
O Centro de Ciências da UFJF completa 20 anos como referência em divulgação cientifica (Foto: Ciro Cavalcanti)
Comemorando 20 anos, o Centro de Ciências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) não deixa dúvidas de que atingiu sua maturidade. Em um prédio imponente no meio do campus, o local encanta o público de todas as idades e já recebeu a visita de cerca de 320 mil pessoas desde sua inauguração em 2006, ainda no Colégio de Aplicação João XXIII. O sonho que começou por iniciativa de um grupo de professores se materializou em um dos equipamentos de extensão mais importantes da UFJF.

A diretora Fernanda Bombonato acredita que o desafio é tentar renovar as atrações do Centro, despertando o interesse de diferentes públicos (Foto: Twin Alvarenga)
A cerimônia que marca a data será realizada nesta quarta-feira, 26, às 19h com a presença da comunidade acadêmica e de autoridades. Durante os dois próximos finais de semana, haverá horários especiais para visitas de estudantes, servidores e terceirizados da instituição: no dia 23, domingo, das 9h30 às 12h30, e no sábado, dia 29, das 14h às 17h. Não é necessário agendamento ou inscrição.
O maior público do Centro de Ciências é de estudantes do Ensino Fundamental, que vêm acompanhados por professores em visitas agendadas pelas escolas. A cada visita, é possível ver os olhinhos dos alunos brilhando, seja assistindo os filmes no planetário, observando os astros pelo telescópio ou fazendo experiências capazes de deixar, literalmente, os cabelos em pé. Em 20 anos, o Centro de Ciências recebeu centenas de colégios públicos e particulares de cerca de 70 cidades.
Professores da Escola Espaço Arte, de Muriaé (MG), agendaram visita na última terça-feira, 25, a princípio, para conhecer o planetário, mas se surpreenderam com a quantidade de exposições e momentos de interação. “As oficinas foram maravilhosas, todos os materiais organizados, a explicação dos monitores também foi muito atenciosa. Vamos voltar, com certeza”, disseram Viviane Quiareli e Camila Barreto, responsáveis pela turma do 2º ano do Ensino Fundamental da escola. O Centro também fica aberto para o público em geral e para eventos realizados na Universidade. Conheça as formas de visitação.

Alunos de uma escola em Muriaé ficaram impressionados com o local e professores pretendem retornar com outras turmas (Foto: Twin Alvarenga)
O início de um sonho…
“A gente realizou uma coisa muito difícil, mas que me deixou muito feliz, orgulhoso”, diz, emocionado, Eloi Teixeira, um dos idealizadores do Centro de Ciências e diretor do espaço entre 2006 e 2021. “Saía de casa para trabalhar todo dia feliz, eu amava o que fazia aqui”, confessando que conhece cada parafuso usado no local.
Teixeira conta que a criação de um museu de ciências surgiu entre professores do Instituto de Ciências Exatas, que o convidaram para participar da proposta. A ideia começou a sair do papel a partir da aprovação do projeto pela Finep, em 2004. Depois de muito debate e resistências, foi decidido que o espaço funcionaria no antigo Partec, local que a Faculdade de Engenharia utilizava quando ainda funcionava no prédio do Colégio João XXIII. “No desenrolar das nossas conversas, entendemos que não seria um museu simplesmente, mas um espaço de ciências que permitisse a interação das pessoas com os equipamentos.”

Diretor do Centro entre 2006 e 2021, Elói Teixeira se emociona com as conquistas do espaço e posa ao lado do mascote, criado em referência aos quatis presentes na mata atrás do Colégio João XXIII (Foto: Twin Alvarenga)
Foram comparados, de início, somente computadores e jogos didáticos. O espaço foi inaugurado praticamente vazio em 26 de agosto de 2006, mas, já no mês seguinte, recebeu a visita da primeira escola. O interesse das escolas aumentou e o Centro de Ciências conseguiu se beneficiar de um período de grandes investimentos em divulgação científica pelas agências de fomento. Novos equipamentos foram sendo adquiridos, vieram o planetário inflável, o telescópio e a destinação de bolsas para o projeto. Segundo Teixeira, as vagas para as visitas esgotavam em dez minutos. Veja os marcos importantes na linha do tempo.
O sucesso do Centro de Ciências, que passou a integrar a rede da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências, fez o espaço ter destaque nacional. Para além das visitas, o Centro também começou a oferecer formação continuada para professores de ciências, de astronomia, química, biologia, física e fazer jornadas científicas para estudantes da educação básica.
Com dez anos de funcionamento, o local ainda na primeira sede, no Colégio de Aplicação, ultrapassou a marca de 120 mil visitas. “Entendo que esses 10 anos levaram a Universidade a entender que era o momento do Centro de Ciências dar um passo a mais. Conversamos com o professor Henrique Duque na época para a construção de um novo prédio, que depois foi inaugurado pelo professor Marcos David.”
Desde então, não há quem não note o conjunto arquitetônico contemporâneo, espelhado, contrastando com o campus projetado na década de 1960. Ele abre as portas para a comunidade conhecer mais da UFJF, valorizar a ciência e o investimento público em educação. Quando vê o impacto do local, Eloi Teixeira não acredita em todos os momentos que passou. “Sozinho até às dez da noite escrevendo projeto, carregando material nas costas de ônibus do Rio de Janeiro para cá, mas não me arrependo. É muito mais do que eu vislumbrava. Acho que o Centro hoje atingiu o objetivo dele.”
Deu tudo certo!
A atual diretora do Centro de Ciências, professora Fernanda Bombonato, diz que o espaço é único, com características muito diferentes de outros centros de ciências do país. Isso porque reúne museus, o planetário, o observatório astronômico, a Casa Brasil do IBGE, além dos experimentos. “As pessoas ficam bem curiosas para saber o que acontece aqui dentro, não imaginam que o prédio tem essa dimensão e ficam impactadas com aquilo que vivenciam aqui.”

Marco Antônio Escher acredita que o Centro de Ciências tem uma carreira promissora pela frente (Foto: Twin Alvarenga)
Para ela, o desafio também é esse – administrar todos os espaços que coexistem e fazer com que o Centro de Ciências se renove, mantendo o interesse daqueles que já o visitaram. “Temos buscado fazer programações que contemplem diversas faixas etárias para que todos conheçam e tenham o Centro como referência de lugar para aprender brincando.”
Fernanda destaca que o local também cumpre um papel importante de despertar nas crianças e adolescentes o interesse pela ciência e pelos cursos da Universidade. “Temos vários relatos de estudantes da graduação que quiseram vir estudar na UFJF ou se interessaram por uma determinada área a partir da memória e da vivência que eles tiveram aqui nesse espaço enquanto crianças. Isso é muito legal.”

Para a pró-reitora de Extensão, Érika Andrade trajetória do Centro de Ciências representa o compromisso de aproximar a Universidade da sociedade (Foto: Carolina de Paula)
O pró-reitor adjunto de Extensão, Marco Antônio Escher, que também já foi diretor do Centro, compartilha da visão da colega sobre os diferenciais do Centro de Ciências e destaca que o interesse do público ultrapassa os limites de Juiz de Fora e região. “Temos exemplos práticos dessa amplitude que o Centro de Ciências tem na vida das pessoas. Em um só ano, tivemos a visita de mais de 70 cidades”. Sobre o futuro, Escher diz que é preciso pensar na continuidade dos trabalhos, nas formas de fomento para a manutenção das atividades do Centro. “Mas eu diria que ele tem uma carreira promissora.”
Para a pró-reitora de Extensão, Érika Andrade, são duas décadas de ciência, educação, descoberta e transformação, tornando o conhecimento mais acessível e despertando a curiosidade de milhares de pessoas. “Celebrar os 20 anos do Centro de Ciências é celebrar uma história que se confunde com a própria trajetória da UFJF e com seu compromisso de aproximar a Universidade da sociedade.”
Outras informações:
(32) 2102-6913 (também é WhatsApp) / (32) 2102-6914 / centrodeciencias@ufjf.br

