O Museu reúne acervos arqueológico e etnográfico, que incluem cerca de 2 mil fragmentos e peças provenientes de campanhas de escavação e mapeamento (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) inaugura na próxima terça-feira, dia 3, às 10h, a nova sede do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana. A inauguração do novo espaço, situado no prédio da Reitoria, no campus de Juiz de Fora, será celebrada com a exposição “Maxakali/Tikmũ’ũn”, que também marcará os 40 anos de existência do MAEA.

Fundado nos anos de 1980, o Museu conta com acervos arqueológico e etnográfico, os quais somam, respectivamente, cerca de 2 mil fragmentos e peças oriundos de campanhas de escavação e mapeamento, conduzidas entre os anos de 2000 e 2012, na Zona da Mata mineira, e 850 artefatos cerâmicos, têxteis e de madeira indígenas, incluindo doações feitas ao longo dos anos por professores e pesquisadores, com destaque para a cultura dos povos Maxakali. 

Ambos os acervos são pertencentes à União, sendo a UFJF a instituição autorizada, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a guardar, conservar e dar fins científicos e educativos aos materiais. Nesse sentido,  o objetivo do MAEA é contribuir com a difusão cultural, o ensino, a extensão e a pesquisa. 

“O acervo do MAEA conta a história da Zona da Mata, confrontando uma historiografia mais tradicional, a qual afirma que a região foi aberta por colonizadores desbravadores, no século XVIII.  O acervo mostra que a Zona da Mata já era habitada há muito mais tempo. Ao lidarmos com o acervo, o  nosso entendimento geral é resgatar essa história e colaborar para a permanência dos povos indígenas na contemporaneidade. Muitas pessoas pensam nos indígenas num passado muito distante. E os Maxakali, os quais se autodenominam  Tikmũ’ũn – a pronúncia é tiquimum e o significado na língua nativa é ‘nós humanos’, estão ali, em Teófilo Otoni (MG), a cerca de 600 quilômetros de Juiz de Fora. Os Maxakali  já estiveram várias vezes aqui, na UFJF. Então, o Museu lida, especialmente, com esse passado-presente”, destaca o professor do Departamento de História e diretor do MAEA, Mateus Rezende de Andrade.

O diretor do MAEA, Mateus Rezende de Andrade, e a técnica-administrativa em Educação (TAE) Érica Gomes trabalham na organização do novo espaço do Museu, que celebra os 40 anos de sua criação (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

Conforme o docente, a nova sede do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (MAEA) funcionará, principalmente, como uma reserva técnica, acessível mediante agendamento prévio, com viés educativo, complementada pelas exposições permanentes do MAEA, no Centro de Ciências e no Jardim Botânico.

“É importante destacar que a inauguração da nova sede do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana é também resultante dos esforços da Universidade para institucionalizar o setor.  A UFJF tem empreendido esforços, desde 2016, para formalizar o MAEA em seu organograma. Então, em 2024, o Museu tornou-se um órgão executor da Pró-reitoria de Cultura (Procult). A instituição também requalificou esse novo espaço, além de ter adquirido estantes especializadas, investimento da ordem dos R$800 mil, a partir de uma parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e com o Ministério de Ciência e Tecnologia”, conclui.

Outras informações: maea.procult@ufjf.br ou (32) 2102-6380 (Whatsapp).