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Plataforma pública coloca em tela produções audiovisuais brasileiras

Por: Mariana Vieira e Pietro Carriço, discentes em Jornalismo e bolsistas de Iniciação Científica NJA – UFJF 

 

O Tela Brasil, novo serviço público de streaming dedicado exclusivamente ao audiovisual brasileiro, foi lançado no dia 30 de maio durante o Rio2C, evento apresentado em seu site como “o encontro de criatividade da América Latina”. A produção noticiosa sobre a plataforma gratuita de distribuição de materiais em vídeo salientou suas promessas, acervo, e sobretudo a dimensão de serviço.

O “como acessar”, associado a dicas do que não perder, esteve presente nas produções da Folha de São Paulo e dos sites Meio de Mensagem e Adoro Cinema.

 

 

A matéria publicada na Meio e Mensagem, veículo que surgiu impresso há 40 anos e que hoje oferece em formato digital conteúdo voltado para profissionais do mercado de comunicação e marketing no Brasil, recorre a uma cena do filme Cidade de Deus, uma das obras disponíveis no acervo do Tela Brasil, para abordar o tema.

As publicações destacam a proposta do governo de difundir obras audiovisuais brasileiras de maneira gratuita pela internet. Para isso, a plataforma Tela Brasil foi lançada em uma parceria entre  Ministério da Cultura (MinC) e Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Na matéria publicada pelo portal G1, o desenvolvimento via universidade é o foco principal. 

A partir de uma fala de um professor da UFAL Thiago Cordeiro, o surgimento da plataforma é descrito como uma política pública de difusão cultural:  “A Tela Brasil nasce como uma política pública voltada à difusão gratuita do audiovisual brasileiro, reunindo produções nacionais financiadas com recursos públicos e acervos de instituições culturais federais”.

Essa dimensão mais política do Tela Brasil, forma de garantir a uma parcela maior da população o acesso aos bens culturais, não é porém abordada na cobertura midiática de seu lançamento. As publicações destacam o acervo da fase inicial do projeto, que  conta com 555 produções, incluindo filmes premiados, documentários, séries, criações infantis, entre outros gêneros audiovisuais. O site Omelete anuncia “5 títulos imperdíveis do streaming brasileiro gratuito” e salienta a chegada do Tela Brasil após “um ano de espera, desde que foi anunciado no calor do Oscar 2025”.

Plataforma Tela Brasil  | Foto: Reprodução Instagram

As mais de 500 obras já disponíveis na plataforma pública de streaming, em sua maioria curtas-metragens, foram financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e cedidas por diversos órgãos e instituições. Entre estes, está a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que contribuiu com 150 obras à plataforma, totalizando mais de três mil minutos de conteúdo. 

Para a presidente da EBC, Antônia Pellegrino, essa seria uma forma de democratizar o acesso da produção, “para que a gente traga toda a diversidade da comunicação pública”. Ela ainda prometeu que até o fim do ano toda a programação da TV Brasil, toda a memória da comunicação pública iria aderir ao Tela Brasil. Conforme matéria publicada pela Agência Brasil, “produções futuras licenciadas pela TV pública entrarão automaticamente na janela do Tela Brasil”.

Mas será que as autoridades, e principalmente o cidadão que, com a plataforma, pode se tornar espectador de produções audiovisuais brasileiras, compreende de fato o que é comunicação pública?  

Luiz Felipe Novais Falcão, jornalista e doutor em Comunicação, defende a comunicação pública como aquela que se refere à coletividade e não aos poderes constituídos. Em sua dissertação de mestrado, o pesquisador do NJA explica que “não seria possível falar em bens públicos sem que estejamos convictos de que esses bens são nossos e estão postos em favor da sociedade, de maneira irrestrita e respeitando as liberdades individuais e direitos humanos” (Falcão, 2019, p17). Pensar assim, que a Tela Brasil e a TV Brasil são de todos, seria uma forma de realmente valorizar  a cultura nacional e obras artísticas acessíveis, outro diferencial da plataforma destacado pela professora Luciana Peixoto Santa Rita em matéria de Daniella Almeida e Rafael Cardoso, repórteres da Agência Brasil.

Por isso, é fundamental o financiamento público, garantido também pela população brasileira que é responsável por financiar essas produções por meio do pagamento de impostos e sua aplicação em mecanismos de fomento à cultura. Parte desses recursos está previsto para novas produções segundo o Secretário-Executivo do MinC Márcio Tavares, que aposta em um grande crescimento do streaming público: “São R$ 120 milhões que vão produzir séries, filmes, documentários, novelas”.