Por Ana Beatriz Klen

Foto: GloboNews/Divulgação
Não apenas um corte ou conteúdo da TV republicado, o programa POD_i da GloboNews será produzido exclusivamente para sua publicação na plataforma de vídeos YouTube. O programa com estreia marcada para a próxima segunda-feira (1º), às 20h, será apresentado pela jornalista Andréia Sadi e receberá como primeira convidada Leila Pereira, presidente do clube de futebol Palmeiras.
O programa de YouTube inédito para a GloboNews, apesar de ser um novo caminho de produção para emissora, não é de todo revolucionário ao observar o forte investimento de redes de televisão tradicionais feito nos últimos anos em crossmedia, adequando-se a linguagem específica de cada plataforma de mídia – Instagram, TikTok, YouTube, etc – e também o lançamento de produtos específicos para cada plataforma.
Um caso conhecido e de sucesso no Brasil foi a criação do “SBT News”, reformulação feita no canal do YouTube do SBT que antes se chamava “SBT Jornalismo”. Em setembro de 2020, a emissora passou a fomentar fortemente seu canal do YouTube com o lançamento de programas exclusivos e transmissões ao vivo. O sucesso foi tanto que, em 2023, o conteúdo do SBT News passou a ter espaço e ser transmitido na TV aberta.
Em entrevista dada para o Tela Viva em 2024, Rodrigo Hornhardt, gerente de integração e planejamento de jornalismo do SBT, fala de uma nova realidade para a televisão: o conteúdo que surge em outras plataformas de mídia e se integra depois na TV aberta.
“O crescimento que tivemos mostra como a aposta no conteúdo que transita entre as várias plataformas foi um acerto. Nossa perspectiva é aumentar a quantidade de programas que nascem no digital e depois transitam para a TV aberta”, relata o jornalista.
Porém, essa adaptação de conteúdos que surgem para a internet e depois são integrados na TV aberta pode não ser tão simples assim. Mesmo involuntariamente, como telespectadores, a expectativa em questão do tipo de conteúdo que esperamos encontrar em certos meios é diferente de um para outro. Não ligamos a televisão esperando um catálogo de streaming, não acessamos o YouTube tendo uma grade fechada e mudando de canal. Abrimos o YouTube para dar play em um vídeo específico que pode ser mais longo, mais curto, de entretenimento, com uma linguagem mais próxima do nosso nicho. Ligamos a televisão esperando sintonizar em uma programação já em andamento, em um comercial passando e com uma linguagem que deve conversar com a maior quantidade de pessoas possível.
Dessa forma, a criação exclusiva de conteúdos para um tipo de plataforma influencia a sua construção visual, tempo, linguagem e abordagem geral. Andréia Sadi, jornalista conhecida por sua cobertura de temas políticos e âncora na grade do GloboNews, enfrentará o desafio de guiar um novo formato de programa de entrevistas fora da TV aberta. Apesar do programa ainda ser transmitido ao vivo, o perfil do público que acessa a plataforma é diferente. A GloboNews terá que pensar neste e outros aspectos ao lançar a novidade em seu canal do YouTube e entender o ritmo dos telespectadores para criar interesse no tipo de formato e conteúdo.
Enquanto esperamos pelo lançamento de POD_i, podemos apenas especular sobre sua construção e se o programa vai cativar tanto o público que faça ele aparecer na TV aberta, assim como os programas do SBT. O que é certo no momento, é que existe há um bom tempo essa movimentação de uma televisão que não é montada para suas próprias telas e transita no universo digital. O que é “internet” pode virar TV e o que é TV desloca-se para a “internet”.