na decorrência da destruição e da violência, na alteração substantiva das relações sociais, na decomposição dos vínculos da subjetividade e da percepção do espaço (VIRILIO, 1997).
Conteúdo
Etapa I – Aceleração e Transformação: a velocidade como motor de mudanças profundas no capitalismo, na tecnologia e na organização do espaço urbano e global. Velocidade e Guerra: a velocidade está intrinsecamente ligada à guerra, não apenas em termos militares, mas também como uma lógica de destruição inerente ao desenvolvimento tecnológico, à globalização e à pós-globalização. Estudo paralelo: a aceleração tecnológica expõe a lógica da obsolescência e descarte, com impactos negativos para o meio ambiente e a sociedade, principalmente na degradação ecossistêmica de incidência sobre as populações de baixa renda e racialmente minoritária.
Etapa II - Espaço Urbano como Local Crítico - O espaço urbano é um local de conflito e transformação constante, moldado pela velocidade e pelas tecnologias. A proliferação de redes digitais, a vigilância, a difusão de imagens e a aceleração dos fluxos de informação e pessoas alteram a percepção e a experiência do espaço urbano, tornando-o um lugar de desafios e possibilidades. Crítica ao Tempo Real: critica a ideia de tempo real, presente nas tecnologias digitais e mídias sociais. Apagamento da dimensão tempo - instantaneidade da informação e das interações obscurece a compreensão das causas e consequências da ecopolítica, entre elas, o controle e o monitoramento a céu aberto (PASSETTI, Edson. Ecopolítica. São Paulo: Hedras, 2020).
Etapa II - Espaço Urbano como Local Crítico - O espaço urbano é um local de conflito e transformação constante, moldado pela velocidade e pelas tecnologias. A proliferação de redes digitais, a vigilância, a difusão de imagens e a aceleração dos fluxos de informação e pessoas alteram a percepção e a experiência do espaço urbano, tornando-o um lugar de desafios e possibilidades. Crítica ao Tempo Real: critica a ideia de tempo real, presente nas tecnologias digitais e mídias sociais. Apagamento da dimensão tempo - instantaneidade da informação e das interações obscurece a compreensão das causas e consequências da ecopolítica, entre elas, o controle e o monitoramento a céu aberto (PASSETTI, Edson. Ecopolítica. São Paulo: Hedras, 2020).
Bibliografia
HASKEL, Jonathan et alii. Capitalismo sem Capital: a Ascensão da Economia Intangível. Editora Cult :
São Paulo, 2024.
VAROUFAKIS, Yanis. Tecnofeudalismo: O que matou o capitalismo. São Paulo: Crítica, 2025.
VIRILIO, Paul. A arte do motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
________, Paul. A bomba informática. São Paulo: Estação Liberdade, 1999.
________, Paul. O espaço crítico: e as perspectivas do tempo real. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
________, Paul. Velocidade e política. 2. ed. São Paulo: Liberdade, 1997.
São Paulo, 2024.
VAROUFAKIS, Yanis. Tecnofeudalismo: O que matou o capitalismo. São Paulo: Crítica, 2025.
VIRILIO, Paul. A arte do motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
________, Paul. A bomba informática. São Paulo: Estação Liberdade, 1999.
________, Paul. O espaço crítico: e as perspectivas do tempo real. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
________, Paul. Velocidade e política. 2. ed. São Paulo: Liberdade, 1997.
Bibliografia(continuação)
Não informado
Bibliografia complementar
FERRAZ, Maria Cristina Franco. Homo deletabilis: corpo, percepção, esquecimento do século XIX ao
XXI. Rio de janeiro: Garamond, 2010.
PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínsica, 2014.
SCHREIBER, Anderson (coord.) Direitos fundamentais e sociedade tecnológica. Indaiatuba,
SP: Foco, 2022.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. (Org.). Software livre e inclusão digital. São Paulo: Conrad, c2003.
VILLAS BÔAS FILHO, Orlando. Direito, globalização e governança: uma abordagem a partir da perspectiva sociojurídica de André-Jean Arnaud. São Paulo Almedina 2023 1 recurso online Bibliotecas UFJF.
XXI. Rio de janeiro: Garamond, 2010.
PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínsica, 2014.
SCHREIBER, Anderson (coord.) Direitos fundamentais e sociedade tecnológica. Indaiatuba,
SP: Foco, 2022.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. (Org.). Software livre e inclusão digital. São Paulo: Conrad, c2003.
VILLAS BÔAS FILHO, Orlando. Direito, globalização e governança: uma abordagem a partir da perspectiva sociojurídica de André-Jean Arnaud. São Paulo Almedina 2023 1 recurso online Bibliotecas UFJF.