Por Mariana Araujo
Graduanda de Jornalismo e bolsista de Treinamento Profissional NJA – UFJF

Reprodução: Rede Globo
No último sábado, dia 11 de abril, ocorreu um amistoso de futebol feminino entre Brasil e Coreia do Sul na Área Pantanal (Cuiabá). Uma publicação citou o nome da jornalista Renata Silveira, alegando que ela afirmava que a baixa adesão de público (937 pessoas) era consequência do machismo. Porém, essa fala nunca aconteceu e informava dados falsos, já que havia um público de 6,708 torcedores. Renata alerta em suas redes sociais que foi uma fake news.
Proposto pela Senadora do Maranhão Ana Paula Lobato (PSB-MA), o Projeto de Lei nº 896/2023 inclui a misoginia como um crime de preconceito, o que é previsto na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989). O preconceito contra as mulheres acontece em todos os espaços sociais, principalmente naqueles que são considerados masculinos.
Esse é o caso da editoria de Esportes, um espaço ainda restrito a mulheres jornalistas. Não são raros, por outro lado, os casos de violência que essas profissionais sofrem. Paula Leão Delgado, doutoranda que é pesquisadora do Núcleo de Jornalismo Audiovisual (NJA) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), lembra outro caso recente, que envolveu a jornalista Aline Gomes.
No dia 7 de dezembro de 2025, a repórter da CazéTV cobria uma partida entre Santos e Cruzeiro, na Vila Belmiro. Mas as imagens da partida mostraram também uma violência de gênero; um homem aparece correndo, empurra de modo violento o microfone da mão da jornalista e interrompe a reportagem. Em suas redes sociais, a repórter contou ter se machucado, já que o microfone estava ligado ao ponto intra-auricular. Acrescentou ainda que o cinegrafista também teve a mão ferida no episódio de agressão.
Jornalista e mestre em Comunicação pela UFJF, Paula pesquisa a Flamengo TV desde de 2020. Fã de esportes a vida toda, a doutoranda conta que já acompanhou pela mídia diversos casos também ao longo de 2026 e que escancaram um de desrespeito às mulheres no campo, e nas telas.
Ainda que se sinta respeitada como pesquisadora, profissional e torcedora, Paula avalia que os discursos de ódio dirigidos às mulheres nesse ambiente permanecem, enquanto outros ficam na memória, como o que envolveu a repórter Jessica Dias, na cobertura da semifinal da Libertadores em setembro de 2022.
Embora o foco da pesquisa de Paula não seja a representação feminina nas telas, ela explica que, quando uma mulher é assediada dentro do campo, isso é um reflexo do que acontece fora do futebol. O ambiente esportivo faz parte do cotidiano e funciona como um espaço de identificação social. Logo, se a sociedade é machista e misógina, o esporte também será.
“Quando a gente fala de esporte é praticamente impossível desassociar de um elemento social, cultural e, o futebol principalmente,é uma parte dessas estruturas da sociedade brasileira”.
Um conselho para as mulheres que querem seguir nessa área é: não desistam, não deixem o preconceito minar um sonho.
“O sonho é uma coisa do nosso íntimo, um pedido da alma e, se você tem o desejo de ser uma repórter esportiva, uma pesquisadora de temas de esporte, que não seja só o futebol, ocupe esse espaço, porque só assim as pessoas vão entender que nós não só podemos, como estamos ali — e somos boas no que fazemos”.