A metodologia da INVESTIGAÇÃO DIALÓGICA articula-se a partir de dois eixos básicos. O primeiro está relacionado à aquisição do conhecimento, às habilidades de aprender a conhecer e aprender a fazer como, por exemplo, a capacidade de abstração, de raciocínio, de inferência, de sistematização, de conceituação, de argumentação, da criatividade, da curiosidade, da iniciativa, de observação, de analise, de reflexão, de pensar o todo, de projeção, de planejamento etc. O segundo eixo está relacionado às habilidades de convivência e auto-conhecimento, ou seja, do aprender a ser e do aprender a conviver. São exemplos desses tipos de habilidades: relacionar-se com o diferente, criticar, trabalhar em equipe, saber ouvir, aceitar críticas, auto-estima, autocontrole, autonomia, autotelia etc.
Mas como trabalhar essas habilidades e competências? Certamente, não será, nas palavras de Paulo Freire, de forma “narrativa e dissertativa” (FREIRE, 1974), ou seja, com o professor dissertando sobre auto-estima, raciocínio, argumentação, ou ainda, com o aluno fazendo “pesquisa” sobre tais temas, recortando jornais e revistas com pessoas felizes, bem sucedidas etc.
Uma metodologia que propõe desenvolver capacidades e habilidades como as indicadas acima se faz com um aluno sujeito do processo de aprendizagem, ou seja, é o aluno que vai raciocinar, investigar, inferir, relacionar-se etc. Para tanto a investigação dialógica propõe uma transformação radical nas concepções de conteúdo, de sala de aula, de professor e de aluno.
O conteúdo, nessa metodologia, não é um conjunto de saberes que o professor irá passar no quadro de giz para o aluno copiar. O conteúdo é entendido — no diálogo investigativo — como habilidades a serem desenvolvidas. Os recursos didáticos (textos escritos, figuras, músicas etc.) são meios para alcançar os objetivos da metodologia: o desenvolvimento de habilidades.
A sala de aula deverá mudar, primeiramente, a sua estrutura física. Ela não será um ambiente circunscrito a quatro paredes com os alunos dispostos linearmente uns atrás dos outros em frente a um quadro de giz. Ela deverá ser um ambiente que possibilite a investigação, o diálogo, a construção coletiva de saberes.
O professor compartilhará saberes e experiências no sentido de auxiliar na construção do conhecimento. Ele será, juntamente, com os seus alunos, um investigador, um companheiro de percurso e não um intermediário de saberes já construídos e sedimentados.
Por outro lado, o papel do aluno deixará de ser o daquele indivíduo que escuta a aula, anota as informações e faz prova. Ele será sujeito no processo de aprendizagem. Ele planejará as ações para alcançar o conhecimento, executará e, ao final do processo, avaliará — juntamente com o professor — o quanto elas foram adequadas, o quanto elas responderam às expectativas.
Afirmamos que não estamos falando do tipo de aula tradicional, do palavrório, da aula copiada, mas de um programa que desenvolve habilidades de aquisição de conhecimento, auto-conhecimento e convivência.