Fechar menu lateral

UFJF leva a educação para o centro do debate sobre cidades resilientes no evento Cidades Protegidas 26

Representando a Universidade Federal de Juiz de Fora e o Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região, o Pró-reitor de Inovação, Fabrício Campos, participou do lançamento do projeto “Cidades Protegidas 26”, do SINCOR-MG, realizado nesta quarta-feira na cidade.

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) participou, nesta quarta-feira (12), do lançamento do projeto “Cidades Protegidas 26”, iniciativa do Sindicato dos Corretores de Seguros de Minas Gerais (SINCOR-MG) que percorrerá diversas regiões do estado ao longo do ano, reunindo poder público, setor produtivo, instituições de ensino e sociedade civil em torno da resiliência das cidades mineiras.

No debate da manhã, o pró-reitor de Inovação da UFJF, professor Fabrício Campos, deslocou a discussão do campo dos instrumentos de resposta para o da formação. Para ele, a contribuição própria da universidade pública nesse tema não é operacional, mas formativa e social: produzir conhecimento sobre o risco, formar profissionais e cidadãos capazes de interpretá-lo e devolver esse saber à comunidade que sustenta a instituição.

“Uma cidade resiliente não se constrói apenas com obras e contratos. Ela se constrói com pessoas que compreendem o território em que vivem. Pesquisa, ensino e extensão são as ferramentas de redução de risco mais duradouras que uma sociedade pode ter.”

 

Dois dos nove verbos são verbos de educação

Comentando o material apresentado pelo SINCOR-MG, que organiza a proteção em três tempos — antes, durante e depois de um evento crítico —, o pró-reitor chamou atenção para um detalhe da própria metodologia: entre as nove ações que compõem o ciclo, duas são pedagógicas. Educar aparece na etapa de planejamento e preparo; aprender, na etapa de recuperação e evolução.

“O ciclo começa e termina na aprendizagem. No meio está a emergência, que é a parte visível. Mas o trabalho decisivo é o invisível: o que se faz nos anos anteriores e nos anos seguintes. Esses dois extremos são território da universidade.”

A síntese do próprio projeto, de que toda crise deixa como herança perdas ou aprendizado, foi apontada por ele como o ponto de encontro entre a agenda do setor e a missão acadêmica. Transformar experiência em conhecimento sistematizado, registrado e transmissível, observou, é precisamente aquilo que uma instituição de ensino e pesquisa faz.

 

Resiliência como capacidade coletiva

O pró-reitor recorreu ao conceito contemporâneo de resiliência urbana, entendido não como a capacidade de simplesmente resistir a um evento extremo, mas como a capacidade de uma comunidade de absorver o impacto, adaptar-se a ele e transformar-se a partir da experiência — perspectiva consolidada em marcos como o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres (2015–2030), a campanha Making Cities Resilient 2030 (MCR2030), da UNDRR, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11, das Nações Unidas, e, no Brasil, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei 12.608/2012), que atribui explicitamente à educação um papel na prevenção de desastres.

Nessa leitura, o risco não é um fenômeno puramente natural: resulta da combinação entre a ameaça, a exposição do território e a vulnerabilidade social de quem o habita. É essa última variável, lembrou, que separa o transtorno da tragédia — e é sobre ela que a educação atua de forma mais decisiva.

“O risco nunca se distribui igualmente pela cidade. Ele se concentra onde há menos informação, menos infraestrutura e menos capacidade de resposta. Falar de proteção sem falar de desigualdade e de acesso ao conhecimento é falar pela metade.”

 

Cultura de prevenção e memória

O professor destacou ainda a dimensão cultural do problema: sociedades que não preservam a memória de seus eventos críticos tendem a repetir os mesmos padrões de ocupação e as mesmas omissões. Construir uma cultura de prevenção nas escolas, nas comunidades, nas empresas e na gestão pública é uma política de longo prazo, cujos resultados não aparecem no ciclo de uma gestão, mas de uma geração.

“Cultura de prevenção se ensina, se pratica e se transmite. É um trabalho de gerações, e a instituição de ensino é o lugar onde esse trabalho começa.”

 

Conhecimento aplicado ao território

A UFJF atua nesse campo pela articulação entre pesquisa, formação e extensão universitária, mobilizando áreas como engenharia, geociências, saúde, ciência de dados, ciências sociais e comunicação. No ambiente do Partec JF e do Critt, esse conhecimento encontra caminhos de aplicação, monitoramento, análise de dados, planejamento territorial e tecnologias climáticas, sempre tendo a comunidade como destinatária final.

“A universidade pública tem um compromisso que antecede qualquer mercado: devolver à sociedade, em forma de conhecimento útil, aquilo que a sociedade investiu nela. Proteger cidades é uma das formas mais concretas de cumprir esse compromisso.”

O projeto “Cidades Protegidas 26” prevê um ciclo de encontros pelo estado, com foco na continuidade das atividades produtivas, na segurança das infraestruturas e no desenvolvimento socioeconômico sustentável das comunidades mineiras.