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Critt realiza workshop sobre norma de saúde mental nas empresas

Na terça-feira (23/06), o Critt (Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia) promoveu o workshop “Atualizações da NR-1 e riscos psicossociais no ambiente de trabalho”, ministrado pelo Dr. Valdir Donizeti Alves Júnior, diretor médico do grupo Reaviva. A palestra contou com a presença de mais de 40 pessoas no Auditório do Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora (Partec JF), com um tema que afeta a realidade de grande parte das empresas do país. 

Apresentação do workshop sobre a NR-1

 

Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, as empresas passam a ter a obrigação explícita de incluir riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Ou seja, a responsabilidade deixa de recair apenas sobre características individuais e passa a incluir decisões de gestão, metas, jornadas, relações hierárquicas e condições em que o trabalho é executado. As empresas terão que identificar situações potencialmente adoecedoras e esses riscos precisarão ser registrados formalmente no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com descrição clara de como afetam a rotina de trabalho e quais áreas ou funções estão mais expostas.

A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) traz uma mudança na fiscalização ao expandir o conceito tradicional de segurança do trabalho. A partir de agora, o foco deixa de ser estritamente voltado para acidentes físicos e o uso de equipamentos de proteção, exigindo que as empresas atuem de forma coletiva na construção de ambientes corporativos saudáveis. Para facilitar a transição, o Ministério do Trabalho publicou um pacote de orientações para empregadores e funcionários, incluindo o Manual de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, um Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais e um documento de perguntas e respostas.

Especialistas apontam que a intervenção é urgente. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que os riscos psicossociais, que incluem jornadas extenuantes, assédio e instabilidade profissional, são responsáveis por mais de 840 mil mortes anuais no mundo. No cenário nacional, a crise se reflete nos números: o Brasil bateu recorde em 2025, superando a marca de meio milhão de licenças médicas concedidas devido a transtornos mentais.

A grande virada de chave da nova NR-1 é a inclusão dos riscos psicossociais, diretamente atrelados à organização do trabalho, no mesmo patamar de perigos físicos, químicos, biológicos ou de acidentes operacionais. Com isso, problemas estruturais como metas abusivas, sobrecarga de tarefas, assédio moral ou sexual, pressão psicológica desmedida, atritos entre equipes, falta de autonomia e falhas gerais de liderança entram oficialmente na mira das inspeções.

Alessandra Lage, profissional da área de Gestão de Pessoas que esteve presente no workshop, comenta sobre o papel das lideranças na adequação da NR-1: “As lideranças devem atuar de forma ativa na identificação de fatores da rotina laboral que possam impactar negativamente a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. As empresas devem reconhecer que ambientes desorganizados adoecem e realizar ações de correção. De acordo com as informações disponibilizadas no sistema do e-social, o Ministério do Trabalho poderá realizar inspeções preventivas com base no cruzamento de dados da Previdência Social, mesmo na ausência de uma queixa formalizada em setores que demonstrarem recorrência em licenças de cunho psicológico.”

Com a validação da norma, o gerenciamento de riscos psicológicos torna-se uma obrigação legal explícita para o empresariado. A responsabilidade pelo adoecimento mental deixa de ser vista como um problema particular do trabalhador e passa a ser creditada às decisões de gestão, cobranças por metas, regimes de jornada e relações de poder. A partir de agora, as organizações são obrigadas a rastrear cenários nocivos e formalizá-los no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), detalhando o impacto dessas rotinas e apontando quais setores ou cargos estão em maior vulnerabilidade.