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Publicações

Tabela de Metadados – XLI Semana de História UFJF – 2025

TítuloAutorResumoPalavras-chaveAno
Entre pecado mortal e maternidade compulsória: violência simbólica e papéis de gênero no discurso religioso contemporâneo de Samia MarsiliMaíssa Fraga de AlmeidaO artigo analisa a construção das identidades de gênero na contemporaneidade através das redes sociais, focando no discurso da influenciadora Samia Marsili. Com base nos conceitos de biopoder e na crítica de Beauvoir ao essencialismo de gênero, o estudo investiga como ela promove regimes morais tradicionais e conservadores, atuando como agente de disciplinamento ao defender a "abertura à vida" e ao rejeitar contraceptivos artificiais. A análise destaca a violência simbólica gerada pela desinformação científica e pela exaltação do sacrifício feminino através do arquétipo da Mater Dolorosa. Conclui-se que Marsili usa a cultura digital para restaurar estruturas patriarcais de controle, limitando a autonomia reprodutiva e a transcendência existencial das mulheres atuais.Biopoder; Gênero; Maternidade; Redes Sociais; Samia Marsili.2025
Limpando Metais E Rearranjado Quadros: ​ A Arte E A Representação Cultural De Mulheres PretasVitória Maria Trindade GuedesO artigo aqui apresentado objetiva evidenciar a representação das mulheres negras na sociedade como um todo. Durante muito tempo, elas foram invisibilizadas e marginalizadas em vários setores sociais e, inclusive, na arte. Muitos dos retratos realizados de mulheres negras não dão a elas uma identidade, nome ou origem, mas a submetem apenas à sua cor, gênero ou função social. Então, a partir da obra Limpando Metais, do artista Armando Vianna, deseja-se analisar os motivos para a ocorrência dessa problemática. Além disso, utiliza-se obras literárias escritas por autoras negras brasileiras para dar nome e voz à personagem de Vianna, querendo pensar possibilidades para a sua história. É necessário rever as representações que damos visibilidade, humanizando-as. Conclui-se que, atualmente, superando os muitos estereótipos, as mulheres negras são muito mais do que aquilo que se mostra delas em retratos.pintura, mulher negra, retrato, sociedade, arte.2025
“The Fate Of Ophelia”: De Shakespeare, Aos Pré-Raphaelitas A Taylor SwiftMaria Paula Serrano; Thamiris MadeiraEste artigo analisa a persistência da figura de Ophelia como mito visual e dispositivo simbólico de controle do feminino, desde sua formulação em Hamlet, de William Shakespeare, até sua reapropriação contemporânea no videoclipe The Fate of Ophelia (2025), de Taylor Swift. Argumenta-se que a personagem foi historicamente construída como corpo atravessado pelo medo - da fala, da sexualidade e da autonomia feminina - resultando em seu silenciamento simbólico. No século XIX, a pintura pré-rafaelita, especialmente a obra de John Everett Millais, estetiza o afogamento e consolida Ophelia como ícone da passividade bela. Ao longo do século XX, essa matriz visual se mantém como estrutura de repetição. A releitura contemporânea, contudo, reinscreve Ophelia como sujeito ativo, deslocando o paradigma da passividade para a agência feminina.Ophelia; cultura visual; medo; feminino; imagem-arquivo.2025
A heterossexualidade compulsória na revista capricho: o amor como pedagogia de gêneroLaura de Souza NascimentoEste artigo analisa como a revista Capricho, entre os anos de 2010 e 2015, reforçou a heterossexualidade compulsória como parte da formação afetiva e estética das adolescentes brasileiras. Utilizando como corpus três capas publicadas no período e produtos derivados da marca, como Colírios Capricho e a webserie Vida de Garoto, a pesquisa busca compreender de que modo a revista atuou como um dispositivo de pedagogia de gênero. Fundamentado nas reflexões de Adrienne Rich (1980), Judith Butler (1990), Guacira Louro (2004) e Berenice Bento (2006), o estudo dialoga também com autores que investigaram o papel da Capricho na constituição da subjetividade feminina. A análise revela que, sob o discurso de empoderamento e liberdade, a revista reafirmou o amor heterossexual como destino simbólico, moldando corpos e afetos segundo padrões normativos.Heterossexualidade compulsória. Revista Capricho. Gênero. Adolescência. Mídia.2025
“Para um papo, uma amizade, uma transa”: leitoras-correspondentes baianas no boletim ChanacomChana (1981–1987)Nathália Pereira MartinsEste artigo tem como objetivo mapear a rede de comunicação afetivo-política e a presença de leitoras-correspondentes da Bahia no boletim ChanacomChana (1981–1987), publicação independente paulista do Grupo de Ação Lésbica-Feminista (GALF). O objeto de pesquisa concentra-se na movimentação e representação das lésbicas baianas no boletim, sobretudo nas seções interativas Troca-cartas e Fazendo poesia, analisando o perfil sociocultural, problematizando as lacunas e limites interseccionais, e vínculos com outras lésbicas do Brasil através da imprensa lésbica de caráter pedagógico político. Ancorada no pensamento epistemológico lésbico, a partir de Lessa (2007), Navarro-Swain (2004), Rich (2012) e Lorde (2019), a pesquisa segue o caminho de uma análise crítica quantitativa-qualitativa com cruzamento de dados, além do uso do método onomástico de Ginzburg (1989).Comunicação afetivo-política, Movimento Lésbico, Imprensa Lésbica, Continuum lésbico.2025
No ventre da resistência: maternidade, gênero e repressão na ditadura brasileira a partir da trajetória de Jessie Jane Vieira de SouzaAna Clara PassosEste trabalho pretende analisar a maternidade de militantes políticas em situação de cárcere durante a ditadura civil-militar brasileira partindo da trajetória de Jessie Jane Vieira de Souza, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), uma das principais organizações de esquerdas armadas brasileiras. Através da metodologia da História Oral, utilizando entrevistas concedidas por Jessie em 2011 e 2024, o trabalho analisa como a gestação e o maternar sob cárcere revelam dimensões pouco exploradas da repressão política do Estado. Discute-se, ainda, as relações entre maternidade e o “ideal” de militante revolucionário predominante nas décadas de 1960 e 1970. Ao destacar as tensões entre maternidade e cárcere, este trabalho busca contribuir na construção de uma historiografia da ditadura que considere, também, as perspectivas e clivagens de gênero como chaves interpretativas.Gênero; Ditadura; Maternidade, Resistências2025
A mulher e a "raça" no discurso de Odilon Braga: um estudo de duas publicações de jornal do político mineiro (1911-1918)Jordan Marcos RochaEsse artigo visa analisar publicações de jornal do político mineiro Odilon Braga na década de 1910, momento em que iniciava sua carreira política. As publicações abordam a respeito do gênero feminino e do conceito de raça. Em um dos artigos, Braga apresenta a admiração feminina pelo herói cinematográfico norte-americano como um incentivador capaz de aperfeiçoar o homem e fortalecer a “raça”, entendida como vinculada à aptidão física. Já em um artigo posterior, atribuiu à mulher uma “eficiência incalculável” no front, como suporte emocional aos soldados. Em suas publicações, o feminino é visto como essência afetiva que inspira e regula o comportamento masculino. A análise busca apresentar essas publicações como processos de discussão e normatização social no cenário cultural do Brasil no início do século XX.Odilon Braga, mulheres, raça, gênero, liberalismo, imprensa, Primeira República2025
Cuba Nas Páginas Da Imprensa Brasileira: Representações E Estratégias Discursivas No Tribuna Da Imprensa No Ano De 1954Lyandra Ester PrudenteO presente trabalho analisa as representações de Cuba no jornal Tribuna da Imprensa em 1954, buscando compreender de que modo o periódico construiu para a construção de discursos sobre a política cubana. Parte-se do pressuposto de que a imprensa atua como espaço de produção e circulação de representações capazes de intervir na vida política e reforçar valores ideológicos. Nesse sentido, entende-se o jornal como agente ativo na formulação de sentidos e posicionamentos Os resultados indicam que o periódico retratou a instabilidade cubana como reflexo do avanço comunista e da decadência moral, associando Batista à ordem e os movimentos de oposição à ameaça à civilização ocidental. Ao projetar sobre Cuba suas próprias disputas políticas, o Tribuna da Imprensa reafirmava seu papel como mediador de sentidos e como agente ativo no campo das representações políticas.imprensa brasileira; Carlos Lacerda; Cuba; representações políticas; ideologia.2025
Clube Palmares em Festa: trajetórias culturais e memória coletiva em Volta Redonda (1960 e 1990)Jéssica Lopes de AssisO Clube Palmares, seguindo o modelo dos clubes associativos negros do século XX, foi fundado em 1965, na cidade de Volta Redonda, com o objetivo de incluir o negro na sociedade através de promoções culturais, devido ao racismo e à segregação socioespacial. Porém, entre os anos de 1970 e 1980, o espaço passou a contar com a presença de uma nova geração que se inspirava nos movimentos civis norte-americanos ao combater o regime militar vigente no Brasil e denunciar o mito da democracia racial. Diante destas considerações, o presente trabalho tem como principal objetivo analisar as motivações para se fundar um clube negro em uma Área de Segurança Nacional; os ideais do Clube Palmares ao acrescentar o termo “movimento negro” ao seu nome; o perfil e o discurso das pessoas que adentraram o local entre 1960 e 1990. Para contribuir com o debate, serão expostos os conceitos de Associativismo, Clubes Sociais Negros e Movimento Negro.Movimento Negro, Ditadura, Democracia Racial.2025
Entre normas e rupturas: estratégias negras de liberdade em Juiz de Fora no século XIXVanessa Ferreira Lopes; Luan Pedretti de Castro FerreiraO presente trabalho busca examinar algumas das estratégias utilizadas em ações de liberdade movidas por pessoas negras em Juiz de Fora no século XIX. Com base em três processos publicados no livro-documento “Ações de liberdade em Juiz de Fora: protagonismos, autonomias e insurgências” (Castro; Pedretti; Lopes, 2025), pretende-se analisar de que maneira indivíduos escravizados, forros e libertos acionaram normas jurídicas para comprovar sua condição de livres ou ratificar o direito de compra de sua liberdade. Embora esses documentos obedeçam a uma estrutura formal, eles permitem revelar diversas dinâmicas da sociedade oitocentista, contribuindo para complexificar a história da população negra sob o regime escravista.Ações de liberdade; escravidão; pós-abolição; Brasil oitocentista.2025
A fabricação da desigualdade: exclusão fundiária e de direitos na história da ocupação territorial brasileira e a escravidão contemporâneaMónica Ribeiro de Oliveira; Nayara Machado Fintelman de OliveiraEste artigo examina a escravidão contemporânea no Brasil, com ênfase em Minas Gerais, interpretando-a como manifestação direta do legado histórico do escravismo. A abordagem metodológica parte do presente para interrogar o passado, priorizando as trajetórias, motivações e heranças sociais dos trabalhadores resgatados. O estudo incorpora a análise micro-histórica de um caso ocorrido em uma carvoaria na Zona da Mata mineira, em 2024, articulando experiências locais a estruturas históricas mais amplas. Paralelamente, mobiliza dados estatísticos relativos a setores econômicos, trajetórias territoriais, marcadores sociais e níveis de escolaridade. A combinação entre análise qualitativa e quantitativa busca evidenciar a permanência de desigualdades estruturais e a continuidade histórica de práticas que, ainda hoje, negam a liberdade plena no país.escravidão contemporânea; afrodescendentes; histórias conectadas.2025
Mulheres de elite no final do século XVIII: Sombra ou influência?Stela de Oliveira AmorimO presente trabalho visa analisar como as mulheres de elite se posicionavam no termo capitania de Mariana no fim do período colonial. A investigação visa entender como a historiografia aborda essas mulheres de elite. Assim, a existência de relações afetivas instáveis, o abandono de mulheres por homens que iam e vinham ao ritmo da mobilidade espacial tão presente naquela época, levaram várias mulheres a ocuparem papéis diferentes dos preconizados pelo discurso misógino, que atribuía a elas apenas os afazeres domésticos, já que o poder econômico não garantia o poder político e social. A análise deste estudo será centrada na Capitania de Minas Gerais, especificamente de Mariana, na segunda metade do século XVIII. Buscarei trazer uma abordagem da História Social, visando compreender a vida das mulheres de elite não apenas como sombras de seus maridos, mas como elas também influenciaram nesse período.Mulheres de elite; Século XVIII; Minas Gerais2025
Geotecnologia e Criminalidade: Aplicações Do SIG na Análise de Processos CriminaisPatrícia de Oliveira Guerra Radsack Corrêa; Randolpho Radsack CorrêaO presente artigo tem por objetivo demonstrar a aplicabilidade do Sistema de Informação Geográfica na análise e mapeamento de processos criminais, articulando essa análise com a dimensão de gênero no contexto penal. Procuraremos refletir a partir de eventos criminosos do século XIX em Santa Luzia do Carangola na dissertação: Até que o crime as evidencie: mulheres e criminalidade em Santa Luzia do Carangola no fim dos Oitocentos (1876 e 1892) e artigos acadêmicos recentes, propõe-se uma abordagem interdisciplinar entre tecnologia SIG, criminalidade e estudos de gênero, destacando a relevância do SIG na amplitude da análise dos processos criminais através da espacialização dos dados do crime, como também, dos dados dos envolvidos nos aparatos judiciais.SIG, processo criminal, gênero.2025
Gênero, historiografia e livros didáticos: implicações para o estudo de uma história do ensino de históriaAna Clara do Carmo ClementeEste trabalho investiga o papel das mulheres na produção historiográfica brasileira no século XIX, analisando o manual didático Resumo da História do Brazil (1868) de Herculana Firmina Vieira de Sousa. Utilizando as categorias de gênero (Scott, 1988) e lugar social (Certeau, 1982), o estudo argumenta que a autoria feminina na escrita didática da história revela disputas que tensionavam o cânone, demonstrando como o saber histórico também foi construído por mulheres, principalmente inseridas no meio educacional. Conclui-se pela necessidade de reconfigurar o cânone historiográfico, reconhecendo fontes do ensino de história como contribuições legítimas à historiografia e refletindo sobre suas heranças e rupturas na contemporaneidade, tanto para a escrita da história quanto para o seu ensino.História das mulheres. Historiografia. Livro didático.2025
O movimento coachcista e as salas de aula: problematizar o tempo para pensar diferençasTayck Kapps Esch NevesO presente trabalho busca, a partir da problematização da História mestra da vida, pensar as narrativas dos coaches e mini-coaches, principais personagens do movimento coachcista das redes sociais, no Ensino de História. O que é História mestra da vida? Qual a relação do coachcismo e o Ensino de História? Como problematizar seus métodos? Para tanto, será analisado as narrativas desse “grupo” nas redes sociais, principalmente no Instagram, como potenciais influências sobre os corpos (Albuquerque Júnior, 2023) presentes em sala de aula a partir dos afetos, como amor e paixão – e seus objetos – (Pereira, 2021), e da concepção ciceroniana de tempo (Koselleck, 2006).coaches; redes sociais; Ensino de História; ética; tempo.2025
Ensino de História, conhecimento histórico e a Genealogia da Diferença: A fragilidade da narrativa do PET/MG na invenção do “Eu” cidadão e do “Outro” socialMarcelo Júnior da Silva PadilhaEste trabalho propõe uma análise das articulações discursivas e políticas do ensino de História na rede pública estadual de Minas Gerais (MG) durante o contexto da pandemia de COVID-19. A abordagem teórico-metodológica é qualitativa, ancorada na análise discursiva na perspectiva pós-fundacional. Prioriza-se os materiais do 3º ano do Ensino Médio, visto que foi o último contato desses alunos com o aprendizado de História na rede básica. O estudo visa (1) contextualizar a resposta educacional do Estado de Minas Gerais à crise sanitária; (2) investigar o currículo de História como um território de disputas hegemônicas; (3) analisar o conteúdo e a metodologia do PET, verificando como a desigualdade de acesso à internet exacerbou a desigualdade de oportunidades de aprendizado para estudantes sem recursos digitais; e (4) refletir sobre a necessidade de uma “(re)invenção do ensinar” (Almeida, 2014).Pandemia; Ensino de História; Currículo; Desigualdade Digital; PET (MG).2025
Ensino de História apesar da violência: o caso palestinoLavínia Renata de Oliveira Turqueti; Maria Beatriz de S Thiago RagonO ensino de História para além do compromisso “com as vidas de cada estudante/singularidade que vive no acontecer da aula de História” (Pacievitch, et Al. 2023: 90), possui uma responsabilidade ética singular diante de vivências marcadas por violências e genocídios, como o que assola o povo palestino. Para além de nomear tais crimes como genocídio, a aula de História pode, também, ser um espaço para ressignificar essas experiências. Diante disso, este trabalho busca problematizar os limites e possibilidades do ensino de História diante de experiências de violência extrema, tomando o atual contexto palestino como estudo de caso. Para que possamos aprender sobre/com o “outro” para além das caricaturas que lhes foram feitas por seu “carrasco”.ensino de História; Palestina; Genocídio; Narrativa.2025
Entre O “Eu” E O “Outro”: A Política Temporal Do ImperialismoJess James Sobrinho Bezerra; Mariana Guedes da SilvaO presente artigo busca analisar a construção do binômino identitário “eu”, europeu, e o “outro”, sujeito subalternizado, no contexto do Imperialismo do século XIX. Investiga-se como o racismo científico e o “desencantamento do mundo” substituíram justificativas teológicas por validações biológicas e temporais para legitimar a dominação colonial. O texto explora o fenômeno dos Zoológicos Humanos como ferramenta pedagógica de desumanização e discute a política temporal que categorizava os não europeus como pertencentes a um passado atrasado em oposição ao futuro civilizatório. Por fim, reflete-se sobre os desafios do Ensino de História, criticando o “espelho narcísico” dos currículos eurocêntricos e propondo uma educação que combata o epistemicídio e reconheça a pluralidade das experiências históricas e da alteridade.Imperialismo; Alteridade; Racismo Científico; Política Temporal; Ensino de História.2025
O Ensino de História e o escuro: apagar as luzes para pensar a ética em salas de aulaTayck Kapps Esch NevesExperienciar é parecido com o amor, o ato chega pela ocasião, pela coincidência e não limita-nos a um único caminho. A paixão, em contraste com o amor, domina, controla e coloniza, limitando possíveis caminhos a um. O Iluminismo, por exemplo, parece-me operar compactuando com a paixão, com a limitação, visto que opera com a ciência sendo o único, o preciso e o melhor caminho do homem. Por uma crença exacerbada na razão, o Iluminismo ignora as subjetividades dos corpos presentes em salas de aula e as multiplicidades do ensino. Seguindo essas problematizações, este artigo busca romper com um ensino luminoso (de raízes iluministas) e um ensino meramente moral. Com isso, proponho um Ensino de História no escuro, distante das luzes, e que valorize as singularidades corpóreas, as ocasiões das salas de aula e a ética.Ensino de História; ética; escuro; Iluminismo; moral.2025
Ensino de História e Pensamento Decolonial: A História como um projeto de colonialidade do saberPaula Oliveira Carvalho AguiarO poder de contar a História vem há algum tempo tornando as histórias de africanos, afro-brasileiros e indígenas definitivas. Este artigo pretende entender como a manutenção da colonialidade nos currículos escolares têm conservado o mesmo modelo de História. Observar como a Base Nacional Comum Curricular (2018), mesmo depois de diversos avanços relacionados as pautas étnico-raciais nos anos 2000, ainda mantem pressupostos que impedem uma atitude decolonial. A proposta é compreender a BNCC como uma continuidade no processo de colonização do saber nos brasileiros.Colonialidade. Decolonialidade. BNCC. Ensino de História.2025
As disputas de poder no bairro Patrimônio no contexto do processo de urbanização de UberlândiaAndressa Giselly Sousa da Silva; Lino José Pacheco FerreiraPor meio deste trabalho, pretendemos relatar e analisar os resultados da aplicação do projeto de ensino desenvolvido pelos autores durante a formação no curso de graduação em História na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Projeto no qual abordamos a história do bairro Patrimônio, considerado o mais antigo bairro periférico da cidade, cuja história é marcada pela cultura popular, sua população sempre foi bastante engajada nas festas populares, como a Folia de Reis, o Carnaval e o Congado. Nas últimas décadas, contudo, tem ocorrido um processo de gentrificação no bairro, que tem ocasionado a expulsão dos antigos moradores e o processo de apagamento da cultura e da história do próprio bairro. Assim, pretendemos elencar as contribuições do citado projeto para o processo de formação, tanto dos estudantes do ensino básico, quanto para a nossa formação docente.Bairro Patrimônio, Uberlândia, História Local, Ensino de História.2025
Imprensa feminina e feminista brasileira em foco: a atuação de Presciliana Duarte de Almeida (1867-1944)Pâmela Mello de AzevedoA literatura, a imprensa e outras formas de expressão cultural foram os principais meios de divulgação de ideias e reivindicação de direitos para as mulheres na Primeira República (1889–1930). Entre os nomes dessa resistência feminina, destaca-se a poetisa Presciliana Duarte de Almeida, cuja trajetória intelectual foi atravessada pelo apagamento histórico. Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo destacar as contribuições da escritora na imprensa. De caráter histórico-documental, a pesquisa parte da História Cultural e analisa a fortuna crítica de Presciliana e os indícios encontrados na imprensa a seu respeito –, sob o aporte de Chartier (2002), Burke (1997) e Ferreira (2015), em diálogo com Araújo (2008), Faedrich (2018) e Pinto (2023). Conclui-se que Presciliana ocupou posição de destaque na intelectualidade brasileira da época, com atuação relevante nos campos da educação, da literatura e das questões sociais.Imprensa feminista; Presciliana Duarte de Almeida; A Mensageira;2025
Origem e Destino da Nação: esquecimento e vontade na construção do nacionalismo à brasileiraAna Amélia S. CarvalhoA proposta deste trabalho é investigar a construção do que chamamos de “nacionalismo à brasileira” a partir da articulação entre esquecimento e vontade, ou seja, a partir da produção de uma memória nacional que visa ocultar, e de algum modo manter, a violência e a brutalidade presentes na gênese do Brasil e no seu projeto de futuro. Trata-se de um estudo sobre aquilo que, em última instância, parece persistentemente na estrutura das expressões nacionalistas brasileiras, a despeito de suas variações e usos por campos distintos do espectro político: a “mistura de três raças” como mito fundador e o “branqueamento” como missão histórica, traduzida também na continuação do projeto colonial de missão civilizatória nos trópicos. Trata-se de uma pesquisa teórica, de caráter interdisciplinar, que articula filosofia política, sociologia e história e que se utiliza de uma metodologia bibliográfica e qualitativa.nacionalismo à brasileira; esquecimento motivado; miscigenação.2025
Uma análise da obra “Retrato de Pedro II”: seus simbolismos e suas possibilidadesMariana Silva BarbosaO presente trabalho tem como objetivo analisar os elementos do quadro “Retrato de Pedro II” de Joaquim da Rocha Fragoso, exposto no Museu Mariano Procópio, como o traje de gala da Marinha e a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Ademais, ao estudar a estrutura instituída no museu, podemos perceber os simbolismos e os tensionamentos gerados pelo tiro que o retrato levou no momento de Proclamação da República. Nesse sentido, há a potencialidade de uma contra-narrativa em detrimento de uma História Única que poderia ser gerada pelo acervo imperial e de elite. Assim, o artigo tem como premissa pensar novas possibilidades para além da narrativa oficial, de modo a dessacralizar os objetos e questionar/problematizar sobre as vozes que são silenciadas/esquecidas.Museu Mariano Procópio; “Retrato de Pedro II”; simbolismos; Museu Fórum; Contra-Narrativas.2025
Imaterialidade E Materialidade Em Disputa: Memória, Paisagem E Gentrificação No Parque Do Povo Mário Pimenta Camargo, Em Itaim Bibi, São PauloFlaviana Lopes Ribeiro de OliveiraO artigo analisa a demolição da Escola de Capoeira Angola Cruzeiro do Sul e do Teatro Ventoforte, em fevereiro de 2025, no Parque do Povo Mário Pimenta Camargo, em São Paulo, como expressão das tensões entre preservação cultural e políticas de requalificação urbana. A partir do tombamento do parque em 1995, discute-se a progressiva descaracterização do bem e a expulsão de práticas culturais historicamente vinculadas ao território. Mobilizando os conceitos de materialidade, imaterialidade, território e gentrificação, o texto evidencia como a patrimonialização formal, dissociada da salvaguarda das práticas e das comunidades detentoras, pode operar como instrumento de apagamento e produção de violência institucional.Patrimônio cultural; Capoeira Angola; Teatro Ventoforte; Parque do Povo; Gentrificação.2025
Afrofuturismo E Crítica Social: Reflexões A Partir Da Obra “O Blogueiro Bruxo Das Redes Sobrenaturais” De Fábio Kabral (2021)Lívia Alves SilvaNeste estudo, destacamos o afrofuturismo como elemento fundamental para a construção de um diálogo entre a História e a Literatura. tilizamos como fonte, a obra de Fábio Kabral, intitulada O Blogueiro Bruxo das Redes Sobrenaturais (2021). Neste sentido, o trabalho tem como objetivo, analisar a obra e entender como o autor constrói um cenário futurista digital que dialoga diretamente com a cosmologia dos Orixás, em conjuntura com a problematização das as redes sociais na escrita de Kabral e como elas se desdobram ao decorrer da narrativa. Nesta perspectiva, fundamentado nas formulações de Roger Chartier, em seu livro A História Cultural (1988) e a metodologia interpretativa de Antônio Cândido, escrita em Literatura e Sociedade (1985) buscamos, compreender a obra como um conjunto de fatores sociais e ainda, os aspectos sociais que envolvem a vida artística de Fábio Kabral.Afrofuturismo, Literatura Afrofuturista, Ficção Científica.2025
O Mito da Argentina branca: O apagamento de contribuições negras e indígenasDavy Mariano Izidoro; Adriel Agostinho dos SantosEste artigo busca analisar como que se construiu a percepção de uma Argentina racialmente homogênea (branca), desconsiderando a participação de indígenas e negros nos processos de Independência da nação. Ademais, aborda acerca do processo de imigração europeia em meados do fim do século XIX e início do século XX, no qual mais de 4 milhões de imigrantes se instalaram no país. Sendo nesta perspectiva, desenvolvemos possíveis motivos para a diminuição da população indígena e negra no país. Isso, em um contexto de políticas supremacistas brancas que justificaram a civilidade ao progresso do homem branco da cidade, sobre extensas áreas já povoadas, entretanto, chamadas de deserto.Indígenas, Negros, Imigrantes, Civilidade, Deserto.2025
A paixão na carne: sofrimento, gênero e a imitatio Christi na espiritualidade feminina medievalEduarda NascimentoEste artigo explora como a espiritualidade feminina na Baixa Idade Média (c. 1200-1500) ressignificou a experiência do sofrimento através de uma interpretação generificada da imitatio Christi. Analisa-se como mulheres místicas, marginalizadas das estruturas de poder eclesiástico, transformaram o corpo, teologicamente associado ao pecado de Eva e à inferioridade feminina, em um palco privilegiado para a união com o Cristo sofredor. Argumenta-se que, através de práticas como o jejum ascético, a devoção eucarística e a somatização da Paixão, essas mulheres não apenas encontraram um sentido para sua dor, mas também forjaram uma forma de autoridade espiritual que, por vezes, subverteu as hierarquias da Igreja. A "paixão na carne" tornou-se, assim, uma forma de compassio e uma contraconduta ao poder pastoral masculino, redefinindo os contornos da santidade e da experiência divina.Mística Feminina; Idade Média; Imitatio Christi; Sofrimento; Gênero; Corpo.2025
Teoria da Dependência e o Cronótopo Neoliberal: entre o Futuro e o Subdesenvolvimento na América LatinaLívia Ferreira SilvaO presente trabalho busca averiguar e pesquisar conceitos que organizam o espaço e o tempo na América Latina a partir do debate acerca do subdesenvolvimento. O principal objetivo foi revisitar e interpretar como a teoria da dependência, dentro do regime de historicidade neoliberal, isto é, no chamado presentismo, poderia oferecer formas de articular e de pensar a história latino-americana que com o passar do tempo foram abandonadas devido ao avanço neoliberal, mas que no passado criaram lampejos de identidade e saídas para impasses continentais como a desigualdade e o atraso tecnológico em relação aos grandes centros.Neoliberalismo, América Latina, subdesenvolvimento.2025
A Influência Do Futbol Club Barcelona Sobre A Reivindicação De Separatismo Da Catalunha Em Relação Ao Estado EspanholLaura Caetano Vieira CostaDiante do longo conflito político entre a Comunidade Autônoma da Catalunha e o Estado espanhol, o presente artigo busca entender qual a influência do Futbol Club Barcelona para o movimento de reivindicação separatista da região. O clube não só influencia, como é determinante para a manutenção do movimento, como foi atestado por meio de uma revisão bibliográfica e análise de conteúdo midiático. Compreender essa conjuntura é fundamental para o reconhecimento de um dos usos mais recorrentes do futebol: o político.FC Barcelona, Catalunha, separatismo, futebol, Espanha.2025
Hamilton: Identidade, contradições e orgulhoGuilherme Batista DanielO artigo investiga as contradições e os mecanismos de construção da identidade nacional estadunidense a partir da figura histórica de Alexander Hamilton, com base no musical Hamilton: An American Musical. Parte-se da análise das condições históricas da independência dos Estados Unidos para refletir sobre como o sentimento nacionalista foi sendo forjado a partir de uma identidade reativa contra a Inglaterra. Com base nos autores Anderson, Hobsbawm, Junqueira e Hall, o texto explora a construção cultural da nação como uma comunidade imaginada, marcada por exclusões sistemáticas de grupos subalternizados. Não obstante, o musical embora traga elementos ditos revolucionários, basilarmente reforça uma narrativa de excepcionalismo idealizando a trajetória de Hamilton, evidencia tensões entre representação cultural e memória histórica.Alexander Hamilton; identidade nacional; excepcionalismo; Estados Unidos; comunidades imaginadas.2025
“Conciliadora”: Uma Máquina de Costura e um vislumbre da sociedade no XIX.Anna Vitória Souza PereiraEste artigo pretende analisar um dos elementos presentes na pintura de Maria Pardos intitulada, Conciliadora, a saber, a máquina de costura salientada no canto esquerdo da obra; o quadro em questão encontra-se no acervo do Museu Mariano Procópio, localizado no município de Juiz de Fora, Minas Gerais. Para o seguinte estudo, propõe-se a investigação das atribuições femininas no século XIX, levando em consideração a função da máquina de costura como um indicativo não só de atividades domésticas da figura feminina, mas de novos papéis desempenhados pela mulher naquele contexto. Portanto, este trabalho visa salientar uma releitura outra da referida obra, indicando um sentido diverso para a “Conciliadora” retratada no quadro.Maria Pardos; pintura; conciliadora; máquina de costura; mulheres; século dezenove.2025
Da Sedução À Ruína: Uma Análise Da Obra Dalila De Maria PardosEmilly Vargas MedeirosO presente artigo analisa a obra Dalila (1917) de Maria Pardos, na qual a artista propõe uma leitura singular da personagem bíblica ao conferir-lhe protagonismo frente à Sansão. A análise busca compreender como o olhar feminino ressignifica narrativas tradicionais marcadas pela figura da femme fatale e pela construção simbólica da mulher como instrumento de sedução e traição. A abordagem é de natureza analítica-comparativa, fundamentada na análise iconográfica e no diálogo com obras de Gustave Moreau, Rembrandt, Peter Paul Rubens e Oscar Pereira da Silva. Propõe-se a hipótese de que o espectador atua como terceira instância da cena, sendo confrontado pela dinâmica de poder da personagem. Conclui-se que Pardos promove uma inversão das dinâmicas de poder visual, conferindo autonomia e centralidade à figura feminina.Dalila, Femme Fatale, Cena bíblica, Subgênero nu, Maria Pardos.2025
Invisibilização Das Mulheres Artistas No Período “Entresséculos”: A Presença Feminina Na Exposição Geral De Belas Artes De 1894 A 1903Larissa Gabriele Mendonça da SilvaO presente trabalho busca mapear a presença de mulheres artistas na Exposição Geral de Belas Artes, promovida pela Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), com base em duas técnicas artísticas específicas, a pintura e a escultura. O recorte temporal é definido da primeira edição da exposição, após sua reformulação com a transição da Academia Imperial de Belas Artes (AIBA) para a ENBA, em 1894, à décima edição, no ano de 1903. Dessa maneira, a pesquisa se desenvolveu pela análise quantitativa dos catálogos das exposições, ao longo da temporalidade proposta, a fim de encontrar dados que apresentam quantas mulheres participaram nesses anos, se eram artistas brasileiras ou estrangeiras e quantas obras cada uma expôs. Ademais, também foi observada a quantidade de mulheres que recebeu algum reconhecimento específico nessas exposições, desde menções honrosas a medalhas de ouro.Mulheres artistas; Exposição Geral de Belas Artes; Gênero; Invisibilização; Reconhecimento.2025
O autorretrato feminino e a construção da artista: Abigail de Andrade no Salão de 1884Karen Faria ArantesO texto examina o autorretrato Um canto do meu ateliê, de Abigail de Andrade, apresentado na Exposição Geral de Belas Artes de 1884, situando a obra no contexto do campo artístico brasileiro do século XIX. A discussão aborda o funcionamento das instituições artísticas, o espaço expositivo do Salão e a trajetória da artista, articulando esses elementos à análise da pintura. Também são consideradas as leituras críticas que revelam os parâmetros estéticos e sociais mobilizados na recepção da produção feminina. A partir desse conjunto, o trabalho propõe uma reflexão sobre o lugar da mulher artista no sistema acadêmico oitocentista.gênero; autorretrato; crítica.2025
Práticas De Produção De Alimentos E A Reorganização Do Espaço Interno De Padarias Em Belém (1910-1920)Hanna Ingrid Pororoca Leite; Pedro Henrique de Souza TavaresNo início do século XX, a cidade de Belém vivenciou não apenas novas dinâmicas comerciais e econômicas, fruto dos lucros do período da Belle Époque, mas também se tornou necessário para o poder público transformar a capital paraense, passando a instituir novos padrões de civilidade e progresso para os habitantes. Nesse ínterim, os espaços de produção alimentar passaram a ser fiscalizados e reestruturados junto com os modos de ser e habitar que viriam a compor a cidade. Diante disso, este trabalho visa evidenciar como funcionava o ambiente de produção de padarias e confeitarias da capital paraense entre os anos de 1910 e 1920, que forneciam alimentos principalmente para a população do centro comercial da cidade, em meio a um momento de mudanças, onde o ideal modernizador e higienista orientava as ações.alimentação; padarias; higienização; Belle Époque.2025
As Partes De Um Mosaico: Expansão Bancária Em Minas Gerais De 1889 A 1930Débora Alves de AbreuO presente trabalho tem como objetivo apresentar os principais resultados obtidos em nossa pesquisa de mestrado em que nos propusemos a compreender o processo de expansão do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, fundado no ano de 1889 na cidade de Juiz de Fora. Para isso, por meio das fontes analisadas, mapeamos essa expansão e buscamos características em comum entre os municípios a fim de encontrar razões para tal expansão, tendo em vista que não se tratou de uma expansão deliberada e arbitrária, mas que seguiu pressupostos e padrões vigentes no contexto entre 1889 e 1930.Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Crédito; Zona da Mata Mineira; Economia cafeeira; Expansão.2025
Entre a experiência do PIBID e a do Estágio em História: as diferenças no trato das relações étnico-raciais.Mariana Silva Barbosa; Raysa Rodrigues FerreiraO trabalho tem como objetivo refletir sobre as diferentes experiências vividas em duas escolas da cidade de Juiz de Fora (MG), pensando nas singularidades de cada instituição e a maneira como os conteúdos são mobilizados. O primeiro local é a Escola Municipal José Calil Ahouagi a partir do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência). Esta instituição possui uma política curricular de compromisso contínuo com uma educação antirracista. Todavia, com o Estágio Supervisionado em Ensino de História I no Colégio de Aplicação da UFJF, observamos falas eivadas de preconceitos em sala de aula por parte de diversos discentes. Com essa situação inquietante, realizamos nossa prática no estágio propondo compreender algumas maneiras de narrar a origem da vida (utilizando materiais produzidos na Escola José Calil Ahouagi), aprendendo a valorizar e a respeitar a diversidade de modos de existir.Ensino-Aprendizagem; PIBID; Estágio em História; Relações Étnico-Raciais.2025
A ausência da Disciplina História no Compromisso Nacional a Criança AlfabetizadaGabriel da Silva MoraesO que é alfabetizar? Alfabetização e letramento são sinônimos ou são de ordens distintas? Refletir e questionar esses processos nos permite inúmeros apontamentos e potencialidades para a experiência e formação curricular dos anos iniciais. Para refletirmos sobre os processos citados acima, apresentaremos como recorte a prova do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). Não como fonte, mas como uma política curricular que (des)legitima componentes e disciplinas em graus de importância e de urgência, na composição do processo formativo. Um exemplo é a ausência da disciplina História no conteúdo requerido pela prova.Ensino de História – Alfabetização – Currículo.2025
A Morte Ensina? Como As Memórias Do Fim Da Vida São Construídas No Ensino De HistóriaCamila Cunha Alves; Laura Caetano Vieira CostaO presente trabalho defende o caráter coletivo da História, do ensino de História e da morte, e questiona o porquê desta última praticamente não integrar entre os tópicos principais da segunda. A ideia do coletivo se baseia em três pilares: “extrapolam os limites da minha casa”, “existe em relação ao meio social” e “exprime uma determinada visão social de uma época” (Esquinsani, 2022). O artigo está organizado em uma análise de três eixos: a História e a memória como coletivas, a morte como coletiva, e a morte no ensinar História. Questiona-se, então: se o ensino de História trata do coletivo, por que não fala sobre a morte? O que é falar sobre morte? Dessa forma, buscamos ao longo do artigo tensionar a conexão entre História coletiva e a morte como coletiva, e suas possíveis articulações com o ensino de História.Morte, História Coletiva, Memória, Ensino de História.2025
Horizontes da Pátria: Nascer do Estado ArgentinoIsabela de Almeida Gonçalves PereiraEste artigo analisa a complexa gênese do Estado-nação argentino, compreendendo-a como um processo dialético iniciado pela crise de legitimidade da coroa espanhola e a Revolução de Maio de 1810. A pesquisa examina as tensões estruturais entre o projeto centralizador unitário de Buenos Aires e a resistência autonômica dos caudilhos federais, destacando o papel paradoxal de Juan Manuel de Rosas na estabilização política regional por meio de um regime personalista. Discute-se o impacto ideológico da Constituição de Cádis e a posterior consolidação territorial, evidenciando como a modernização estatal e a inserção no mercado global fundamentaram-se na expropriação violenta e no genocídio dos povos originários. Sob uma perspectiva historiográfica crítica, o estudo revela que a identidade nacional argentina foi forjada em meio a conflitos de poder.Independência, Argentina, Estado-Nação.2025
Ser Mãe É Padecer No ParaísoAieska Pandolfi MonfardiniO presente trabalho tem como intenção apresentar um estudo inicial sobre o papel da maternidade na manutenção do poder real feminino entre os séculos XIII e XIV em Portugal. Para o historiador britânico, John Parsons, a maternidade é um dos cinco critérios para a escolha de uma boa rainha, trazendo nova lente para enxergá-la não como um elemento secundário do poder real, mas como uma peça central na articulação entre dinastia, fé e política. Assim, a maternidade traz consigo a responsabilidade pela perpetuação dinástica do poder régio. No contexto português, podemos perceber através das analises da cronistica que cita as rainhas D. Leonor de Teles e D. Filipa de Lancaster o peso da maternidade na solidificação do poder, não apenas da rainha, mas também do rei.Rainha; maternidade; mãe; queenship; poder.2025
A Instrumentalização Política Das Representações Dos Godos Por Sidônio Apolinário (Século V Ec)Emílio Perez de MoraisSidônio Apolinário (c. 430-486 EC) foi um aristocrata galo-romano que viveu no período de desaparição do governo imperial no Império Romano do Ocidente e de conformação das monarquias romano-bárbaras que registrou sua percepção dos eventos e transformações desse tempo de “reconfiguração de mundo” na Gália meridional. Este trabalho se propõe a analisar a composição e os usos das representações dos godos no corpus literário de Sidônio. Para tal, as representações serão tratadas como elementos literários instrumentalizados politicamente em vista de certas estratégias perseguidas por seu autor. Segue-se então como hipótese norteadora da análise a compreensão de que as mudanças valorativas nas representações dos godos são produtos de adaptações políticas pessoais que visavam a sobrevivência política e a preservação social de seu autor por meio do estabelecimento de fronteiras identitárias.Sidônio Apolinário – Godos – Gália – Bárbaros – Representação2025
Entre palavras, fotografia e experimentações: por uma aula de história das sensibilidadesAdriel Agostinho dos Santos; Anna Vitória Souza PereiraConstruído inicialmente como uma sequência didática, o presente artigo busca trabalhar com conceitos importantes no Ensino de História, utilizando e desenvolvendo termos como memória, violência e banalidade do mal. Por meio de uma história comparada, será desenvolvido uma análise entre o Holocausto Brasileiro e o Holocausto Nazista, pontuando ressalvas necessárias utilizados nessa metodologia. Ao se tratar de uma temática sensível, o trabalho busca abordar de uma forma empática as complexidades e sensibilidades que abordam essas discussões. Tem-se como objetivo central, mobilizar discussões em torno da sociedade, e as construções que o descaso e a banalidade do mal podem acarretar, a produção de um material como os álbuns, busca complexificar o tema, inserindo os alunos dentro da proposta e desenvolvendo uma empatia social.Memória, Ensino de História, Holocausto2025

 


 

Tabela de Metadados – XL Semana de História UFJF – 2024

TítuloAutorResumoPalavras-chaveAno
CORRESPONDÊNCIAS COMO ARMAS DE COMBATE: DOM PEDRO I E CHALAÇA CONTRA O MALAGUETAMyriam Paula Barbosa PiresO período situado nos anos que antecederam a imprensa testemunhou o crescimento da imprensa de opinião no Reino do Brasil em contexto imediato pré-independência. O artigo apresentado contribui para tais estudos expondo e analisando a atuação do jornal "A Malagueta" em seu enfrentamento a outros veículos impressos que, por sua vez, apoiavam o projeto centralista do governo de Dom Pedro I. O jornal “A Malagueta” pertenceu a Luiz Augusto May e combateu veemente impressos (folhetos e periódicos) vinculados à ala governista, os quais pertenciam também a redatores de grande influência na sociedade da época. As fontes evidenciadas mostram um forte embate, que trouxeram uma tentativa de apagamento e desmoralização da imagem de Luiz Augusto May pelo grupo do novo Imperador, nos anos situados entre 1822 e 1824.imprensa - Luiz Augusto May - A Malagueta.2024
PARA QUE AMANHÃ NÃO SEJA KRONOS: REESCREVENDO OS TEMPOS PARA ADIAR OS FINS DOS MUNDOS.Ana Paula Candido; Lívia Carmanini BergoEntre as práticas de estudantes do sexto ano, como a defesa da exclusão feminina no sufrágio, e a atitude do educador que problematiza essas visões (Ferrari, 2022), surge o esgotamento e, ao mesmo tempo, a reinvenção. Esse cenário reflete a urgência deste trabalho, que busca não apenas expor esse exemplo, mas explorar formas de enfrentar a crise no Ensino de História, observada nas disciplinas 'Prática Escolar em Ensino de História I' e 'Ensino de História I'. Consideramos nossa posição como graduandas e futuras professoras diante de um sol laranja (Nóvoa, 2019). Utilizamos a análise de discurso e o estudo de caso como metodologias, fundamentando-nos em Chakrabarty, Krenak, Pereira, Torelly, Cubas, Albuquerque Júnior e Gabriel. Pensamos um Ensino de História que luta, como recitam Emicida, Pabllo Vittar e Majur em AmarElo (2019): 'Pra que amanhã não seja só um ontem com um novo nome'.Crise, Prática Escolar, Formação docente, Antropoceno.2024
Um passado ensimesmado: breves reflexões acerca das temporalidades hegemonizadas nas provas de História do PISMHiago Gonçalves Dias do Nascimento; Lavínia Renata de Oliveira TurquetiEste trabalho é um desdobramento do projeto de Iniciação Científica intitulado “Avaliação e Ensino de História: articulações entre cultura histórica e cultura escolar em processos de objetivação do conhecimento histórico escolar em instrumentos avaliativos”. A partir do acervo empírico construído, analisamos as temporalidades legitimadas pelas provas de História do Pism, aplicadas entre 2004 e 2023. Diante do predomínio de questões articulando apenas o passado em si, refletimos sobre os efeitos dessa operação, bem como sobre maneiras de potencializar as significações temporais produzidas no ensino de História e, mais especificamente, nas provas de História do Pism.Temporalidade; Ensino de História; Pism; Avaliação.2024
Gênero em “crise”: queerizando o Currículo de ensino de HistóriaLavínia Renata de Oliveira Turqueti; Jonas Augusto SilvaA partir da Lei nº 14.986/2024, a qual inclui a obrigatoriedade de abordagens fundamentadas nas experiências e nas perspectivas femininas nos conteúdos curriculares do Ensino Fundamental e Médio, buscamos colocar “em crise” os discursos produzidos sobre o passado e sobre as mulheres no ensino de História. Fundamentados em Krenak (2019), Foucault (2003) e Hartman (2020), problematizamos as formas apresentadas sobre ser mulher nas aulas de História, uma vez que apenas “incluir”, ou “apendizá-las”, não é o suficiente para a construção de um saber que subverta os referenciais de gênero que reforçam estruturas de opressão. Nesse contexto, apostamos no Currículo Queer como “paraquedas colorido”, dado que o processo de queerização curricular possibilita desestabilizar noções cristalizadas e, por meio desse movimento, imaginar formas de existir nunca antes imaginadas.ensino de História; Gênero e Sexualidade; crise; Currículo Queer.2024
Brasil República: 135 anos com 60 anos de democracia e 75 de autoritarismoMariana Silva BarbosaO presente trabalho tem como objetivo pensar os temas de Autoritarismo e Liberdade a partir de uma Sequência Didática para alunos do Ensino Básico, de modo que compreendam como a Democracia no Brasil é frágil e recente. Nesse sentido, é primordial que o sentido de aprendizagem seja de colocar em estado de suspensão aquilo que antes era visto como organizador do mundo, ou seja, pluralizar as narrativas em que apareçam sujeitos antes silenciados e esquecidos, como as mulheres. Assim, é importante conduzir a um Ensino de História que questione o modelo do sujeito histórico como homem, branco, católico e heterossexual, de maneira a pensar a agência de figuras que foram subalternizados e censuradas durante o Período Republicano brasileiro.Autoritarismo, Sequência Didática, Narrativas Plurais, Luta por Direitos, Mulheres.2024
"EFECTOS DEL PUNO TERRORISMO": AS HISTORIETAS COMO DISCURSO DE REPRESENTAÇÃO DA VIOLÊNCIA DITATORIAL NO PERU DO SÉCULO XXJúlia Luciana BarraA ditadura peruana (1968-1980) foi parte da onda de movimentos autoritários na América Latina no século XX. Diferente do habitual, tratando-se dessa temática, o país assistiu a reformas estruturais a níveis sociais. Essas práticas geraram um movimento de constante oscilação política, resultando no surgimento do Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) e do Sendero Luminoso, na tentativa de estabelecer uma direção a ser seguida no que diz respeito ao Estado e a sociedade peruana. Das políticas privatizantes de Alberto Fujimori, origina-se o Conflito Armado Interno, disputa entre o governo e esses dois grupos de guerrilha. O trabalho busca analisar de que forma as historietas, feitas por estudantes de uma das cidades mais afetadas pela violência desse período, Puno, retratam esse evento histórico.História da América, História do Peru. Ditadura Militar, Sendero Luminoso.2024
“NÃO CONSIGO RESPIRAR”: PERSPECTIVAS GERAIS SOBRE CRIMINALIZAÇÃO DE PESSOAS NEGRAS NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICAJoão Gabriel Emerenciano AmaroO presente artigo tem por objetivo analisar como se deu a criminalização de pessoas negras nos Estados Unidos da América (EUA), a partir da promulgação da 13ª Emenda da Constituição Americana, que garantiu o fim da escravidão no país da “Liberdade”, mas não assegurou o fim do trabalho forçado, principalmente entre os afro-americanos, sendo eles as principais vítimas do trabalho forçado no sistema carcerário norte-americano. Ainda, sobre este artigo, teremos como embasamento teórico algumas bibliografias que se debruçam a analisar o assunto referenciado e, como fonte de análise, teremos o documentário “A 13ª Emenda”, de Ava DuVernay, estreado pela Netflix, no ano de 2016, que faz uma análise geral sobre os desdobramentos da 13ª Emenda dos Estados Unidos da América para a comunidade negra norte-americana.Criminalização; Comunidade Negra; 13ª Emenda; Estados Unidos da América.2024
A Propaganda Anti-Espanha e a Reescrita dos Relatos sobre as Américas no Século XVIIIJúlia Delage Gomes SabinoDurante o século XVI, viajantes, clérigos e conquistadores espanhóis produziram grande parte dos relatos sobre as Américas, ao passo que, na Europa, produzia-se uma intensa propaganda anti-Espanha promovida por países dominados pela Espanha. Essa propaganda, que estereotipava os espanhóis como mentirosos, cruéis e incultos, continuou a influenciar a percepção europeia durante a Era Moderna. No século XVIII, uma das formas de repercussão da propaganda foi através das discussões historiográficas, nos quais os historiadores modernos questionavam a veracidade dos relatos espanhóis, perpetuando os estereótipos criados no século XVI. Em resposta, intelectuais espanhóis começaram a reescrever esses relatos, incluindo narrativas como a de Alvar Núñez Cabeza de Vaca, para defender uma imagem mais positiva da Espanha, contrapondo-se à propaganda desmoralizadora.Cabeza de Vaca; Conquista; relatos; propaganda; repercussões.2024
UMA ANÁLISE DA SOCIEDADE ARGENTINA A PARTIR DA OBRA “FACUNDO OU CIVILIZAÇÃO E BARBÁRIE” DE JOSÉ FAUSTINO SARMIENTOMariana Silva Barbosa; Raysa Rodrigues FerreiraO trabalho apresentado analisa a história da Argentina a partir do livro de José Domingos Faustino Sarmiento, o qual escreve a obra durante o seu exílio no Chile, devido uma perseguição do Caudilho Juan Manuel de Rosas em 1845. O político e escritor realizava denúncias da tirania do Governo Rosas que ocorreu de 1829 a 1832 e depois de 1835 a 1852. Esse governo é descrito como repleto de crimes, assassinatos e castração. Em contraposição, o Governo Novo (de Sarmiento) possuirá ideais de justiça, de respeito às opiniões diferentes, tendo clima de tranquilidade e de ordem, porém, um elemento de Moralização foi a Imigração Europeia. Dentro desse contexto, há a criação e o fortalecimento de um Mito de uma Argentina Branca fortalecida em 1870 no governo de Sarmiento, com a presença dos negros negada ou relativizada, gerando profundas invisibilidades.José Domingos Sarmiento, Caudilhismo, Imigração Europeia, Mito da Argentina Branca.2024
O Ventre Que Sangra: Maternidade, Violência e Resistência na primeira metade do séc. XIXAna Maria Duarte da CunhaO estudo da maternidade escrava no Brasil entre os séculos XVIII e XIX revela dinâmicas de opressão e resistência no contexto da economia escravocrata. As mulheres escravizadas eram exploradas como reprodutoras do sistema, especialmente pelo princípio do partus sequitur ventrem, que perpetuava a escravidão dos filhos. Contudo, a maternidade transcendeu a reprodução biológica, sendo também um espaço de luta, preservação cultural e fortalecimento comunitário. Apesar das adversidades, as famílias escravas mostraram-se resilientes, contrariando a visão tradicional de fragilidade. Práticas extremas, como o infanticídio, refletem formas de resistência às crueldades do cativeiro. O tema revela a complexidade das relações familiares e sociais na escravidão, evidenciando a maternidade como um foco de resistência cultural e de luta pela dignidade.Maternidade escrava, Família escrava, Resistência materna, Violência de Gênero.2024
Sendas Ilícitas: A natureza jurídica das ações régias e suas reverberações contra as comunidades ciganas durante o reinado de Dom José I (1750-1777)Arthur Assunção CostaEste trabalho visa analisar a natureza jurídica e os impactos das ações régias contra as comunidades ciganas durante o reinado de Dom José I em Portugal e na Capitania de Minas Gerais. A pesquisa busca entender a extensão dessas ações, conectando-as com as práticas sociais e administrativas do período. A hipótese é que a repressão cigana reflete um imaginário persecutório presente em legislações e petições, revelando redes de controle social. A Capitania de Minas Gerais, devido à sua importância estratégica, foi fundamental na implementação dessas políticas, refletindo as interações entre autoridades locais e a coroa. O estudo utilizará fontes como legislações, alvarás e correspondências políticas para construir uma narrativa detalhada sobre a perseguição aos ciganos, abordando o contexto sociopolítico do século XVIII e atualizando a historiografia sobre o tema.Ciganos; Império Português; Minas Gerais2024
“O Santo Sacrifício da Missa”: a importância do sufrágio das missas pela alma para salvação, durante o século XVIII.Thais do Nascimento GonçalvesO seguinte artigo, tem como objetivo analisar o modo como os manuais de bem morrer eram utilizados durante o século XVIII na preparação dos fiéis para uma morte santa, segundo os princípios católicos.Estes manuais de bem morrer, surgiram na Baixa Idade Média, com o intuito de oferecer orientações para uma morte adequada, considerada essencial na garantia da salvação, em um período que organizar-se para a morte era essencial, à vista disso, discutiremos as lições encontradas no manual “Mestre da vida que ensina a viver e a morrer santamente” , escrito pelo padre João Franco, em Portugal no início do século XVIII, ganhando novas reimpressões ao longo dos setecentos.salvação, boa morte, manual de bem - morrer, catolicismo.2024
Solo Sagrado: Coexistências religiosas na Guiné dos séculos XVI e XVIIKrislayne Mota MendesEste artigo tem como objetivo debater a coexistência religiosa existente na região onde hoje é a Guiné-Bissau, nos séculos XVI e XVII. Compreender o pluralismo religioso guineense resulta na valorização da diversidade e no reconhecimento dos agentes sociais locais. A partir da análise de Tratados dos viajantes Almada e Donelha, das cartas de Padres Jesuítas e dos registros orais da Crônica do Tarikh Mandinga de Bijni, buscou-se compreender como a constituição histórica do imaginário social local estava intrinsecamente ligada à coexistência religiosa. Mediante a coabitação e as interações entre as práticas locais e o Islã, surgiram dinâmicas socioreligiosas voltadas para a negociação e adaptação, devido aos interesses dos diferentes grupos, o que permitiu o exercício de múltiplas crenças em um mesmo espaço.Coexistência religiosa - Guiné - Islã - Crenças locais- Imaginário social.2024
ESCRAVIDÃO, MULHERES GUERREIRAS E UM GRANDE REINO: COMO O FILME “A MULHER REI” ABORDA UM DOS MAIORES REINOS AFRICANOS, O DE DAOMÉ?Adriel Agostinho dos Santos; Ana Paula CandidoDe acordo com Maia (2022), Daomé foi um dos maiores reinos africanos nos séculos XVIII e XIX, localizado no atual Benin. Sua interação com europeus, como franceses e portugueses, consolidou o reino como um importante ponto de embarque de pessoas escravizadas para as Américas, contribuindo significativamente para a formação populacional brasileira. O presente trabalho analisa o filme A Mulher Rei (2022), dirigido por Gina Prince-Bythewood, discutindo se ele colabora para o reconhecimento cultural de Daomé. Serão exploradas as relações do reino com europeus e outros africanos, além de seu papel nos grandes portos de escravizados. Utilizando fontes secundárias e revisão bibliográfica, busca-se compreender Daomé como um reino soberano, plural e organizado, superando a visão limitada à escravidão e avaliando como o filme reflete essa perspectiva.Reino de Daomé, Escravidão, A Mulher Rei.2024
O MUSEU MARIANO PROCÓPIO: NARRATIVAS DA HISTÓRIA REGIONALAnalice de Aquino VazO Museu Mariano Procópio, além de ser uma referência nacional com seu acervo importantíssimo sobre a História do Brasil, tem intrínseco em sua formação marcas da região ao qual está inserido. A família Ferreira Lage e a construção do Museu são partes essenciais na História de Juiz de Fora, que deve ser mais explorada e difundida nos ambientes de produção e divulgação de conhecimento da cidade. O presente trabalho possui por objetivo agrupar e analisar as narrativas acerca da História Regional a partir do acervo do museu, considerando a gestão da diretora Geralda Armond, (1944-1980) a formação da “Sala Juiz de Fora”, os pintores juizforanos e coleções como a Pantaleone Arcuri e Carriço Filme.Museu; História Regional; Museu Mariano Procópio; Narrativa museológica;2024
CONVERGÊNCIAS ENTRE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E METODOLOGIAS DE ENSINO DE HISTÓRIA.Ana Lívia de Almeida Oliveira Rocha; Isabella Gontijo da SilvaDiante das transformações ocasionadas pela inserção de novas tecnologias digitais na educação, o presente trabalho tem por objetivo identificar a influência e os modos como a Inteligência Artificial, especialmente o ChatGPT, pode ser empregada na aprendizagem dialógica entre professor e aluno dentro do ensino de História. Nesse sentido, baseia-se, metodologicamente, na análise e no levantamento sobre a literatura acadêmica existente junto à elaboração de novas atividades e planos didáticos desenvolvidos e empregados no ensino básico, especificamente no Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais. Assim, visa, com base nos resultados obtidos, à observação crítica dos limites e das possibilidades de uso da Inteligência Artificial dentro de sala bem como a extensão destes conhecimentos para os demais professores da rede municipal belo-horizontina.Inteligência Artificial - ChatGPT - Ensino de História.2024
“HARRIET: O CAMINHO PARA A LIBERDADE”: UMA HISTÓRIA QUE PRECISA SER CONTADAAna Luísa Silva VianaEste artigo tem como objetivo analisar o filme “Harriet: O Caminho para a Liberdade”, trazendo os aspectos gerais sobre a produção e lançamento da obra, tal como informações acerca da diretora Kasi Lemmons e sua trajetória artística. Ademais, as cenas e narrativas do filme são divididas em dois tópicos para serem analisadas e problematizadas: “De Minty à Harriet” e “Harriet- a condutora”. Por fim, apesar de suas limitações, a obra cinematográfica é defendida como potente recurso nas aulas de História na Educação Básica.Escravizados; Liberdade; Ensino de História; Narrativas.2024
A BANDEIRA DA RÚSSIA: A AMÁLGAMA DE SÍMBOLOS NACIONAIS EM CONSTANTE REAPROPRIAÇÃOLucas CastroEste artigo, utilizando registros marcantes da simbologia nacional russa como ponto de partida, pretende analisar esses símbolos e desenvolver uma linha de pensamento sobre a evolução e os diversos usos que eles possuem para a construção de uma identidade nacional na Rússia, tanto no período pré-soviético quanto no pós-soviético. O artigo também analisará o resgate e a reinvenção desses símbolos em um contexto contemporâneo, considerando o uso deles como instrumentos de mobilização social na atual conjuntura política da Federação Russa.Rússia, Símbolos nacionais, Nacionalismo, Pós soviético2024
O TRIUNFO DA TERCEIRA REPÚBLICA FRANCESA ATRAVÉS DO DAVID DE MERCIÉRhayla Giovana dos Reis SilvaO presente artigo tem como cerne a hipótese de que a escultura “David” de Antonin Mercié representa uma alegoria ao triunfo da Terceira República Francesa. Essa interpretação estaria alicerçada em dois principais pilares: o primeiro se refere ao fato de que o herói bíblico Davi era frequentemente representado como uma referência a República, além disso, o segundo pilar se refere ao fato de que o escultor francês demonstrou estar engajado com o contexto político da época, ademais, é significativo o fato de o próprio governo republicano francês do período ter encomendado o David de Mercié durante os primeiros anos de sua vigência. Além disso, busca-se narrar, de maneira alegórica a escultura, a história da queda do império de Napoleão III (Golias) e da ascensão da Terceira República Francesa (David).Antonin Mercié; David; Terceira República Francesa; Guerra Franco Prussiana; Museu Mariano Procópio.2024
JUVENTUDES EM MOVIMENTO: UNIÃO DA JUVENTUDE SOCIALISTA (UJS) UMA ORGANIZAÇÃO QUADRAGENÁRIAEstefanie Ianna Lima RODRIGUES; Samuel FONTAINHA do NascimentoA vida acadêmica é entendida por pesquisadores(as) que nem Marialice Foracchi (1965), como o caminho que mantêm, aquelas pessoas que ainda não estão no mercado de trabalho, inseridas no contexto social e em processos de formação. A participação de estudantes no Movimento Estudantil (ME) também é vista por estudiosos como meio para participação ativa na vida política, não necessariamente algo partidário, mas no sentido completo da palavra. O presente trabalho tem por objetivo debater a atuação de uma das frentes do M.E, a União da Juventude Socialista (UJS), que em 2024 completa quatro décadas de existência ininterrupta no país. Na busca pela compreensão do caminho ou parte dele, nos valemos da análise documental (Souza, Giacomoni. 2021). Também mobilizaremos o debate sobre juventude (Priore, 2022), e os estudos sobre movimento estudantil (Dias, Mariana, 2019).Juventude - Movimento estudantil - história - União da Juventude Socialista2024
A REFLEXÃO DO ROTEIRO DESCRITIVO DA VIDEOAULA: CAIS DO VALONGO NO RIO DE JANEIRO, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA UNESCOArlindo Aparecido de CarvalhoO objetivo é apresentar uma análise do Roteiro Descritivo escrito para a elaboração da videoaula “Cais do Valongo no Rio de Janeiro, Patrimônio Mundial da UNESCO: história e memória da diáspora africana” diante de uma reflexão da forma como se desenvolveu esse processo. Na primeira parte veremos o problema e as hipóteses, e em seguida na segunda parte o mapeamento do aporte teórico-científico e o recurso didático. Logo, busco trazer nas análises deste processo de elaboração do roteiro da videoaula os debates sobre o Cais relacionados ao campo do patrimônio cultural, o conhecimento histórico e a memória africana.Cais do Valongo; Patrimônio Mundial; Memória.2024
A CIDADE COMO ESPAÇO EDUCATIVO: TERRITÓRIO DE MEMÓRIA, RESISTÊNCIAS, CULTURAS E EDUCAÇÃO DOS SUJEITOS LGBTQIA+Jonas Augusto Silva; Anderson FerrariA pesquisa busca traçar um panorama dos rastros deixados pela população LGBTQIA+ na cidade de Juiz de Fora. Com isso, entendendo a cidade como espaço educativo, propomos pensar como os espaços de sociabilidade, memória e resistência desses grupos subalternizados se conectam na constituição dos sujeitos e seus olhares para a cidade. Assim, temos como foco a investigação sobre as redes de sociabilidade e de resistências que as pessoas LGBTQIA+ conseguiram construir ao longo dos anos na cidade de Juiz de Fora, considerando que essa construção da história pública de ocupação na cidade diz de um processo político em torno da constituição de si como pertencentes às identidades sexuais marginalizadas.Memória; Cidade; História; LGBTQIA+; Gênero e Sexualidade.2024
«Cérebro de homem, corpo de mulher, coração de criança»: A construção do modelo de feminidade do integralismo brasileiro pela imprensa (1935-1937)Lledó Magnieto VenturaA presente proposta tem por objetivo apresentar uma primeira aproximação à construção do modelo de feminidade nas principais revistas do partido fascista brasileiro conhecido como Ação Integralista Brasileira (AIB): Anauê! e Brasil Feminino. Ao igual que outros fascismos do período entreguerras, o integralismo buscou agrupar a toda a população brasileira e moldar a sociedade com base em seus princípios. Assim, nosso objetivo é focar nas políticas de gênero do movimento, e especificamente, nos discursos que visam a criar um modelo ideal de mulher. Acima de tudo, estamos interessados na suposta contradição no discurso das afiliadas integralistas, que tem sido apontada na historiografia do integralismo.fascismo brasileiro, gênero, feminidade, blusas verdes, imprensa integralista.2024
Contra a Degeneração dos Corpos Femininos: A Trajetória Política e Intelectual de Amparo Poch y Gascón, Médica Libertária na Guerra Civil Espanhola (1936-1938).Luana Fernandes PimentelA pesquisa analisa as contribuições de Gascón para a discussão sobre saúde e direitos das mulheres trabalhadoras, especialmente no contexto da Guerra Civil Espanhola. Através da análise de seus escritos publicados em periódicos anarquistas, busca-se compreender como ela denunciou o impacto do patriarcado na saúde feminina e como suas ideias circularam em um contexto revolucionário. Utilizando a perspectiva da história das mulheres e da micro-história, este estudo evidencia as discussões historiográficas do período explorando a interseccionalidade entre gênero, classe e saúde na historiografia sobre a Guerra Civil Espanhola.Amparo Poch y Gascón, Saúde da Mulher, Guerra Civil Espanhola, história das mulheres.2024
Viver é lutar: a militância de Estrella BohadanaMaria Clara Bandeira Ortiz de CarvalhoEsta pesquisa tem por objetivo principal analisar a trajetória da militante Estrella D'alva Benaion Bohadana que aderiu à Organização Política Operária (POLOP) entre os anos de 1969 e 1973. Estudante de arquitetura, encabeçou a articulação de um importante movimento de resistência à ditadura militar brasileira na região do Sul Fluminense e em São Paulo, fatos esses que a fizeram ser duas vezes presa e vivenciar uma violência bárbara por ação do Estado. A reflexão foi desenvolvida a partir da interseção entre os campos da História Política, História das Mulheres e Estudos de Gênero. Para tal, foram utilizadas documentações oficiais, depoimentos orais e literatura especializada.mulheres; ditadura militar; Volta Redonda; repressão;2024
VIÚVAS NO SÉCULO XIX: POTENCIALIDADES DE PESQUISA NO ARQUIVO CENTRAL DA UFJFAmanda de Carvalho FonsecaEste trabalho tem como objetivo levantar algumas possibilidades de pesquisa em fontes encontradas no arquivo permanente da Universidade Federal de Juiz de Fora a fim de contribuir para o preenchimento de lacunas históricas a respeito da história das mulheres viúvas no século XIX no Brasil. Para isso, busca-se apontar trechos de documentos, principalmente de inventários e testamentos, mas também de processos de outra natureza, que exemplifiquem sua situação social, sua agência histórica e a dinâmica de suas relações.Viúvas. Século XIX. Brasil. Arquivo Central/UFJF.2024
SUBVERSÃO E REALIDADE: AS MULHERES EM PARQUE INDUSTRIAL (1933), DE PATRÍCIA GALVÃOGabriela Rodrigues de AlmeidaO presente trabalho apresenta uma análise das personagens femininas no romance proletário Parque Industrial (1933), de Patrícia Galvão, popularmente conhecida como Pagu, uma figura central na luta pelos direitos das mulheres durante a primeira metade do século XX no Brasil. A obra ambienta-se no bairro paulistano do Brás, em São Paulo, um dos principais centros operários do país, retrata o cotidiano de operários e operárias em um ambiente industrial hostil, onde a exploração capitalista e as desigualdades de gênero e classe definem as condições de vida das personagens femininas, especificamente. Pagu insere, assim, a figura da mulher operária no centro do discurso literário e político, desafiando o modelo patriarcal que relegava a mulher ao espaço doméstico e invisibilizava seu papel nas lutas de classe.História; Literatura; Gênero; Patrícia Galvão.2024
A PRESENÇA FEMININA EM RITUAIS DE PAJELANÇA E NO USO DA FEITIÇARIA EM BELÉM (1890-1897)Hanna Ingrid Pororoca LeiteDiante do novo ideal modernizador impulsionado pela República na cidade de Belém, tornou- se necessário que o poder público transformasse a capital paraense, proibindo atividades consideradas irregulares e repelindo práticas baseadas em crenças empíricas, em prol de uma ciência comprobatória. Este trabalho tem por objetivo analisar como a presença feminina era vista nos rituais de pajelança e na utilização de feitiços de proteção e vingança, considerando que tais práticas eram vistas como pertencentes a pessoas ingênuas e atribuídas a grupos marginalizados. Assim, o discurso direcionado às mulheres possuía um tom punitivo e condenatório, pois elas desafiavam o modelo civilizatório imposto, acarretando para sua imagem sentenças de abandono, inconformidade e desespero.Gênero; feitiçaria; pajelança.2024
“Nosso jornal é a nossa ponte”: a construção coletiva da lesbinidade política nas páginas do boletim ChanacomChana (1981-1987)Jessica Marques ToledoEste trabalho tem como objetivo proporcionar uma reflexão sobre o processo de construção de uma pesquisa historiográfica sobre mulheres lésbicas. A partir das fontes documentais sobre as articulações políticas de lésbicas na década de 1980, em São Paulo, irei traçar algumas observações que surgiram mediante ao contato inicial com as fontes, e assim, pensar os caminhos possíveis para uma análise historiográfica. Para isso uso como fonte as 12 edições do Boletim ChanacomChana criadas no período de 1981-1985, pelo Grupo de Ação Lésbica Feminista. Entendo o Boletim ChanacomChana como fato inaugurador de uma expressão da lesbianidade política e de um lesbofeminismo naquele período.Imprensa Lésbica; ChanacomChana; Lesbianidade; História das mulheres2024
JANUÁRIA: QUEM FOI ESSA MULHER OCULTA NA REGÊNCIA E NO GOLPE DA MAIORIDADE?Rhayla Giovana dos Reis SilvaA presente pesquisa está inscrita na metodologia da História Social da Política e vai de encontro as concepções defendidas pelo segmento da História das Mulheres, e procura evidenciar que, no palco da História do Brasil Império que se consolidou, a Princesa Dona Januária permaneceu, durante muito tempo, atrás das cortinas, invisível na narrativa e silenciada nos arquivos, enquanto, na verdade, seu nome ocupava o centro dos debates da imprensa e do parlamento, sobretudo no recorte temporal adotado, nos anos de 1835 a 1840. Nesse sentido, a hipótese defendida está alicerçada na ideia de que, pensar na presença da esquecida irmã de D. Pedro II, transforma a maneira de enxergar o Golpe da Maioridade.Princesa Dona Januária; Regência; Golpe da Maioridade; Imprensa.; História das Mulheres.2024
Mulheres Negras no Brasil setecentista: Outras formas de subsistência no pós liberdade que não fora seus corposAdriel Agostinho dos Santos; Davy Mariano IzidoroEste artigo busca analisar mulheres negras no Brasil setecentista, observando sua dinâmica de subsistência, posteriormente ao conseguir seu status de forra. Nessa perspectiva, buscamos retirar a imagem da mulher negra liberta, apenas como prostituta ou passiva na sociedade. O auge da mineração e dos diamantes em Minas Gerais e a grande quantidade de mulheres negras forras, principalmente na capitania mineira, serão pano de fundo para o desenrolar dessa argumentação. O presente trabalho utilizará em grande medida de fontes secundárias, para analisar e recriar trajetórias de mulheres negras, desde suas alforrias até a manutenção do seu status como libertas.Mulheres negras, libertas e mobilidade social2024
Lésbicas em Juiz de Fora: trajetórias de mulheres em busca de liberdadeJoyce Mirella Alves de Souzao presente artigo tem por objetivo fazer uma reflexão inicial sobre alguns marcadores que atravessaram a experiência lésbica em Juiz de Fora entre 1998 e 2024. Farei esse movimento a partir das observações, perguntas e inquietações que tive no primeiro contato com as minhas fontes de pesquisa, que são, exclusivamente, fontes orais. Sendo assim, meu propósito é realizar tensionamentos e reflexões em torno das primeiras entrevistas realizadas com mulheres lésbicas que vivem ou já viveram em Juiz de Fora no contexto em questão.sociabilidade lésbica, lesbianidade política, relações familiares, marcadores de classe e raça.2024
Histórias Singulares em Processos Judiciais: Os Usos da lei como Subalternização de Corpos NegrosLilian Alexandra Santos PintoEste artigo explora o uso de processos judiciais como fontes para analisar a trajetória de corpos negros, destacando a relação ambígua com as leis ao longo da história. Enquanto algumas reivindicações foram acolhidas, a legislação também perpetuou estruturas opressivas vinculadas ao colonialismo. Os corpos negros, ao adentrarem os espaços de poder, utilizaram estratégias para mobilizar os mecanismos jurídicos a seu favor, influenciando a estrutura da justiça não só na África, mas também no Brasil e no mundo. A análise dos processos judiciais africanos serve como ponto de partida para compreender as conquistas da população negra, mesmo em contextos de legislação opressora, e revela como esses processos ajudaram a moldar a justiça em diferentes contextos históricos e geográficos.História da África - Direito Africano - Historiografia do Crime2024
Infâncias silenciadas: o olhar audiovisual sobre a ditadura civil-militar brasileiraJuliana Silva de SiqueiraA presente comunicação é fruto de uma pesquisa de Mestrado voltada para a reflexão sobre o dever de memória para com a geração dos filhos de guerrilheiros e perseguidos políticos durante a ditadura civil-militar brasileira. A partir das representações do período ditatorial que emergiram nas últimas décadas, esta pesquisa analisa a perspectiva da infância nesse contexto, utilizando duas obras audiovisuais como fonte: o filme O ano em que meus pais saíram de férias (2006) e o documentário 15 Filhos (1996). O trabalho propõe uma análise da interseção entre cinema, usos do passado na esfera pública e as memórias da infância durante a ditadura ao investigar as contribuições das obras para o debate sobre as "hierarquias de memórias" (Perlatto, 2023) relacionadas ao passado ditatorial brasileiro e o papel do audiovisual na construção de significados históricos.Infância. Audiovisual. Ditadura Civil Militar. Hierarquia de Memórias.2024
POLÍTICA, CARTAS E REPÚBLICA: A TRAJETÓRIA DE CÍCERO E A CONSTRUÇÃO DE SUA PERSONA POLÍTICA NA ADMINISTRAÇÃO DA CILÍCIA (51 – 50 A.C.)Davi Santos BarrosCom o presente artigo, pretendo tratar da atuação política de Marco Túlio Cícero na fase final da República romana. Em termos específicos, nosso propósito será discutir como Cícero, durante o período em que exerceu o governo da província da Cilícia, na Ásia Menor, entre 51 a.C. e 50 a.C., utilizou seu mandato como plataforma para fortalecer sua posição na cidade de Roma, bem como apresentar sua persona política, escrevendo epístolas que falavam de si e exaltavam ou reforçavam seus feitos. Para tanto, tomaremos, como fonte textual, o epistolário de Cícero, em especial as cartas que escreveu aos seus amigos e políticos. No que diz respeito ao aporte teórico-metodológico, mostrarei o conceito de persona política, formulado por Renata Lopes da Silva (2013).Cícero; República romana; Epistolografia, Política; Persona2024
“NAQUILO QUE VOCÊ VÊ, VOCÊ NÃO VÊ”: O DETALHE COMO ÍNDICE E INTENÇÃO NA PRAÇA TIRADENTES DE DALL’ARAJoyce da Costa PeixotoConcebida como arte documentária, a obra “Praça Tiradentes (com o restaurante Stadt München)” (1906), de Gustavo Dall’Ara, é aqui analisada considerando-se a interação entre a agência do pintor e o olhar do espectador. Por meio da análise iconográfica e iconológica, propõe-se uma arqueologia dos sentidos de modo a evidenciar como cada detalhe contribui para tecer possíveis narrativas acerca do antigo Largo do Rocio. Mobilizando as sociabilidades, os modos e as modas, as tecnologias emergentes, entre outras questões latentes na imagem, suas minúcias insurgem na visão como índice e intenção, resvalando um Rio repleto de contradições.Pintura, Detalhes, Sentidos ocultos, Belle Époque carioca, Gustavo Dall’Ara.2024
HISTÓRIA E IMAGINÁRIO URBANO: AS ESTÁTUAS EM SÃO JOÃO DEL-REIKaren Faria ArantesO texto tem como objetivo analisar o papel das estátuas em São João del-Rei como elementos da memória coletiva e do imaginário urbano. Ele explora como esses monumentos refletem dinâmicas históricas, sociais e culturais, considerando sua localização estratégica, os grupos sociais representados e os contextos simbólicos de suas inaugurações. Além disso, discute o impacto das estátuas na construção da identidade urbana e na reafirmação de narrativas específicas ao longo do tempo, destacando também as desigualdades e exclusões na representação pública.Estátua; imaginário urbano; patrimônio.2024
CARTOGRAFIA HISTÓRICA E A ANÁLISE ICONOGRÁFICA NOS MAPAS: REPRESENTAÇÕES E INTENCIONALIDADES NOS MAPAS HISTÓRICOSKasonga Ngoyi JonathanO presente artigo tem como objetivo destacar a importância da análise iconográfica, isto é, da análise detalhada das imagens presentes nos mapas, para o campo da cartografia histórica e historiografia. Como afirma J. B. Harley, os mapas não buscam ser meros reflexos passivos do mundo, logo não podemos observar as imagens e informações destacadas nos mapas e compreendê-los como detalhes meramente decorativos, pois possuem intencionalidades e objetivos em sua elaboração. Sendo assim, a primeira parte do artigo aborda a cartografia histórica, sobretudo, a importância da análise iconográfica. No que diz respeito à segunda parte, destacaremos uma abordagem prática analisando o mapa “Imperial Federation, map of the world showing the extent of the British Empire in 1886”, de 1886, elaborado por John Charles Ready.Cartografia Histórica; Mapas; Análise Iconográfica; Imagens; Imaginário.2024
ACIMA DA VOZ DO CAPELÃO: DUAS VIRTUDES OU OUTRA ICONOGRAFIA?Marcos Luan Cosme BarbosaNeste artigo, buscamos olhar para duas esculturas localizadas sobre os púlpitos da capela dos irmãos do Rosário dos Pretos em São João del-Rei. Em uma das esculturas, que julgamos representar a Fé, a figura aparece abraçada a uma cruz, e a outra figura tem em suas mãos um ramo com Lírio, julgamos representar a Pureza. Ambas as alegorias são representadas como figuras angélicas. Neste trabalho optamos por utilizar o método desenvolvido por Erwin Panofsky formulado para estabelecer o significado das obras de arte, com base num percurso de três etapas ou níveis de significado, sendo eles, o nível pré-iconográfico, o nível iconográfico e o nível iconológico. O fato de as esculturas estarem apresentadas com asas pode, de acordo com nossa percepção, ligá-las às gravuras de Arma Christi, bastante difundidas no em Minas Gerais e que provavelmente influenciaram o pintor Manoel Victor de Jesus em dois de seus forros pintados. O objetivo principal do trabalho é discutir sobre a iconografia ali apresentada e afirmada como alegorias da Fé e da Pureza.Iconografia; História da Arte; Rosário; Alegorias.2024
IRMÃ, SURPREENDIDA! - UMA ANÁLISE DE PARA MINHA IRMÃ! (À MA SOEUR!, 2001)Mel Graco Fonseca DuarteEste trabalho propõe-se a analisar o filme Para minha irmã! (À ma soeur!, 2001), directed por Catherine Breillat, a fim de reconhecer as estratégias presentes na obra que obliteram o prazer escopofílico do espectador e a importância do olhar voyeurístico da personagem Anaïs nessa mediação, traçando uma comparação com a narrativa teorizada por Rosalind E Krauss (1967) em sua análise do quadro A ninfa surpreendida (La ninfa sorprendida, 1861), de Édouard Manet.Cinema; espectatorialidade; corpo; Catherine Breillat; regimes de olhar; voyeurismo.2024
A prudência prática conservadora em contramão à pujança do capital especulativo no início do séculoDébora Alves de AbreuO presente trabalho se propõe a apresentar brevemente o perfil de atuação do Banco de Crédito Real de Minas Gerais SA no contexto dos primeiros anos do século XX, a fim de demonstrar como a sua posture com um viés econômico conservador atenuou, em certa medida, os impactos e as incertezas que a ascensão e difusão do capital especulativo causaram no período em questão. Para isso, serão utilizados os relatórios produzidos pelo Banco entre os anos de 1916 e 1932 disponíveis no Museu do Crédito Real em Juiz de Fora.Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Crédito; Capital Especulativo; República; Zona da Mata Mineira.2024
A Estrada do Carangola e a ocupação da região da Serra de Arrepiados, Zona da Mata mineira, século XIXLuís Fernando Ribas FreitasO presente trabalho tem por objetivo relacionar a construção de uma estrada que cortava as regiões central e norte da Zona da Mata mineira ao surgimento das primeiras povoações nos entornos da Serra de Arrepiados (atual Serra do Brigadeiro). Construída para fins de consolidar o povoamento da região da Serra de Arrepiados, que integrava as ditas “áreas proibidas”, a referida estrada servia para a passagem de gado e ligava a região mineradora da província mineira à província do Espírito Santo. Utilizando-se de um croqui da época com a referida estrada, e de Correspondências Oficiais, além de assentamentos de óbitos o presente trabalho uma perspectiva que relaciona a construção dessa estrada ao povoamento de áreas no entorno da Serra de Arrepiados e ao surgimento dos primeiros povoamentos da região.Estrada do Carangola, Zona da Mata Mineira, Serra de Arrepiados.2024
“HOMENS-BONS” OU OS ELEITOS DA NAÇÃO: ELITE E CULTURA POLÍTICA NA PARAHYBA OITOCENTISTA (1840-1870)Marcelo Alves da NóbregaO objetivo principal deste trabalho é discutir e analisar uma geração de bacharéis da província da Parahyba que foram para Pernambuco entre as décadas de 1840 a 1870 cursar a Faculdade de Direito de Recife e a sua atuação na estrutura política local e do Império. Na composição desse trabalho é adotada uma análise documental da lista geral dos bacharéis que tenham obtido o respectivo grau na Faculdade de Direito de Recife, bem como uma análise da participação política de bacharéis parahybanos na estrutura política do Império por meio de documentações oficiais.Brasil Império; Paraíba Imperial; Bacharéis; Elite Política; Cultura Política.2024
Gênero, Violência e o Silenciamento da Mulher: Criminalidade e Conflitos na Comarca de Carangola (1876 A 1900)Patricia de Oliveira Guerra Radsack Corrêa; Randolpho Radsack CorrêaO presente artigo tem por finalidade analisar uma parcela do contexto criminal envolvendo mulheres na região de Santa Luzia do Carangola, nos anos finais do Oitocentos, relacionando o debate dos processos criminais com obras ministradas na disciplina “Sociedade e economia: o sudeste brasileiro”. Temos a intenção de analisar o contexto criminal envolvendo mulheres na transição do Império para a República na Comarca de Carangola, especificamente entre os anos de 1876 e 1900. Tal lacuna se constituiu ao analisarmos em nosso trabalho de mestrado o baixo índice de condenações de crimes praticados contra mulheres na implantação da Justiça na referida região. Com isso, constatamos a significativa atuação de mulheres nos embates judiciais, seja na qualidade de vítima ou rés.Mulheres; Criminalidade; Zona da Mata; Carangola.2024
O Processo Crime e suas narrativas sociais: metodologias micro-históricas e as abordagens de estudo em fontes criminais do Império BrasileiroRandolpho Radsack Corrêa; Patricia de Oliveira Guerra Radsack CorrêaO presente trabalho tem o objetivo de realizar uma análise sobre o processo criminal enquanto fonte histórica para os fins do século XIX. Este tipo de fonte é um importante aliado no resgate das relações sociais, dos conflitos, das transformações e do desenvolvimento regional. Com base nas referências que iremos apresentar e com os documentos que serão destacados nesta pesquisa, tentaremos demonstrar que, os arquivos criminais podem ser um recurso de grande valia para a investigação de parcelas e fragmentos do cotidiano e dos micro-contextos de determinadas populações. Por vezes esquecidas nos acervos históricos, os processos criminais podem descrever em seus autos uma série de atividades relacionadas às sociedades, integrando homens livres e escravizados de diversas condições socioeconômicas com a população no fim do Oitocentos.Criminalidade, Cotidiano, Fontes.2024
Cruzamentos religiosos na América portuguesa: calundus coloniais e a crioulização interafricana nos séculos XVII e XVIIIJoão Paulo Mendes AndradeOs rituais dos calundus se constituíam em aglutinações de práticas religiosas originárias da África central. No Brasil colonial eram praticadas principalmente na Bahia e Minas Gerais. Nesses rituais era comum o uso de instrumentos de percussão, invocação de espíritos, possessão, adivinhação e busca pela cura de feitiços e doenças. As relações entre esses regimes culturais serão demonstradas através de uma análise em uma denúncia inquisitorial, interpretada a partir das representações que envolviam diferentes etnias banto, os bakongo e ambundu. Essa pesquisa se justifica através de uma valorização macroétnica banto, o que demonstrará resultados evidenciados por particularidades religiosas microétnicas entre essas populações, contribuindo assim, para o esclarecimento sobre as culturas centro-africanas no período pesquisado.Crioulização; Afrocentrismo; Diáspora atlântica; Bantos; Calundus.2024
Mito da Argentina branca: o apagamento de contribuições negras e indígenasDavy Mariano IzidoroEste artigo busca analisar como que se construiu a percepção de uma Argentina racialmente homogênea (branca), desconsiderando a participação de indigenas e negros nos processos de Independência da nação. Ademais, aborda acerca do processo de imigração européia em meados do fim do século XIX e início do século XX, no qual mais de 4 milhões de imigrantes se instalaram no país.Sendo nesta perspectiva, desenvolto possíveis motivos para a diminuição da população indígena e negra no país.Isso, em um contexto de políticas supremacistas brancas que justificaram a civilidade ao progresso do homem branco da cidade, sobre extensas áreas já povoadas.Entretanto, chamadas de deserto.Indígenas, negros, imigrantes, civilidade, deserto.2024